Juliano Duarte assume CORIDOCE e foca em usinas solares

Novo presidente toma posse em Mariana, cobra prioridade para a Bacia e propõe autossuficiência energética para municípios atingidos

Atualizado em 05/03/2026 às 14:03, por Lui Pereira.

A imagem mostra o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, em um plano médio (do peito para cima). Ele é um homem de pele clara, com cabelos escuros curtos e barba aparada. Ele veste um terno cinza-escuro, camisa social branca e uma gravata azul vibrante.
Juliano segura um microfone preto com a mão direita e parece estar discursando com uma expressão séria e focada, olhando levemente para a esquerda. Sua mão esquerda aparece na parte inferior da imagem em um gesto de fala.
Ao fundo, há um telão de LED verde brilhante com letras grandes em branco. É possível ler parcialmente as palavras

Prefeito de Mariana, Juliano Duarte assumiu a liderança do CORIDOCE na manhã desta quinta-feira - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Em assembleia realizada nesta quinta-feira (05), no Centro de Convenções de Mariana, o prefeito Juliano Duarte tomou posse como presidente do Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (CORIDOCE) para o biênio 2026-2027. 

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O evento marcou uma transição estratégica na gestão da governança da reparação  do desastre da Bacia do Rio Doce que estava com Éder Pena (Sem Peixe). O evento, marcado pela transição, reuniu prefeitos, autoridades estaduais e representantes do Ministério Público para discutir o futuro da reparação, unindo a pauta técnica do saneamento à busca por projetos de impacto econômico imediato para as prefeituras.

 

Usinas solares

A principal novidade da gestão foi apresentada em uma dobradinha entre o novo presidente e o secretário executivo, Beto Guimarães. Beto revelou que, logo após ser eleito, Juliano o incumbiu de formular algo concreto para os municípios. O resultado foi o projeto de construção de usinas fotovoltaicas em cada cidade consorciada.

A primeira ação como líder do consórcio foi a protocolização do projeto de usinas solares - Foto: Lui pereira/Agência Primaz

Ao entregar o ofício à superintendente de reparação, Thaís Vilas Boas, Juliano Duarte selou o compromisso: “É a primeira pauta e o primeiro pedido que o consórcio faz da nova gestão”. A proposta visa garantir autossuficiência energética para prédios públicos, como escolas e postos de saúde, gerando economia direta aos cofres municipais. 

Além disso, o consórcio formalizou o pedido de antecipação da primeira parcela do novo acordo destinada à saúde, visando agilizar investimentos estruturantes.

O kit máquinas também foi destacado durante a assembleia como uma das principais conquistas da gestão anterior do CORIDOCE, sob a liderança de Éder Pena e a articulação direta de Beto Guimarães. 

O projeto, que possibilitou a entrega de máquinas pesadas para a manutenção de vias públicas em cada município consorciado, foi fruto de uma intermediação direta com o Governo de Minas, sendo viabilizado pela atuação da superintendente Thaís Vilas Boas junto ao estado. 

Embora tenha sido celebrado por prefeitos e autoridades como um ganho concreto que chegou em "boa hora", o novo presidente, Juliano Duarte, ponderou que o benefício é "muito pequeno" diante da magnitude do acordo de reparação de aproximadamente R$170 bilhões, reforçando a necessidade de buscar pautas ainda mais estruturantes para a região.

 

Contexto de resistência e união

A posse ocorre um ano após um período de forte tensão, quando, em 2025, os prefeitos rejeitaram as condições da repactuação, criticando o prazo de 20 anos para pagamentos e a falta de participação no processo. Naquela época, a confiança estava depositada na ação judicial movida na Inglaterra.

Hoje, o tom é de unidade institucional. Juliano ressaltou que, embora 26 municípios tenham aderido ao novo termo e 23 (incluindo Mariana) tenham optado por seguir apenas com a ação inglesa, o CORIDOCE representará a todos. "Nossa pauta é comum e é justa", afirmou o presidente, reforçando que o consórcio busca diálogo com as mineradoras e governos, independentemente das escolhas jurídicas individuais de cada cidade.

Além da posse de Juliano Duarte na presidência, a solenidade oficializou a nova composição da Mesa Diretora e do Conselho Fiscal do CORIDOCE - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

O novo grupo de trabalho, composto por prefeitos de diversas cidades da bacia, incluindo representantes de Alvarenga, São Pedro dos Ferros, Naque, Barra Longa, São Domingos do Prata e Tumiritinga, assume com o compromisso de fortalecer a articulação regional e a vigilância sobre os recursos da reparação.

 

Cobranças ao estado

O assessor institucional e ex-prefeito, Duarte Júnior, subiu o tom contra o Governo de Minas. Ele criticou duramente o fato de o programa de regularização fundiária (REURB) ter sido iniciado em municípios fora da área afetada pelo desastre. “Se a tragédia aconteceu aqui, o recurso tem que ser colocado aqui. É nossa obrigação fiscalizar”, pontuou Duarte Júnior, alertando que o consórcio não aceitará o uso de verbas da bacia em outras regiões.

Em um de seus últimos atos como assessor institucional, Duarte Júnior cobrou que o dinheiro da reparação seja gasto nos municípios atingidos - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Em sua fala, a superintendente de reparação, Thaís Vilas Boas, ponderou que os investimentos do REURB fora da calha do Rio Doce fazem parte de uma rubrica específica e limitada do acordo. Ela explicou que a legislação da repactuação permite essa flexibilidade apenas para uma parcela mínima e acessória dos recursos: 


Existe um valor muito pequeno do acordo que legalmente tanto Minas quanto o Espírito Santo podem destinar para fora da bacia, mas esse valor é ínfimo

Thaís Vilas Boas, Superintendente de reparação


 

A superintendente assegura que o foco das ações estruturantes continua sendo, obrigatoriamente, o território atingido.

 

Saneamento: Suspensão condicionada de processos

A pauta técnica mais densa foi conduzida pelos promotores Leonardo Castro Maia, Sheilla Fernandes e Mariana Cristina, coordenadora da bacia do Rio Doce. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma proposta para a suspensão dos processos judiciais de saneamento que tramitam contra as prefeituras.

Segundo os promotores, os acordos judiciais podem ser uma boa saída para interromper processos judiciais - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Mariana Cristina explicou que o MP não pode aceitar suspensões incondicionais, pois o saneamento é uma obrigação constitucional permanente. A proposta apresentada exige que os municípios comprovem elegibilidade e se comprometam formalmente a aderir ao novo modelo de universalização coordenado pela IFC e pelo Estado, fornecendo dados e cumprindo cronogramas rigorosos.

Juliano Duarte e outros prefeitos manifestaram preocupação com os recursos para obras de esgoto já em andamento, que podem ficar em um "limbo" para as cidades que não assinaram a repactuação.

Como encaminhamento, ficou definido que as prefeituras terão 60 dias para realizar levantamentos técnicos sobre suas necessidades energéticas para subsidiar o projeto das usinas solares. A próxima assembleia geral do CORIDOCE está agendada para a primeira quinta-feira de julho.


Lui Pereira

É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.