Moradia Popular: ALMG aprova em 2º turno a doação das terras da FEBEM

Projeto de Lei 2147/2024 segue para sanção governamental após aprovação em segundo turno; área beneficiará famílias da Ocupação Chico Rei

Atualizado em 09/04/2026 às 11:04, por Lui Pereira.

A fotografia registra uma sessão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sob uma perspectiva interna.


Primeiro Plano: No canto inferior direito, em destaque, aparece a Deputada Estadual Leninha (1ª vice-presidente da ALMG). Ela é uma mulher negra, com cabelos cacheados volumosos, veste um blazer branco e está sentada à mesa diretora, com o braço apoiado, observando a movimentação no plenário. À sua frente, veem-se telas de computador e microfones.


Plano Médio: Mais ao fundo e ao centro, o Deputado Estadual Leleco Pimentel (PT/MG) está em pé, discursando em uma das tribunas laterais. Ele veste um paletó cinza e gesticula enquanto fala.


Galerias (Fundo): No nível superior das galerias, encontram-se integrantes da Ocupação Chico Rei. Várias pessoas usam bonés e camisetas vermelhas em sinal de militância. Uma grande bandeira vermelha está estendida sobre o parapeito, exibindo o símbolo do MTST e a identificação da

Integrantes da Ocupação Chico Rei compareceram ao Plenário Juscelino Kubitschek para testemunhar a aprovação do projeto - Foto: Willian Dias/ALMG

O Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em segundo turno, na reunião ordinária desta quarta-feira (08), o Projeto de Lei nº 2.147/2024. A proposta, de autoria do deputado Leleco Pimentel (PT), autoriza a doação de uma área de 196.555,25 m² (aproximadamente 20 campos de futebol) ao município de Ouro Preto.

/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1775998920&who=345

A matéria foi aprovada em primeiro turno no último dia 25 e agora cumpre sua última etapa, de redação final do texto. O imóvel, desmembrado das terras da antiga FEBEM, destina-se exclusivamente à implementação de projetos habitacionais de interesse social. Com a aprovação final na Casa, a matéria segue agora para sanção do governador.

 

Vozes da conquista

A votação foi acompanhada por integrantes da Ocupação Chico Rei, que celebraram o resultado nas galerias do Plenário. Durante seu discurso, o deputado Leleco Pimentel enfatizou o caráter emocional e histórico da medida: "Entregamos ao município de Ouro Preto hoje... esta justiça social que nós fizemos aqui". O deputado destacou que a moradia é a "porta de entrada de todos os outros direitos" e ressaltou a importância de retirar famílias do aluguel e de áreas de risco.

Em um tom mais crítico, o deputado denunciou a lógica que exclui os mais pobres do planejamento urbano. O parlamentar afirmou que o grande desafio habitacional é enfrentar os detentores de terra que "amam mais a cerca do que o ser humano" e preferem vender lotes para o mercado de luxo enquanto o povo vive em áreas de risco ou no aluguel.

Leleco também aproveitou para contrastar a doação das terras da FEBEM com outros projetos do governo que ele classificou como "liquidação do patrimônio do povo", mencionando tentativas de transferir até territórios indígenas para pagamento de dívidas do estado.

Autor da proposta, o deputado Leleco Pimentel fez um discurso carregado de críticas à atual gestão estadual durante a aprovação do projeto - Foto: Willian Dias/ALMG

A deputada Bella Gonçalves (PT), também saudou os moradores presentes, afirmando: "Vocês conquistaram a terra de vocês. Isso não é pouca coisa", além disso Bella fez questão de parabenizar nominalmente o vereador de Ouro Preto, Wanderley Kuruzu "Parabéns também ao vereador Kuruzu, que nunca arredou o pé dessa luta", o vereador é a principal liderança política dos moradores da Ocupação Chico Rei.

Ainda segundo a parlamentar, a vitória representa a saída da condição de "sem teto" para a de "assentados em um bairro comunidade". Já a deputada Andréia de Jesus (PT), reforçou que a regularização é um marco de cidadania: "Ter CEP, ter endereço é uma questão de dignidade".

 

Impacto urbanístico e habitacional

 A municipalização dessas terras deve beneficiar cerca de 500 famílias nos níveis 1, 2 e 3 de interesse social. Além da construção de moradias, o projeto prevê um impacto positivo no planejamento urbano local, permitindo a abertura de novas vias para desafogar o trânsito da Rua Dom Helvécio e melhorar o acesso à rodovia de chegada à cidade.

A prefeitura de Ouro Preto já manifestou concordância com a delimitação da área, garantindo que o projeto não conflite com equipamentos públicos vizinhos, como o quartel e o presídio. A lei estabelece uma cláusula de reversão: se o município não der a destinação social prevista ao imóvel no prazo de cinco anos, a área retornará ao patrimônio do Estado.

O projeto agora aguarda o parecer da Comissão de Redação para elaboração do texto final antes de ser encaminhado formalmente ao Poder Executivo.


Lui Pereira

É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.