Newton Godoy: Ressignificando a vida por meio da arte
Exposição de obras em óleo e acrílico celebra memória, esperança e resiliência diante do Parkinson
“Rua que guarda histórias” retrata a antiga residência do artista – Foto: Reprodução
A Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, em parceria com a Academia de Letras, Artes, e Ciências Brasil (ALACIB), convida para a abertura da exposição Entre Memórias e Presente: Ressignificando a Vida, do artista marianense Newton Godoy. A abertura da exposição acontece no próximo 10 de abril, sexta-feira, às 19h, no Porão-Galeria da Casa de Cultura-AML, com visitação de segunda a sexta-feira, das 10 às 17h, até o dia 24.
Newton Godoy
A exposição de telas em óleo e acrílico “Entre Memórias e Presente: Ressignificando a vida” propõe um encontro sensível entre arte, memória e superação. A mostra apresenta a produção recente de um artista que retoma a pintura após 14 anos convivendo com o diagnóstico da Doença de Parkinson, transformando a arte em instrumento de autocuidado, estímulo à memória e reconstrução da própria história.
Engenheiro civil, graduado pela Escola de Minas da Universidade federal de Ouro Preto, Newton Godoy construiu uma longa trajetória profissional na construção civil de grande porte, com ampla atuação também nas áreas comercial e administrativa de empreendimentos, paralelamente a sólida carreira política, tendo ocupado o cargo de vice-prefeito de Mariana, de 2017 a 2020, além de mais de uma passagem pela Secretaria Municipal de Obras e duas candidaturas ao Executivo. Na juventude, porém, a pintura foi uma presença marcante em sua vida, posteriormente interrompida pelas demandas profissionais.
Agora, aos 70 anos, a exposição marca não apenas um retorno à arte, mas também a celebração da vida e da continuidade criativa. As telas dialogam com memórias da juventude, emoções preservadas e experiências acumuladas ao longo do tempo, revelando uma produção carregada de sensibilidade, resiliência e esperança.
Mais do que uma exposição artística, a mostra convida o público a refletir sobre o envelhecimento, a memória e a possibilidade de ressignificar a vida em qualquer fase, mesmo diante de desafios impostos pela saúde. A pintura surge como ponte entre passado e presente, reafirmando que o diagnóstico não define o fim de uma história.
Entre Memórias e Presente: Ressignificando a Vida
Há momentos em que a vida nos chama de volta àquilo que sempre fomos. Esta exposição nasce desse chamado
O conjunto de telas em óleo e acrílico que atravessam tempo, memória e identidade, revelam o percurso de alguém que retorna à pintura após décadas — não apenas para produzir, mas para reencontrar a si mesmo.
As pinturas não apenas atravessam o tempo — elas o entrelaçam. Entre lembranças da juventude e a maturidade dos dias atuais, o artista redescobre na criação um território de pertencimento e verdade.
Na juventude, pintar era expressão espontânea e sensível. Com os anos, a vida tomou outros rumos: a formação em Engenharia Civil e uma trajetória profissional sólida e exigente. A arte silenciou, mas não desapareceu. Permaneceu latente, como brasa sob cinzas.
Há 14 anos, com o diagnóstico da Doença de Parkinson, o corpo passou a impor novos ritmos. Foi justamente nesse espaço de limites que a pintura ressurgiu — não como passatempo, mas como necessidade vital. O retorno às telas tornou-se gesto de memória, exercício de presença e afirmação de identidade. Cada pincelada carrega não apenas cor, mas resistência. Não apenas forma, mas permanência.

A esse caminho soma-se o apoio fundamental da família, presença constante e sustentação afetiva neste novo desafio. O incentivo, a compreensão e o cuidado tornaram possível transformar superação em criação e experiência em partilha.
Nesse percurso de retomada, destaca-se também o apoio essencial do professor Lúcio Magalhães. Mais que mestre, torna-se presença incentivadora e olhar atento. Sua orientação ultrapassa a técnica: acolhe, encoraja e fortalece o gesto criador. No diálogo entre aluno e professor, a arte renova-se como espaço de confiança e partilha.
O artista estende ainda o reconhecimento a todos aqueles que, de diferentes formas, contribuíram para que este momento se tornasse possível.
Para Newton Godoy, criar é escuta. É diálogo entre o que o corpo permite e o que a alma insiste em expressar. Os traços não ocultam a fragilidade, mas a transformam em linguagem. As cores não negam o tempo, mas o iluminam.
A celebração dos 70 anos não encerra um ciclo; inaugura outro. Não se trata de um retorno nostálgico, mas de um renascimento consciente. Uma maturidade que compreende que criar é, também, ato de coragem — e, muitas vezes, gesto compartilhado.
“Entre Memórias e Presente: Ressignificando a Vida” convida à reflexão sobre o tempo que nos atravessa, as perdas que nos transformam e a delicadeza de continuar. Porque, entre o que fomos e o que ainda seremos, existe a arte, ponte invisível que sustenta a travessia.
A exposição é aberta ao público e se dirige a todos que acreditam na arte como linguagem de cuidado, expressão e transformação


Redação Primaz
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