A 17ª Reunião Ordinária da Câmara de Mariana, realizada nesta segunda-feira (25), foi palco de duras críticas e questionamentos sobre o projeto de duplicação da BR-356 e da MG-129. O foco central das discussões foi o Requerimento 72/2026, de autoria do vereador Ítalo de Magelinha, que exige que a concessionária Rota da Liberdade S.A. preste esclarecimentos detalhados sobre o cronograma de obras, impactos sociais e a futura cobrança de pedágio.
O "presente de grego" e o crime ambiental
A expressão que definiu o sentimento dos parlamentares partiu do vereador Ítalo de Majelinha. Ao comentar sobre a implementação de praças de pedágio em uma rodovia que será reconstruída com recursos oriundos da reparação pelo rompimento da barragem de Fundão, Ítalo foi enfático: "Fomos extremamente prejudicados com o crime ambiental que aconteceu na nossa cidade e acho que agora o mínimo que a gente pode ter, além de ter que pagar um pedágio que foi o presente que nós ganhamos, o mínimo é que a gente tenha informação", questionou.
A indignação é compartilhada pelo vereador Ronaldo Bento, que classificou o projeto como um "pacote de maldade". Bento destacou a contradição ética de utilizar cerca de R$2 bilhões do Novo Acordo de Mariana para financiar uma obra que, ao final, cobrará do cidadão marianense para circular.
O que o governo nos entrega com essa repactuação é um pedágio na calha onde é direito e detenção principalmente de Mariana, de ter a gratuidade por ela estar de fato pagando esse pedágio
Custo bilionário e lucratividade
Ronaldo Bento também trouxe números para o debate, comparando os custos municipais de asfaltamento com os valores que a concessionária receberá. Segundo seus cálculos, enquanto as obras urbanas custam cerca de R$1 milhão por quilômetro, a Rota da Liberdade receberá aproximadamente R$10 milhões por quilômetro de asfalto feito. "Eu acredito que é o mínimo necessário para esses valores vultuosos que serão pagos para essa Rota da Liberdade", afirmou ao justificar seu voto favorável ao pedido de informações.
População "no escuro"
A falta de comunicação eficiente por parte da concessionária também foi alvo de reclamações. Ítalo de Majelinha criticou o uso de perfis em redes sociais com pouco alcance para divulgar intervenções importantes.
Hoje o cidadão marianense tá no escuro. Você sai de casa para ir para Belo Horizonte, pode demorar 2 horas ou pode demorar 3 horas e meia, e nessa aí você pode perder uma consulta, pode perder um exame
A preocupação estende-se aos moradores da Vila São Vicente, em Passagem, e aos comerciantes que margeiam a rodovia. Os vereadores cobraram garantias de que as famílias não serão retiradas de forma truculenta e que haverá planos para o trânsito prioritário de ambulâncias e transporte escolar durante as obras.
Audiência Pública na ALMG
As cobranças feitas em Mariana terão um novo capítulo nesta terça-feira (26). Está marcada para às 16h, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a 2ª Reunião Extraordinária da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte.
A audiência, presidida pelo deputado Adriano Alvarenga, tem como finalidade debater justamente os impactos aos moradores e consumidores da concessão das rodovias BR-356, MG-329 e MG-262 ao Consórcio Rota da Liberdade.
Entre os convidados confirmados e aguardados estão o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, o ex-prefeito e ex-deputado Duarte Júnior, e o presidente da Câmara de Mariana, Ediraldo Arlindo de Freitas Ramos, além de representantes de agências reguladoras (Arsemig e ANTT) e diretores da própria concessionária.
A expectativa é que o governo estadual e a empresa apresentem, enfim, o projeto executivo e respondam às dúvidas que deixaram os parlamentares e a população da Região dos Inconfidentes em estado de alerta.


