Minas Gerais lidera casos na “Lista Suja” do trabalho escravo
O estado mantém a liderança no ranking nacional. Enquanto nomes da Região dos Inconfidentes permanecem no cadastro, novos registros de 2026 incluem figuras públicas e grandes potências industriais
Auditores do Ministério do Trabalho e Emprego resgatam trabalhadores de fazenda de café em MG - Foto: MTE
A atualização do Cadastro de Empregadores do Governo Federal, divulgada nesta segunda (6), confirma a persistência do trabalho análogo à escravidão no Brasil, com Minas Gerais ocupando uma posição central. Entre os anos de 2020 e 2025, o estado já figurava como o primeiro no ranking nacional em número de casos incluídos na lista. Na nova listagem, MG continua apresentando um alto volume de ocorrências, que vão desde o setor de serviços urbanos até grandes propriedades rurais.
Manutenção de casos na Região dos Inconfidentes
Diferente das novas inclusões que marcam o relatório deste semestre, os registros na região de Mariana e Ouro Preto referem-se a casos já identificados em períodos anteriores e que permanecem no cadastro.
Em Mariana, o cadastro mantém a inclusão referente a um imóvel rural na estrada de acesso a Monsenhor Horta, envolvendo dois trabalhadores. Já em Ouro Preto, permanece listado um estabelecimento no bairro Lagoa, decorrente de uma fiscalização que resgatou um trabalhador.
Estes registros, que ganharam repercussão na atualização de outubro de 2025, servem como lembrete de que a exclusão da "Lista Suja" só ocorre após o cumprimento de requisitos legais e um período de monitoramento pelo governo.
Novos nomes de peso
A grande novidade da atualização de abril de 2026 reside na entrada de nomes de projeção nacional e grandes empresas com atuação em solo mineiro. Entre os destaques desta edição estão:
- Amado Rodrigues Batista: O cantor figura na lista com duas ocorrências no Sítio Esperança e no Sítio Recanto da Mata, em Goiás, totalizando 14 trabalhadores envolvidos.
- Expresso Nepomuceno S/A: A tradicional empresa de logística foi registrada em Araxá, Minas Gerais, com 21 trabalhadores em condições análogas à escravidão.
- BYD Auto do Brasil Ltda: A fabricante de veículos elétricos aparece na lista com um caso de grande magnitude envolvendo 163 trabalhadores em Camaçari, Bahia.
Além destes, outras instituições de relevância em Minas Gerais já figuravam no cadastro em atualizações passadas e permanecem listadas, como o Santuário Nacional do Bom Jesus, em Juiz de Fora.
O papel da "Lista Suja"
A "Lista Suja" é atualizada semestralmente, geralmente em abril e outubro, funcionando como um instrumento de transparência e gerenciamento de risco, especialmente para o setor financeiro.
Para os empregadores que buscam regularizar sua situação, existe o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta (CEAC). Este cadastro reúne aqueles que assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a corrigir as irregularidades.
Mesmo com a assinatura do acordo, os nomes permanecem sob monitoramento do governo por um período determinado para garantir o cumprimento das obrigações assumidas.

Lui Pereira
É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.







