- Mariana
Visita histórica do ex-ministro da educação do Butão em Mariana
Thakur Powdyel, defensor da educação verde e idealizador do índice da Felicidade Interna Bruta, visita a cidade da aldravia e compartilha ideais do Reino do Butão na Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes e no Colégio Flecha.
- Maria Eduarda Marques
- Supervisão: Lui Pereira

O ex-ministro da Educação do Reino do Butão, Thakur Powdyel, esteve na Academia Marianense de Letras, nesta última terça-feira (18), para conhecer a cidade de criação da Aldravia, uma forma de poesia genuinamente brasileira, declarada patrimônio histórico, cultural e imaterial. Ele também passou pelo Colégio Flecha, nesta última quarta-feira (19), para abordar temas como educação verde.
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Tertúlia da felicidade
Em 13 de agosto de 2024, Thakur Powdyel participou como um dos palestrantes do 1º Congresso da Felicidade de Brasília. O evento tinha como objetivo a discussão sobre a ciência da felicidade e seu impacto no cotidiano.
A palestra de Thakur foi destaque, uma vez que é um idealizador do FIB e pôde compartilhar a experiência do Butão, que usa o Índice como indicador que busca medir o desenvolvimento de uma sociedade de forma mais ampla do que o Produto Interno Bruto (PIB).
Nos dias 18 e 19 de março, foi a vez de Mariana receber a histórica visita do ex-ministro, que participou de agendas na Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes, e no Colégio Flecha.
O Encontro na Academia, intitulado “Tertúlia da Felicidade”, começou com uma calorosa cerimônia de boas-vindas à Thakur, que compunha a mesa com o presidente da Casa de Cultura Academia Marianense de Letras, Dr. José Benedito Donadon Leal, o delegado (e poeta) da polícia civil Marcelo Bangoim Fernandes e a vice-prefeita Sônia Azzi.Acadêmicos, membros da Academia e alunos da Educação de Jovens e Adultos do Colégio CEMPA também estavam presentes.
Na ocasião, Thakur recebeu o título de Acadêmico Honorário da Academia Marianense pela trajetória de promover a Aldravia no Oriente, especialmente no Reino do Butão.

O presidente José Benedito Donadon logo contou um pouco do processo de criação da aldravia. “Quando, em meados de 2010, Andreia Donadon, Gabriel Bicalho, J. S. Ferreira e eu criamos a aldravia, a primeira forma de poesia genuinamente brasileira, pensávamos com a simplicidade de quem apenas queria simplificar os processos de produção e de leitura de poesia”, declara o aldravista.
Após a criação, eles perceberam que a aldravia democratizou o acesso à poesia e deu oportunidade para que as pessoas pudessem experimentar o gosto de fazer poesia, já que, por ser simples, ela é inclusiva.
Tão inclusiva que chamou a atenção do ex-ministro de educação do Butão, que se encantou por essa forma de poesia e também tornou-se um aldravianista. “Aldravia não é apenas para você, apenas para uma comunidade, aldravia é para a humanidade. É um tesouro humano, é um presente, é uma bênção. Por favor, cuide bem da aldravia!”, lembra o acadêmico em seu discurso.
Além disso, o ex-ministro presenteou o presidente José Benedito Donadon com uma echarpe branca bordada com os oito sinais da sorte tradicionais do Reino do Butão. A echarpe é presenteada às pessoas que os butaneses honram e respeitam. Ele também recebeu presentes, como livros dos acadêmicos membros da Academia, e da vice-prefeita.

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Educação e poesia - essa dupla dá certo
O encontro no Colégio Flecha, intitulado “Educação e poesia – essa dupla dá certo”, iniciou as comemorações dos 25 anos do movimento de arte aldravista com a visita de Thakur Powdyel. O Colégio acredita que, através das artes, também seguem na direção de construir a escola verde.
A escola verde é um conceito educacional desenvolvido pelo ex-ministro da educação, no livro “Minha Escola Verde”. O livro apresenta a estratégia que o Reino do Butão adotou em 2009, quando introduziu a iniciativa de reforma educacional chamada Educating for Gross National Happiness (Educar para a Felicidade Nacional Bruta).
Dessa forma, ele propõe uma abordagem holística para a educação, com uma visão que defende um aprendizado que equilibra crescimento intelectual, moral, emocional e espiritual. Assim, a Escola Verde prioriza uma educação que não apenas ensina, mas também transforma indivíduos e sociedades de maneira sustentável.
O Colégio Flecha tem um trabalho fundamentado na pedagogia de projetos. Em 2017, a professora de português Giseli Barros começou a desenvolver o projeto “Literatura, Arte e Cultura Marianense”, que tinha como objetivo a reflexão sobre questões que tangenciam o papel da arte na construção da cultura e da identidade de Mariana.

Os estudantes se encantaram pela aldravia depois de uma visita à Casa da Arte Aldravista, instalada na Rua Dom Frei José da Santíssima Trindade, número 22. A partir disso, esse trabalho literário ficou muito mais forte. “Desde 2017 recebemos escritores, inauguramos a Aldraviteca [biblioteca temática] em 2019 e participamos da Semana da Arte Aldravinista. A vinda de Thakur é uma oportunidade para conhecer uma pessoa que tem uma perspectiva de educação com a qual a gente dialoga muito”, explica Giseli.
A realização do evento contou com apresentações musicais e de dança dos estudantes do Colégio. Além da entrega de presentes ao ex-ministro, ele também presenteou a diretora Marta (e, assim, todo o Colégio) com a echarpe branca e desejou bênçãos e prosperidade para os estudantes.

Algumas turmas do Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto também marcaram presença no encontro. Dois estudantes presentearam o ex-ministro, em nome da escola, com as artes do projeto desenvolvido por lá: “Portas, janelas e aldravas: As poéticas de ouro preto”.
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Relação do FIB com a Aldravia
Um dos responsáveis por apresentar a Aldravia para Thakur Powdyel é Fernando Brancaccio, fundador da FairJob – Prosperidade Organizacional, especialista em Neurociência do Comportamento e palestrante de temas sobre felicidade e saúde mental.
Ele é coautor do livro “Felicidade”, com a aldravianista Andrea Sarubbi, da Coleção Aldravias da Editora FairJob Brasil. O livro de poesias baseado no FIB viajou para o Reino de Butão no ano passado e foi entregue à Thakur, daí o primeiro contato do ex-ministro com essa forma de poesia genuinamente brasileira.
Fernando Brancaccio começou a estudar a aldravia junto com a Felicidade Interna Bruta, segundo o aldravianista a empresa FairJob faz a mensuração de felicidade em cidades, empresas e escolas e isso o levou até o Reino de Butão. “Existe um curso de formação lá no Butão, que fui ano passado. Eu tinha escrito meu segundo livro de aldravias, e como era sobre felicidade, eu quis entregar para o ex-ministro”, explica.
A preocupação de Fernando era explicar para Thakur que existia uma forma de poesia no Brasil com seis palavras, que diz muito em muito pouco. Porém, sentiu que não podia perder a oportunidade de presenteá-lo com o livro, uma vez que, durante o curso, o ex-ministro resumiu em uma palavra tudo que fez a respeito de educação e felicidade: poesia.
Após a entrega do presente, Thakur procurou Fernando, que ainda contou; “Ele me disse que já foi ministro, mas ainda é um educador. Então, ele quis manter contato comigo e começamos a trocar aldravias por e-mail. Se conseguíssemos trazê-lo para o Brasil, um dos nossos destinos seria Mariana”.
Nesse sentido, essa forma de poesia inclusiva se relaciona com o FIB pois promove educação, saúde mental, restabelecimento de relações saudáveis no ambiente de trabalho, cultura e bem-estar social não só para as pessoas que vivem aqui na cidade, mas também em outras regiões do Brasil e do mundo. A Aldravia, essa poesia simples de seis palavras, além de se relacionar com o FIB, promoveu também, a visita de Thakur na semana que marca o dia internacional da felicidade hoje, dia 20 de março.

Durante a visita, Thakur teceu elogios à Primaz de Minas, berço da Aldravia e em um momento comentou sobre a singularidade da cidade. “Eu acho que vim para um lugar muito especial. Esse é o lugar de nascimento de uma forma importante da expressão humana: a aldravia. Eu sou um professor, mas também sou aluno, eu amo literatura, amo poesia, e o que vocês fazem aqui é muito singular. Minas Gerais é a matriz de grandes pensadores”, disse o ex-ministro.
Aldravia Marianense
As aldravias são compostas por seis versos curtos, de apenas uma palavra cada. Esse modelo poético valoriza a simplicidade e incentiva a criatividade, se popularizando como uma forma acessível e dinâmica de expressão literária.
Andreia Donadon planejou projetos de educação literária que foram desenvolvidos em diversas localidades do país. Um deles foi o projeto de produção de aldravias nas unidades prisionais de Minas Gerais, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais.
Os internos que produzem aldravias obtêm crédito de remissão de pena. A coordenação pedagógica do sistema penal do estado já publicou três livros de aldravias produzidos por eles.
A potência inclusiva da aldravia também foi responsável pela acolhida dessa forma de poesia pela Academia de Letras e Artes de Paris, pela Academia de Letras de Lisboa, pela Câmara de Funchal na Ilha da Madeira, pelo Ateneu de Madrid, pelo Clube dos Poetas do Chile, pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro e por diversos programas de pós-graduação.
Recentemente, a aldravia foi agraciada com o título de poesia inclusiva pelo Círculo Internacional de Embaixadores da Paz de Genebra, Suíça.
Andreia Donadon conta que há um grande impacto no reconhecimento da aldravia por um dos maiores líderes da educação, “por valorizar e por credenciar a aldravia como uma forma potente para educação e literatura. Falamos pouco mas com uma potência muito grande. Então, para Mariana, creio que é um dos momentos mais importantes deste século e do século passado”.

O presidente da Academia Marianense de Letras acrescenta ainda que, “o maior presente que a Aldravia deu a Mariana é a presença de Thakur”. Ele agradeceu a vinda do ex-ministro, especialmente por representar que a existência da aldravia importa.
O Reino do Butão
O Butão é um pequeno reino budista do sudeste dos Himalaia, conhecido por seus mosteiros, fortalezas e paisagens, localizado entre a China e a Índia. É um dos países menos populosos da Ásia, ao contrário dos que o cercam, com média de 780 mil habitantes.
A espiritualidade e a religião têm grande influência na cultura, nos costumes e nas tradições da população do Butão, que permaneceu muito tempo isolado (em virtude da cadeia montanhosa do Himalaia) e, consequentemente, sem os impactos da globalização. Exemplo disso é o fato de que só começaram as transmissões televisivas a partir de 1999.
O país é o pioneiro do Índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), criado pelo rei Jigme Singye Wangchuck em 1972, que indica a felicidade e o bem-estar da população. A medida, que também é indicador da ONU, informa os atuais níveis de satisfação humana e capta informações importantes para a política governamental.
O FIB é constituído por 72 indicadores, que cobrem nove dimensões: bem-estar psicológico, uso do tempo, vitalidade da comunidade, cultura, saúde, educação, diversidade do meio ambiente, padrão de vida e governança.
A partir disso, o Reino do Butão tornou-se referência nas políticas públicas de bem-estar social, pois, enquanto o PIB foca apenas na produção econômica, o país leva em consideração aspectos que afetam diretamente o bem-estar e a felicidade da população.
“A vida é mais do que material e do que nossos olhos podem enxergar. Existem outros elementos que preenchem nossa vida, como as emoções, as necessidades psicológicas, culturais e espirituais. Mas essas não podem ser vistas nem medidas, é por isso que não funciona usar apenas o PIB para medir o desenvolvimento, tem que ir além”, palavras de Thakur Powdyel no Colégio Flecha.
