Mariana (MG), 15 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Academia Marianense de Letras corre o risco de perder sede histórica

Projeto de Lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais propõe transferir o "Casarão do Estado" para a prefeitura, revogando a cessão garantida à instituição desde 2004

Fotografia colorida em plano médio da fachada de um casarão histórico de estilo colonial, com arquitetura típica do período barroco brasileiro. A edificação possui dois pavimentos, com paredes pintadas de branco e detalhes marcantes em tons de azul-escuro e amarelo-ouro.


No pavimento superior, há uma longa sacada com guarda-corpo de ferro trabalhado em cor preta e detalhes dourados. Atrás da sacada, abrem-se quatro portas-janelas altas com arcos suaves no topo, emolduradas em azul-escuro. Três dessas portas estão fechadas, revelando folhas de madeira pintadas de amarelo com pequenas vidraças quadradas na parte superior. A terceira porta, da esquerda para a direita, está aberta, revelando o interior escuro do casarão.


Três floreiras de vime suspensas estão presas ao corrimão da sacada, contendo flores artificiais: a da esquerda tem flores em tons pastéis (rosa e azul); a do centro tem flores vermelhas vibrantes e exibe a sigla "AML" gravada no vime; a da direita possui flores rosas e brancas. Lanternas de ferro pendem logo acima de cada porta.


No pavimento térreo, alinhadas com as aberturas superiores, há quatro grandes portas verticais emolduradas em azul-escuro.


A primeira porta à esquerda está aberta, funcionando como entrada principal; através dela, vê-se uma pessoa sentada de perfil olhando para o celular, uma pequena grade de madeira amarela e, ao fundo na parede interna, quadros emoldurados.


A segunda porta possui vidraças transparentes, refletindo sutilmente o exterior.


A terceira e a quarta portas estão fechadas e são feitas de madeira maciça pintada de amarelo.


Entre as portas do térreo, há pequenas placas informativas fixadas na parede branca. À extrema esquerda e direita da fachada, colunas estruturais de madeira (esteios), pintadas de azul e assentadas sobre bases de pedra colonial, emolduram o casarão. No canto inferior direito, vê-se a parte traseira de uma placa de sinalização urbana preta. O céu ao fundo está nublado e esbranquiçado.

Há 64 anos no mesmo endereço, a Academia Marianense de Letras pode perder sua sede histórica - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

A Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras (AML) –, que está prestes a completar 64 anos de funcionamento ininterrupto no mesmo endereço, enfrenta a possibilidade real de ser despejada de sua sede histórica. 

O imóvel, conhecido como "Casarão do Estado", pertence ao Governo de Minas Gerais e está localizado na rua Frei Durão, no Centro de Mariana, estrategicamente situado ao lado da Igreja da Sé.

O avanço legislativo e a revogação de direitos

A ameaça à permanência da instituição ganhou força na última terça (26), quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) emitiu parecer favorável ao Projeto de Lei nº 4.543/2025.

De autoria do deputado marianense Thiago Cota, a proposta visa revogar expressamente a Lei Estadual nº 15.378, de 2004, que havia assegurado a transferência do imóvel para a AML com o propósito de manter a instituição naquele endereço.

Em seu texto sobre o tema, a escritora e colunista da Agência Primaz, Andréia Donadon Leal ressalta a gravidade da situação, afirmando que a instituição "corre o risco de perder o seu espaço" justamente quando se aproxima de seis décadas e meia de história.

Segundo o projeto, caso seja aprovado em plenário, o prédio de 1.485m² passará a integrar o acervo de bens do Município de Mariana, ficando sob a gestão da Secretaria Municipal de Cultura para fins de "prestação de serviços culturais, artísticos e educacionais" de acordo com os interesses da prefeitura.

Um polo cultural sob ameaça

Fundada em dezembro de 1962 por figuras ilustres da sociedade marianense, como Waldemar de Moura Santos, Pedro Aleixo e Wilson Chaves, a AML não é apenas uma academia literária. O local foi oficialmente reconhecido pelo Ministério da Cultura como "Ponto de Cultura" em 2024, dada a relevância de suas atividades para Mariana e toda a região.

Atualmente presidida pelo Professor José Benedito Donadon Leal, a Casa de Cultura abriga diversos grupos e projetos essenciais para a comunidade. Funcionam no edifício o Movimento Renovador de Mariana, o Coral Madrigal, a Escola de Violões Professor Waldemar de Moura Santos, o Departamento de Arte de Modelagem, o Grupo Musical Uns e Outros e a recém-inaugurada Porão-Galeria.

A transferência da administração para o município levanta incertezas sobre a continuidade desses projetos no casarão histórico.

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