Na edição desta semana da "Entrevista Primaz”, recebemos Túlio Campos, ou Túlio de desenhista, artista que faz parte da cena cultural de Ouro Preto e região. Durante a conversa, Túlio contou sobre os destaques da sua carreira ao conhecer diferentes artistas, compartilhou histórias sobre sua família e falou sobre seu diagnóstico tardio de autismo.
Infância
Túlio começou a desenhar logo na infância, influenciado pelo irmão, ele começou desenhando os personagens de Dragon Ball Z, no início, ele conta que desenhava os mais fáceis, mas que depois foi pegando o jeito e evoluindo. Outra inspiração para Túlio foi sua tia Cátia, que fez um desenho dele ainda menino.

O desenho entrou na vida de Túlio muito cedo e ele foi incentivado a continuar pela sua família. Inspirado pelo pai, ele começou também a fotografar, com o intuito de construir um acervo e preservar a memória dos acontecimentos, o desenhista conta que ele já fotografa o Festival de Inverno de Ouro Preto há uns bons anos.
Ela fez uma pintura minha. Eu sou de 91 e isso aqui foi em 97, mas ela já fez a pintura imaginando eu mais velho assim para a pintura durar mais tempo. Minha tia teve essa visão. Ela é historiadora e sempre envolvida com arte, sempre incentivou, pintava o nosso rosto, brincava com a gente e desenhava o tempo todo. Sempre tive o incentivo dos meus pais também de desenhar na parede, sempre deixaram a gente fazer as coisas, nunca teve essa restrição de limitar a gente a alguma coisa. E na vizinhança lá em Itabirito, a gente brincava muito no alpendre de ficar desenhando coisa de copa, coisa de Dragon Ball Z, de Pokémon.
O artista também relembrou da época que fez parte como tenor no Coral Academia Livre Cantar, em Itabirito, quando viajou o país com o grupo. Túlio lamenta a perda da oportunidade de viajar para a Áustria para a “copa do mundo dos corais”, que não aconteceu por falta de verba.
Diagnóstico tardio de autismo

Durante a entrevista, Túlio contou sobre o seu diagnóstico tardio de autismo, que ocorreu só após a pandemia. Ele relembra que passou momentos de ansiedade no período e, que logo após, procurou ajuda do psicólogo e pode se entender melhor enquanto artista e para o seu pessoal também. “De alguma forma eu era excluído, mas eu não sabia o que que era. Mas aí eu entendi, depois que veio o diagnóstico, porque eu não olho nos olhos, meu processamento é diferente da pessoa típica. Eu tenho mais dificuldades.”, conta o desenhista.
Túlio decidiu fazer do seu diagnóstico uma porta de entrada às pessoas que chegam no seu Instagram, segundo o desenhista, ele faz questão de informar na sua bio sobre o autismo, para que as pessoas entendam a representatividade que ele traz.
Encontro com artistas
Túlio relembra de vários momentos que esteve entregando seus desenhos a artistas brasileiros, em destaque, ele fala de Maria Bethânia, que o atendeu mesmo cansada e já no seu hotel. Elza Soares, que o tratou muito bem, perguntou sobre sua família e conversou com ele, a “mulher de todos os mundos”, como ele mesmo brincou.

O seu mais recente encontro foi com o cantor Mumuzinho, durante o show de aniversário de Ouro Preto, o artista subiu ao palco, mostrou o desenho que havia feito a Mumuzinho e discursou por 15 minutos, logo após, o cantor comprou o seu desenho. Túlio destaca esse último encontro como “divisor de águas”, pois muitas pessoas começaram a conhecer e comprar o seu trabalho após o show.
Onde acompanhar
O público pode acompanhar as novidades do Túlio Desenhista pelo Instagram oficial do artista: tulio_desenhista. Assista agora mesmo a entrevista completa abaixo, pelo Spotify, ou na sua plataforma de podcast preferida.


