Comerciantes da Rua Direita reuniram-se na manhã desta terça (09) na Associação Comercial (ACIAM/CDL) para discutir estratégias urgentes de revitalização da via. Motivados pela necessidade de criar alternativas para manter o turista por mais tempo em Mariana, os lojistas discutiram possíveis projetos para o local.
Segundo Helielcio Vieira, gestor administrativo da ACIAM/CDL, a ideia é que os lojistas tomem as rédeas do processo: "A proposta dessas reuniões é criar um núcleo da rua direita para tratar dos assuntos pertinentes à rua direita e pertinentes à Mariana". O objetivo central é transformar a via em um espaço de permanência, e não apenas de passagem.
Fim do trânsito e valorização da Casa do Barão de Pontal
Uma das propostas mais contundentes é a retirada do estacionamento para priorizar o pedestre e valorizar o patrimônio, especialmente a Casa do Barão de Pontal. Carla Lamarca, da CTL Artesanato, defendeu a mudança afirmando que "aquele conjunto arquitetônico da rua direita é a coisa mais linda que nós temos aqui em Mariana.
Para a redução da poluição visual, além da possível remoção das placas de trânsito, em uma eventual proibição de estacionamento na rua através de alargamento de calçadas, seria necessário a requalificação das placas dos próprios comércios, para uma melhor integração à arquitetura do século XVIII.
Então, com tantos carros, com tantas placas acaba atrapalhando a fotografia". Reforçando essa visão, Renan Tormen, representante do GAM Asian Bar, destacou que a rua possui poucas vagas e que "a rua é feita para pedestre, ela não é feita para carro... O comércio não vai vender mais por causa de 15 vagas de carro", pontuou.
Estratégias para reter o turista em Mariana

O grupo discutiu o desafio de aumentar o tempo de visitação na cidade, já que muitos turistas, de acordo com levantamento feito pela MarianaTur, ficam poucos minutos ou horas na cidade. Uma das ideias foi o "Passaporte Cultural", um bilhete que daria acesso à visitação das igrejas que seria vendido no comércio local. A dinâmica passaria pela venda dos passaportes no comércio da rua direita, o que atrairia o turista aos comércios e ofereceria uma ideia de roteiro, fazendo com que o turista fizesse um passeio maior, mais ampliado de visitação.
Para a ideia sair do papel é necessário criar parcerias e estabelecer junto à arquidiocese um horário mais regular de visitação aos templos e aos museus. Além disso, ressaltou-se a necessidade de melhor treinamento, tanto de comerciantes, quanto de funcionários, pois se quem está na ponta não sabe dar informações, "ele está ajudando esse turista a sair de Mariana para outra cidade".
Eventos, sustentabilidade e próximos passos
A pauta também incluiu a realização de eventos coletivos, como uma festa junina e feiras de brechós sustentáveis com desfiles na rua. O foco é a cooperação mútua, como pontuou Helielcio: "É um trabalho em conjunto que está sendo realizado, é uma união".
Questões de zeladoria, como o horário correto para descarte de lixo e caixas de papelão, também foram consideradas essenciais para a nova imagem da via. Uma nova reunião está marcada para o dia 23 de junho, com a possível presença de secretários municipais para discutir a diversificação econômica da Rua Direita.

