Mariana (MG), 16 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/ce38e4c104274095b083ef9a69b792db.webp

Rio de sangue no jardim

*

Foto: Reprodução

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”

Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Andreia Donadon Leal:

Hoje, foi um dia infernal. De calor substancioso, de fila substanciosa, de mistério substancioso, de notícia substanciosa sobre o rio de sangue que correu no jardim ou na praça. Não sei se é praça ou jardim. É um espaço que perdeu o locus da convivência fraterna, dos laços de amizade, dos passeios para respirar ar puro… Perdeu-se. Um local onde se faz necessário a presença constante de polícia; é cenário pouco aprazível. Perdeu-se o foco do descanso, do entretenimento saudável, dos finais de semana em que as pessoas se sentavam nos bancos para prosear…

Calor! Quanto calor. Dois pernilongos incomodaram minha noite de sono. Bailaram de uma parede à outra. Rodovia movimentada, apesar das altas horas. Coluna dói. Fiquei em pé na fila do banco, mais de uma hora. Uma senhora reclama do atendimento. Rispidez dos vigilantes. Estresse e cansaço? Não dói ser educado. Confesso que há dias, o aborrecimento me toca, profundamente. Não pelo tempo nem pelas burocracias genéricas, é pela teimosia a favor da continuidade no mau caminho, no caminho do improviso ou da burocratização do que é necessário desburocratizar. O preço da gasolina e do mamão está pela hora do meu desprezo. Peguei outra fila no xerox. Fiquei mais vinte minutos na porta, aguardando atendimento. Uma criança reclama do calor. O pai pede paciência. Estou impaciente, também. A ou o atendente usa blusa de frio cor de rosa clara, calça caqui; de máscara, cabelos curtos tingidos, magra (o), olhos verdes. Não vejo mais detalhes do rosto nem a expressão. São quatro horas da tarde. Mais clientes chegam. É tanto xerox de documentos. Coitados! O meio ambiente se entristece. Eu me entristeço. Falam sobre o rio de sangue despejado no jardim. Das pessoas que preferem filmar uma briga a chamar a polícia ou apartar o embate. Morreu mais um jovem. O lugar perdeu o status de espaço da boa convivência. Música alta, droga, bebida, urinol a céu aberto… Bebida nem deveria ser vendida em garrafa de vidro. Jardim ou praça deveria ser um local de convivência cultural. Respeito é condição sine qua non para a vida em sociedade. Já não escuto as fatídicas notícias da semana. A criança pede sorvete. O pai consulta a carteira. Pratas e cartão. Cartão recusado. Dou dez reais para a menina. O pai olha e agradece.

Compartilhar

Leia também

93% dos turistas querem voltar a Mariana, mas infraestrutura preocupa Mariana

93% dos turistas querem voltar a Mariana, mas infraestrutura preocupa

Blitz da diversidade transforma terminal turístico em passarela Mariana

Blitz da diversidade transforma terminal turístico em passarela

Teatro a Bordo traz arte e energia sustentável a distritos de Ouro Preto Teatro

Teatro a Bordo traz arte e energia sustentável a distritos de Ouro Preto

Publicidade
/apidata/imgcache/c52547f42e2702ac5f48f6d2ed67d74a.jpeg?banner=middle&when=1778909151&who=345