Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Consórcio Rota da Liberdade na mira em Audiência Pública na ALMG

Parlamentares, prefeitos e moradores da Região dos Inconfidentes denunciam precariedade nas rodovias e incertezas sobre desapropriações na BR-356

Uma fotografia em plano médio e frontal mostra um cartaz retangular branco fixado horizontalmente sobre uma parede de painéis de madeira vertical. O cartaz contém frases escritas em português com diferentes tipos de fontes e cores.


Texto principal:


No topo, lê-se "VILA SÃO VICENTE" em letras maiúsculas pretas e com estilo estilizado, simulando traços de pincel.


Logo abaixo, centralizado, está escrito "Passagem de Mariana" em uma fonte cursiva, fina e de cor preta.


No centro do cartaz, em letras maiúsculas pretas muito grandes, grossas e com um sombreado bege claro ao fundo, destaca-se a frase: "PEDE SOCORRO".


Detalhe inferior:


Na parte inferior do cartaz, há uma faixa horizontal de cor laranja com listras diagonais pretas nas bordas, lembrando uma fita de isolamento ou sinalização de perigo. Dentro dessa faixa, está escrito em letras maiúsculas pretas: "NÃO SOMOS INVASORES".


O fundo da imagem é composto por placas de madeira lisa em tons de marrom, dispostas verticalmente, com pequenas frestas pretas entre elas. O cartaz está ligeiramente amassado nas bordas e fixado com o que parece ser fita adesiva transparente no topo.

Situação da Vila São Vicente é uma das mais delicadas para a duplicação - Foto: Elizabete Guimarães/ALMG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sediou, na tarde desta terça (26), uma audiência pública marcada pela tensão e por cobranças incisivas ao Consórcio Rota da Liberdade.

O encontro, promovido pela Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, debateu os impactos da concessão que engloba trechos das rodovias BR-356, MG-329 e MG-262, ligando Belo Horizonte a Rio Casca.

O "presente de grego" e os recursos da reparação

Um dos pontos de maior indignação levantados, e que já ecoava na Câmara de Mariana, é a origem dos recursos para as obras. O governo estadual aportará R$2 bilhões provenientes do acordo de reparação pelo crime ambiental da Samarco em Mariana. 

Para o vereador Ítalo de Majelinha, representante do legislativo de Mariana, a situação é contraditória: “Fomos extremamente prejudicados com o crime ambiental que aconteceu na nossa cidade e acho que agora o mínimo que a gente pode ter, além de ter que pagar um pedágio que foi o presente que nós ganhamos, o mínimo é que a gente tenha informação”, questionou o vereador na última segunda-feira durante a reunião na câmara Municipal.

O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, reforçou que o cidadão marianense pagará duas vezes, já que a verba é oriunda de uma tragédia que a cidade sofreu, e agora haverá pedágios no trajeto para a capital.

Cobranças por manutenção e o "passo de tartaruga"

Representantes de Mariana cobraram soluções para curva perigosa na chegada da cidade - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

A atual condição das vias, sob gestão da concessionária há cerca de 60 dias, foi duramente criticada. O deputado Adriano Alvarenga (PP), presidente da Comissão, não poupou palavras ao descrever a lentidão dos serviços de roçada e tapa-buracos: “Se soltar uma tartaruga, ela chega primeiro do que o pessoal que está fazendo a roçada, e chega primeiro com uma distância muito grande”.

O prefeito Juliano Duarte relatou que precisou usar equipes da própria prefeitura, à noite, para tapar buracos na rodovia devido ao risco de acidentes e à cobrança da população. “O cidadão vai para a rede social e me desculpe o termo, descasca o prefeito, mas a responsabilidade hoje não é da prefeitura de Mariana, é do consórcio”, desabafou.

Em resposta, Marconi Geraldo Peixoto, diretor do consórcio, apresentou um plano de 100 dias e prometeu que, na próxima semana, a população verá máquinas trabalhando em estágios de aceleração.

Incertezas sociais na Vila São Vicente

Seu Vicente esteve presente na audiência pública, junto de outros moradores do distrito - Foto: Elizabete Guimarães/ALMG

O impacto social, especialmente na Vila São Vicente, em Passagem, gerou depoimentos emocionados. Moradores como o Sr. Vicente, que reside no local há décadas, convivem com o medo da desapropriação sem informações claras. Breno Longobucco, diretor da Artemig, admitiu a complexidade: “O desafio ali da região de Mariana é um desafio de desapropriação, um desafio social”.

Embora o contrato preveja que a duplicação ocorra prioritariamente no lado oposto à Vila para minimizar impactos, Breno esclareceu que o projeto executivo ainda não existe e que a duplicação efetiva só deve ser concluída no sexto ano da concessão (2032).

Próximos passos e novas audiências

Diante da insatisfação geral, os parlamentares aprovaram requerimentos para que o consórcio detalhe os critérios de indenização e apresente cronogramas fidedignos. Além disso, foi sugerida a criação de uma comissão de acompanhamento com a participação de moradores.

A pedido dos vereadores e prefeitos, novas audiências públicas deverão ser realizadas em Mariana e Ouro Preto ainda este ano, para levar o debate diretamente às comunidades atingidas. O sentimento final foi resumido em um cartaz levado pelos moradores: “Desenvolvimento sem justiça é expulsão”.

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