Mariana (MG), 10 de agosto de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Minas Gerais lidera casos na “Lista Suja” do trabalho escravo

O estado mantém a liderança no ranking nacional. Enquanto nomes da Região dos Inconfidentes permanecem no cadastro, novos registros de 2026 incluem figuras públicas e grandes potências industriais

Descrição da imagem:


Uma fotografia colorida, capturada em plano médio e de costas para os personagens principais, mostra uma equipe de fiscalização em uma área rural ou de mata densa durante o dia.


No centro e à esquerda da imagem, há duas mulheres de costas vestindo coletes táticos pretos com a inscrição "AUDITORIA FISCAL DO TRABALHO" bordada em letras amarelas maiúsculas. A mulher à esquerda usa um chapéu de aba larga cinza e uma blusa de manga longa cinza sob o colete. A mulher ao centro tem cabelos loiros e lisos.


À direita, uma terceira mulher, também integrante da equipe, é vista de perfil. Ela usa óculos escuros, uma camiseta branca e um colete tático com a sigla "AFT" (Auditor do Fiscal do Trabalho). Ela segura o que parece ser um dispositivo móvel ou caderneta, concentrada no registro de informações.


Ao fundo, entre a vegetação verde e alta, um homem jovem de pele parda observa a equipe. Ele veste um casaco de moletom vermelho com capuz, com detalhes em branco e uma estampa no peito, além de calça jeans clara e botas de cano curto sujas de terra.


O cenário é composto por folhagens verdes, galhos secos e luz solar direta, sugerindo uma operação de campo em ambiente externo.

Auditores do Ministério do Trabalho e Emprego resgatam trabalhadores de fazenda de café em MG - Foto: MTE

A atualização do Cadastro de Empregadores do Governo Federal, divulgada nesta segunda (6), confirma a persistência do trabalho análogo à escravidão no Brasil, com Minas Gerais ocupando uma posição central. Entre os anos de 2020 e 2025, o estado já figurava como o primeiro no ranking nacional em número de casos incluídos na lista. Na nova listagem, MG continua apresentando um alto volume de ocorrências, que vão desde o setor de serviços urbanos até grandes propriedades rurais.

Manutenção de casos na Região dos Inconfidentes

Diferente das novas inclusões que marcam o relatório deste semestre, os registros na região de Mariana e Ouro Preto referem-se a casos já identificados em períodos anteriores e que permanecem no cadastro.

Em Mariana, o cadastro mantém a inclusão referente a um imóvel rural na estrada de acesso a Monsenhor Horta, envolvendo dois trabalhadores. Já em Ouro Preto, permanece listado um estabelecimento no bairro Lagoa, decorrente de uma fiscalização que resgatou um trabalhador.

Estes registros, que ganharam repercussão na atualização de outubro de 2025, servem como lembrete de que a exclusão da "Lista Suja" só ocorre após o cumprimento de requisitos legais e um período de monitoramento pelo governo.

Novos nomes de peso

A grande novidade da atualização de abril de 2026 reside na entrada de nomes de projeção nacional e grandes empresas com atuação em solo mineiro. Entre os destaques desta edição estão:

  • Amado Rodrigues Batista: O cantor figura na lista com duas ocorrências no Sítio Esperança e no Sítio Recanto da Mata, em Goiás, totalizando 14 trabalhadores envolvidos.
     
  • Expresso Nepomuceno S/A: A tradicional empresa de logística foi registrada em Araxá, Minas Gerais, com 21 trabalhadores em condições análogas à escravidão.
     
  • BYD Auto do Brasil Ltda: A fabricante de veículos elétricos aparece na lista com um caso de grande magnitude envolvendo 163 trabalhadores em Camaçari, Bahia.

Além destes, outras instituições de relevância em Minas Gerais já figuravam no cadastro em atualizações passadas e permanecem listadas, como o Santuário Nacional do Bom Jesus, em Juiz de Fora.

O papel da "Lista Suja"

A "Lista Suja" é atualizada semestralmente, geralmente em abril e outubro, funcionando como um instrumento de transparência e gerenciamento de risco, especialmente para o setor financeiro.

Para os empregadores que buscam regularizar sua situação, existe o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta (CEAC). Este cadastro reúne aqueles que assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a corrigir as irregularidades.

Mesmo com a assinatura do acordo, os nomes permanecem sob monitoramento do governo por um período determinado para garantir o cumprimento das obrigações assumidas.

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