Mariana (MG), 6 de setembro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Dinheiro e a sociedade de consumo: A vida como ela é

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Foto: Reprodução

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”
Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Thomás Toledo:

Vamos lá, sociedade de consumo. Um modelo de coisas. E em tudo que fazemos, existe consumo: em se vestir, em comer. É assim que nos organizamos e enxergamos as realidades em que vivemos, e na forma de praticarmos a vida.

Quatro elementos fundamentam essa estrutura em que fazemos escolhas, temos desejos, experimentamos. São eles: produção em massa, transporte em massa, as vendas em massa e a figura do consumidor.

Estes pontos se juntam, se conectam e sistematizam de forma massiva, o meio em que vivemos. Que experimentamos a vida. É assunto pro mundo inteiro. Mas hoje o nosso mundo, adivinha só, vai ser Itabirito! E se a Avenida Queiroz Júnior tem algo em comum com qualquer outra avenida famosa de Paris, Londres ou Miami, esse algo em comum é o consumo.

Somos figuras diante de circunstâncias e escolhas, e vamos reproduzindo essa tal “vida de coisas”. E assim, numa sociedade de consumo, suas sensações também viram coisas. A sua experimentação, seja lá qual for. Inclusive de cidadania. Todas sendo reproduzidas dentro desses aspectos que fundamentam o consumo. Enquanto a sua mente se acostuma a enxergar a vida assim, o que nos resta é criar um certo nível de resistência diante deste padrão massivo e que trabalha, também, na subjetividade humana.

Passam carros na Queiroz Júnior. Você aí, que se acostumou, vê o carro. Não estamos acostumados a ver um processo ali, representado por aquela coisa. Observamos o que o carro virou, o seu potencial, o seu desempenho, design, mas é preciso haver uma espécie de “esforço revolucionário” para que você pense em como aquele carro, se tornou aquela coisa. Os processos, as etapas, os momentos. Perceber, e considerar isto, é remar contra a maré do mundo das coisas.

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Percebeu que chegamos até aqui, e pouco falamos em dinheiro? É porque o nome da coluna é uma figura ideal para simbolizarmos a sociedade de consumo, e como o conceito de liberdade se transforma numa “prisão sem grade” dentro da sociedade de massas. Dinheiro: o que te dá felicidade, o que te proporciona cidadania. O que te faz existir.

O consumo lhe proporciona até o poder de consumir a ideia de que “lida bem com essa coisa de dinheiro”. Na tabelinha entre ganhar e aproveitar a vida. Mas lembrem-se, tratamos aqui de um problema anterior. E maior. Abordamos algo que toca a subjetividade humana. Uma sociedade de consumo. Inclusive, é estrutura para formamos uma ideia do que seja ‘aproveitar a vida’, ou até mesmo no jeito em que se acha correto viver. Então, lembrem-se, no Mundo de Coisas (na sociedade de consumo) as suas sensações também se tornam coisas.

O dinheiro de Itabirito é majoritariamente controlado por grupos empresariais que dominam setores importantes e estratégicos, inclusive para todo o Brasil. Sim, é o Minério.

A atividade aqui faz o dinheiro girar, uma pena que sob a lógica infame dos super ricos, na sociedade de consumo. É aí que o cara fica transformando sua própria vida profissional, suas conquistas, as suas batalhas, suas próprias experiências de vida, para justificar um modelo de reprodução social.

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“Eu cheguei até aqui.” Observa essa frase. É aí que o CEO da própria vida valoriza o processo. Enquanto no mundo real de Itabirito, é o trabalhador rural, pequenos agricultores, todas as condições de subemprego, os braçais, a linha de frente da sociedade de consumo que vive sob a mira social constantemente apontada para si.

O dinheiro romantiza a barbárie.

E vivemos num mundo em que é preciso chegar lá, para depois reconhecer o processo. Tem que crescer na vida pra depois justificar um Estado de Minas Gerais quebrado, uma Itabirito com sérios e diversos problemas, uma exploração massiva de serviços e riquezas, para vir com a frase simplesmente mais dita em Itabirito: gera emprego e renda.

Mas é claro que gera emprego e renda! Pro sistema girar, a massa tem que ter o mínimo pra consumir. Em massa. É a figura do consumidor.

E apenas isso, veja bem, só isso, o mínimo de emprego e renda, justifica um extermínio de tempo, de energia, de florestas, gente, água. Compreende?

Ah, mas porque isto acontece? “Foi na época que a esposa ficou grávida, que eu consegui o emprego na Vale”. O sentido de gratidão é atribuído a uma coisa, no caso, a uma empresa.

Se tudo é consumo, o que resta é escolher o que consumir. O sentido é sempre uma tarefa.

Pra você Itabirito, eu desejo que esta aldeia se reconheça. Que não se renda como um reduto de acionistas e especuladores. E não assine logo, uma carta de rendição a sociedade de consumo.

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Itabirito: crie sua identidade, defenda suas terras, lute contra as privatizações da exploração de nossos espaços, e transforme toda a produtividade deste povo, o minério explorado, em riqueza interna. Riqueza do mundo. Riqueza daqui.

E o dinheiro, hein? É hora de segui-lo. E colocá-lo, de vez, no bolso do trabalhador.

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