No último sábado, 18 de julho, a cidade de Mariana vivenciou um importante marco cultural com a abertura da exposição "Erna Antunes: a artista que ensinou Mariana a se ver como Cidade das Artes". Realizada no Porão-Galeria da Casa de Cultura, a mostra integra a programação do “Primoridades – Festival de Inverno de Mariana”. A data escolhida ganhou contornos ainda mais significativos por coincidir com o aniversário de 57 anos da entrega do prédio, em 1969, à Academia Marianense de Letras pelo então governador Israel Pinheiro.
Música e homenagens marcam a abertura
Antes dos pronunciamentos oficiais, o público foi presenteado com a apresentação musical “Cordas da Memória”, realizada pelos integrantes do Coral RECRIAVIDA em conjunto com os alunos e alunas do Curso de Violão “Professor Moura Santos”, ministrado na própria Casa de Cultura. A performance comoveu os presentes e rendeu frutos imediatos: durante sua fala, Andreia Donadon Leal anunciou que ambos os grupos serão homenageados na próxima Feira Literária de Mariana pelo exímio trabalho que realizam em prol da música local.

Ainda durante a cerimônia, Andreia declamou "aldravias" — uma forma poética concisa — dedicadas à artista, destacando em seus versos que "Erna Festivalizou Mariana", celebrando seu espírito viçoso e sua capacidade de criar "tapeçarias" e "telas vibrantes".
Acervo inédito, colaboração e turismo




A exposição reúne um acervo precioso viabilizado pelo esforço coletivo. O espaço exibe cinco telas originais de Erna Antunes: duas cedidas por Betinha Camelo, duas emprestadas pelo artista plástico e ex-aluno da homenageada, Elias Layon, e uma pertencente ao acervo da Casa de Cultura. Além das pinturas originais, o Porão-Galeria também abriga reproduções de outras obras da artista, com destaque para um lúdico "quebra-cabeça" em azulejos que recria o famoso mural de Erna instalado no saguão da sede social do Marianense Futebol Clube.
Representando o prefeito Juliano Duarte, o Secretário de Patrimônio Cultural e Turismo, Eduardo Batista, convocou sua equipe à frente para enfatizar o valor do trabalho colaborativo que deu vida à exposição e relembrou a veia vanguardista de Erna. "Ela está viva a cada espaço dessa cidade, porque lá há 60 anos atrás, quando ela pensou em conceber um festival de arte, era exatamente isso que ela pensava, era exatamente a valorização do processo, a valorização de um processo colaborativo", destacou o secretário.

Batista lembrou também de conversas que teve com Mário Loher Antunes, filho da artista, frisando que, além de excelente pintora, Erna era uma moradora entusiasta que via na arte o melhor caminho para potencializar o turismo e solucionar desafios da cidade que tanto amava. O secretário conectou essa visão pioneira com o atual projeto "Desponta Mariana", que busca justamente valorizar a essência e os talentos que a cidade já possui.
O reconhecimento de um legado
O momento de maior emoção na cerimônia ficou reservado para a leitura de uma carta de agradecimento enviada pelo filho da homenageada, destinada ao poder público e a todos os marianenses. Lida na íntegra por Eduardo Batista, a correspondência ressalta que a homenagem "representa não apenas reconhecimento de sua trajetória artística, mas também o resgate de uma importante página para a história cultural de Mariana".
Mário sublinhou em suas palavras que a atuação de sua mãe foi determinante para a formação artística local e ajudou a projetar Mariana e Ouro Preto no cenário cultural brasileiro. Emocionado com o compromisso da cidade em valorizar a própria história, ele agradeceu por manter viva a memória daqueles que ajudaram a construir essa rica identidade.
Com esse resgate de quem ensinou Mariana a valorizar sua essência e potencial, a exposição foi declarada oficialmente aberta, e Eduardo Batista convidou a comunidade e os visitantes a se reconhecerem, mais uma vez, nas cores e nos traços atemporais de Erna Antunes.





