Acender a chama da paz
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Ouça o áudio de "Acender a chama da paz", da colunista Andreia Donadon Leal:
Almas amarguradas andam o dia inteiro pelas ruas da cidade. Entram e saem de lojas e templos espalhando cizânias por cantos e recantos. Soltam, de suas gavetas internas, riquezas de detrações. Quem não sabe argumentar nos preceitos da boa convivência, se faz de vítima. Almas amarguradas andam em fila ou lado a lado, faça sol faça chuva, tempo quente ou frio, tristes e sem rumo. Entram em filas de templos sagrados, comungam e, no instante vindouro, voltam a aventar discursos amargurados. Almas amarguradas necessitam de sessões de terapia pela saúde mental. Deus testemunha os dissabores pranteados e perdoa infinitas vezes. Não calunie seu irmão. Semeie paz. Perdoai, senhor, almas amarguradas que andam em fila, aventando mentiras! Alumie, senhor, o pensamento dos que compram e pagam brigas alheias! Elas são cabeças que pensam o que pensam cabeças alheias. Flores despontaram do meu quintal interno. Esqueci-me das almas amarguradas, graças às flores de março. Flores da terra, festa das montanhas de Minas, festa em mim e no meu quintal de porta, cama, climatizador, paredes brancas, quadros pendurados e almofadas. Nesse quintal, sou o que sou. Respirei fragrâncias das flores do meu ateliê. Minhas telas foram recobertas de camadas de tintas de cores frias. Alto relevo nos pedaços de madeira liberam aventuras e venturas do inconsciente. Guardo frascos de tintas em cada veia do corpo e da alma. O amor anda de mãos dadas com os que lutam pela paz. Pena de quem não respeita ninguém! Dó de quem sobrevive de vitimismos. Os argumentos são leves feito penas. Quantos desentendimentos guardam as almas amarguradas? Almas amarguradas andam perdidas em círculos, em blocos; andam e giram por praças e vias, semeando discórdias. Ao invés de discórdias, semeie poesia; ao invés de briga, semeie diálogo respeitoso. Escuto músicas da minha infância. “Atirei o pau no gato, tô, mas o gato, tô, não morreu.” Por que atirar pau no gato? Que faz o felino, senão expressar liberdade e oferecer carinho? Quem dera eu tivesse vara de condão, para desenhar risos no rosto em momentos de farta solidão. E que as almas amarguradas sejam abrandadas pelos ditames da verdade, pelos ditames do amor e, quem sabe, pelas lembranças da gratidão. Ainda é tempo. Sempre é tempo de facilitar e restaurar a convivência. Praticar a gratidão cem mil vezes é aprender a acender a chama da paz, que há em mim e em todos nós.

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