Desemprego avança em Mariana na contramão do cenário nacional
Mesmo em ritmo mais lento, queda de empregabilidade permaneceu no segundo semestre de 2025 e manteve tendência negativa no início de 2026
Após o Novo Acordo de Repactuação, Mariana perdeu mais de 4 mil postos de trabalho - Arte: Larissa Antunes/Agência Primaz
Dados mais recentes do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), apontam que Mariana segue enfrentando uma acentuada perda de postos de trabalho formais, na contramão do cenário nacional.. Os números indicam que o município perdeu 4.024 postos de trabalho desde agosto de 2024, quando atingiu pico de 21.780 empregos com carteira assinada. Em janeiro de 2026, o estoque caiu para 17.756 vínculos formais, uma redução de aproximadamente 18,5% em menos de um ano e meio.
Queda se iniciou em 2024
Em Mariana, a queda foi bastante acentuada entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Em junho de 2025, Mariana ainda contabilizava 19.186 empregos formais, uma queda de 12% em 12 meses, o número continuou/ a cair de forma consistente nos meses seguintes.
Em agosto, o saldo foi negativo em 302 postos, seguido por uma breve recuperação em setembro, com a criação de 228 vagas, o único resultado positivo do período. A tendência de queda, no entanto, foi retomada em outubro (-256) e novembro (-102).
O cenário se agravou em dezembro de 2025, quando Mariana registrou o pior desempenho do último ano, com o fechamento de 598 postos formais em apenas um mês. O acentuamento da queda pode indicar um possível encerramento em massa de contratos temporários ou a conclusão de etapas relevantes de obras ligadas aos reassentamentos, restauração ambiental e obras de infraestrutura sem que o mercado absorva essa mão de obra em outros setores da economia local.
Em janeiro de 2026, o município continuou a registrar retração, com a perda de 54 vagas, consolidando o estoque em 17.756 empregos formais, o pior número de empregos formais desde abril de 2022, quando haviam 17.458 contratos formais de trabalho vigentes.
Empregabilidade na Região dos Inconfidentes
Mariana não está apenas na contramão do Brasil, mas também de seus vizinhos, Ouro Preto e Itabirito. Em Ouro Preto, o cenário é de crescimento. Segundo o CAGED, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o município registrou saldos positivos relevantes, com destaque para agosto (+338) e setembro (+339).

Mesmo com oscilações negativas em dezembro (-86) e janeiro (-122), a cidade encerrou o período com 20.840 empregos formais. No acumulado de 12 meses, foram criadas 1.851 vagas, o que representa uma alta de 10,03%.
O desempenho positivo de Ouro Preto dialoga com o avanço de atividades ligadas ao turismo, especialmente nos setores de alimentação e hospedagem, que têm sustentado a geração de empregos formais no município e no Brasil.
Já Itabirito apresenta um cenário intermediário. Apesar de quedas em meses como agosto (-195) e setembro (-234), a cidade registrou recuperação pontual em outubro (+271) e fechou janeiro de 2026 com 20.206 empregos formais. No acumulado de 12 meses, a retração foi de 3,93%, com perda de 827 postos de trabalho.
Na comparação regional, Mariana aparece como o caso mais crítico. Além de registrar a maior queda proporcional, o município passou de maior estoque de empregos da região, em agosto de 2024, para o menor nível entre as três cidades analisadas em janeiro de 2026.
Cenário Nacional
No cenário nacional, houve um significativo aumento na geração de empregos formais segundo dados do Novo Caged. Nos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o saldo é de 1.228.483 novas vagas, passando de 47.349.496 para 48.577.979 trabalhadores formalizados com alta de 2,6% no estoque total de trabalhadores formalizados.
Em janeiro de 2026, o avanço foi propulsionado por cinco grandes setores da economia do país. No setor industrial foram geradas 54.991 vagas, seguida pelos setores de Construção (+50.545), Serviços (+40.525) e Agropecuária (+23.073). Apenas o Comércio apresentou retração no mês (-56.800), movimento associado à sazonalidade após as festas de fim de ano.
Ainda em janeiro, o Brasil criou 112.334 postos de trabalho com carteira assinada, no recorte regional, 18 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo, com destaque para Santa Catarina (+19.000), Mato Grosso (+18.731) e Rio Grande do Sul (+18.421). Minas Gerais criou 7.425, uma alta de 0,15%.
Nota da Redação:
Esta reportagem utiliza dados do Novo Caged, que monitora a criação e o fechamento de postos de trabalho formais (estoque de empregos). Diferente da taxa de desemprego medida pelo IBGE (PNAD Contínua), que analisa a situação individual do trabalhador, o fechamento de vagas em Mariana indica uma retração no mercado de trabalho local e um possível arrefecimento econômico, sem necessariamente cravar a variação percentual da população desempregada residente no município. A manchete, apesar de imprecisa, foi mantida para garantir o acesso ao material através do mesmo link inicialmente distribuído.

Lui Pereira
É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.







