Câmara de Mariana arquiva denúncia contra Duarte Júnior

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Atualizado em 08/06/2019 às 23:06, por Luiz Loureiro.

Leitura do documento de denúncia de improbidade administrativa do prefeito Duarte Júnior, protocolada na Câmara Municipal de Mariana pelo sindicato dos servidores municipais

Leitura do documento de denúncia de improbidade administrativa do prefeito Duarte Júnior, protocolada na Câmara Municipal de mariana pelo sindicato dos servidores municipais - Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Em reunião de caráter extraordinário, convocada pelo Presidente da Câmara de Mariana, vereador Edson Agostinho, realizada nesta sexta-feira (7), a denúncia de improbidade administrativa contra o Prefeito Duarte Júnior foi arquivada pelos vereadores, por 8 votos contrários e 5 abstenções, observando-se a ausência do vereador José Jarbas Ramos Filho.

A denúncia, protocolada pelo Sindicato dos Servidores e Funcionários Municipais de Mariana (Sindserv) na quarta-feira (5), às 14h52, solicitava que os vereadores aceitassem a alegação de improbidade administrativa do chefe do executivo municipal, em virtude de não ter concedido, desde 2016, a revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos municipais.

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Posicionamento preliminar dos vereadores

Foi proposto que todos os itens da pauta – que ainda incluía 3 projetos de lei encaminhados pelo prefeito – fossem deliberados em única votação, já evidenciando uma divisão entre os vereadores da base do prefeito e os da oposição, apoiados esses últimos pelos vereadores Tenente Freitas e Deyvson Ribeiro, que se declaram independentes. Com toda a bancada situacionista presente e a ausência do oposicionista José Jarbas, o placar de 8 a 5 começou a ficar claro, sendo apoiada a proposição de votação em um único turno.

Após a leitura do documento, que também fazia alusão ao decreto de calamidade financeira publicado por Duarte Júnior no início do ano, o vereador Bruno Mol, falando em nome da bancada oposicionista, antecipou acordo para abstenção em bloco, anunciando que seria apresentada uma proposta alternativa à do chefe do executivo, em termos de reajuste para os funcionários públicos municipais, por considerar irrisório o índice geral de 4% proposto no projeto de lei nº 34/2019, protocolado na Câmara às 16h40 do mesmo dia da denúncia.

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Denúncia arquivada

Em votação nominal, 8 vereadores votaram pelo arquivamento e foram verificados as 5 já anunciadas abstenções, a despeito de algumas manifestações de concordância com a difícil situação dos servidores municipais, privados de recomposições salariais nos últimos anos, sempre com a justificativa de queda de arrecadação e observância dos preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Lidas as mensagens de encaminhamento e teor dos projetos de lei encaminhados pelo Executivo, foi então estabelecido um intervalo de 10 minutos, para elaboração dos pareceres pela Comissão de Finanças, Legislação e Justiça.

Sessão tumultuada

No retorno, constatada a existência de parecer apenas do projeto de lei complementar nº 35/2019, o mesmo foi votado e aprovado por unanimidade, acatando-se a proposição do governo municipal de alteração do “nível de vencimento dos cargos e funções públicas de Monitor de Creche e Monitor de Ensino Especial”.

A partir daí a sessão tornou-se tumultuada, com falas superpostas e divergências quanto ao procedimento regimental, uma vez que, por tratar-se de reunião extraordinária, no entender da bancada majoritária, a votação deveria ser feita mesmo sem o parecer da comissão, opinião que foi duramente contestada pelos vereadores oposicionistas e independentes. Danielly Alves, presidente da Comissão de Finanças, Legislação e Justiça, justificou a não elaboração do parecer relativo aos projetos 34 e 36, pela necessidade de maior discussão do projeto 36/2019 (repasse financeiro de R$ 600 mil ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Assalariados e Agricultores Familiares para realização da Exposição Agropecuária, Edição 2019) e possibilidade de negociação do índice de recomposição salarial proposto pelo governo municipal.

Mesmo com a intervenção, a pedido do presidente do legislativo, do Procurador Jurídico, os ânimos não se acalmaram, surgindo inclusive afirmações sobre a eventual falta de prestação de contas da edição da Exposição Agropecuária realizada no ano passado, bem como de problemas jurídicos envolvendo a empresa responsável pela organização do evento. Outro ponto contestado foi o disposto no Art. 3º do PL 36/2019, que prevê que “o Chefe do Poder Executivo [fica] autorizado a declarar inexigível o Chamamento Público”.

Por decisão do Presidente da Câmara, o PLC nº 34/2019 foi colocado em votação, sendo aprovado o reajuste de 4% nos vencimentos dos funcionários públicos municipais, mesmo com o veemente repúdio da bancada oposicionista. E depois de muitas discussões, a reunião foi encerrada, em função da comunicação feita pelo vereador Ronaldo Bento, dando ciência ao plenário que o prefeito havia solicitado a retirada de pauta do PL 36/2019.


Luiz Loureiro

É jornalista graduado pela UFOP, fundador, sócio proprietário e editor chefe da Agência Primaz de Comunicação.