Manifestação em Mariana tem participação menor que a dos protestos de maio
*
Saída da passeata do Terminal Turístico, em direção à Praça JK - Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz
Ingrid Achiever, Nathalia Vergara, Luiz Loureiro e Yasmine Feital/Agência Primaz
Depois de apresentar adesão expressiva aos protestos realizados nos dias 15 e 30 de maio, a manifestação desta sexta-feira (14) contra a reforma da previdência, os cortes de recursos da educação e o modelo predatório de mineração, teve menor participação popular, a despeito da mobilização realizada desde a madrugada, inclusive com bloqueio da rodovia que dá acesso às mineradoras sediadas em Mariana.
A baixa adesão já se fazia sentir por volta das 16h, com poucas pessoas participando da oficina de cartazes, cujo início estava previsto para uma hora antes. Aos poucos, à medida que se aproximava o horário para o início da passeata, a atividade de confecção de cartazes foi aumentando, inclusive a partir da chegada de um grupo de atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, parcela dos que ocupam o escritório da Fundação Renova, localizado no bairro São Pedro.


Ainda antes do início da passeata, nossa reportagem ouviu algumas pessoas na concentração. André Mayer, professor do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e presidente da Associação de Docentes da Ufop (Adufop), mostrou-se animado com a realização do ato. “Então a gente espera mais uma vez, como no dia 15 de maio, no dia 30 de maio, hoje dia 14 de junho, ir pra rua de novo, pra mostrar para a população o ataque grande que a gente tem sofrido”, declarou o docente.
Adriana Marusso considerou importante a manifestação, mas mostrou-se pouco otimista quanto às expectativas futuras, porque “há uma desinformação muito grande e uma grande parte da população não percebe o que está acontecendo de fato”. Trazendo uma bandeira do Brasil nos ombros, Adriana justificou: “Eles se apropriaram do símbolo e eu senti a necessidade de, neste símbolo, expressar o meu sentimento: educação é progresso”.

Um discurso motivacional, o carro de som, mais pessoas portando cartazes e bandeiras, juntamente com a animação do grupo de atingidos, com palavras de ordem contra a Fundação Renova e o governo Bolsonaro, deram o tom do início da passeata que deixou a Praça Tancredo Neves (Terminal Turístico de Mariana) em direção à Praça JK, de forma ordeira e sem conflitos em termos de grandes impedimentos de circulação das pessoas.
No trajeto até a Praça JK, com o auxílio do carro de som, sucediam-se as palavras de ordem alusivas aos temas do protesto e de repúdio ao governo federal e às suas políticas. Mas também havia quem desse destaque à questão das mineradoras e fizesse críticas à classe política em geral, como Simone Silva, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). “Quem não é atingido por barragem é atingido por uma conta de luz que é altíssima, caríssima; é atingido pelos impostos; é atingido pela conta de água, é atingido quando você não consegue acesso a uma faculdade”, dispara Denise, afirmando que ‘é necessário resistir, pra poder existir”.
Também houve quem se sentisse motivado a participar devido à preocupação com as gerações futuras. Rejane Batista, aposentada, carregando uma criança de não mais que 2 anos, preocupa-se com o que pode acontecer com suas filhas. “Eu tô lutando para que um dia elas cheguem a aposentar. E esta reforma da previdência, pelo que eu estou vendo, não tem nada perto de que um dia elas vão aposentar”, preocupa-se Rejane.
Os manifestantes fizeram uma parada diante da entrada principal do prédio da Prefeitura de Mariana, abrindo espaço para manifestações de diversas pessoas ao microfone e constante repetição de palavras de ordem, com acompanhamento da Guarda Municipal, que cuidou do desvio do trânsito no local.







A parada seguinte foi a Praça da Sé, com nova rodada de “falas” e palavras de ordem, seguindo a passeata para a Praça Gomes Freire (Jardim), com o encerramento do ato sendo marcado por apresentações musicais.

Integrante da organização das manifestações, Fábio Faversani, professor do curso de História da Ufop, ressaltou o caráter de “resistência contra um projeto de reforma da previdência que na verdade tira dos mais pobres para direcionar pros mais ricos”, reforçando ainda a questão dos cortes de recursos da educação e os problemas causados pelas mineradoras. “Foi um ato bonito, foi um momento de construção coletiva, que vai continuar ao longo do ano, contra esses ataques”, finalizou Faversani.

Luiz Loureiro
É jornalista graduado pela UFOP, fundador, sócio proprietário e editor chefe da Agência Primaz de Comunicação.








