Mariana (MG), 16 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Samarco atinge 60% da capacidade produtiva

Etapa da retomada de produção é marcada por cerimônia de reativação de equipamentos parados há nove anos

Samarco atinge 60% da capacidade produtiva

Acionamento oficial dos moinhos de bola do Concentrador 2 no Complexo de Germano – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Consolidação operacional e sustentabilidade da Samarco

De acordo com Rodrigo Vilela, presidente da Samarco, a marca de 60% de capacidade operacional coloca a empresa em uma rota de crescimento sustentável – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

O ano de 2024 marca a consolidação da nossa estratégia de retomada operacional e a sustentabilidade de nosso negócio. A ampliação da capacidade produtiva nos reposiciona novamente entre os principais players do mercado transoceânico de pelotas de minério de ferro”, destacou o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, na abertura do evento, quando foram divulgados detalhes da operação que vem se desenvolvendo desde os estudos iniciados após o rompimento da barragem de Fundão.

O próximo passo será alcançar 100% da capacidade produtiva instalada até 2028. Para essa fase o projeto contempla o retorno da operação do Concentrador 1, em Germano, e das Usinas de Pelotização 1 e 2, em Ubu, além da construção de uma nova planta de filtragem em Minas Gerais.

Atualização tecnológica do parque produtivo da Samarco

Moinho de bolas secundário colocado em operação nessa segunda-feira (16) no Complexo de Germano – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

A Usina de Pelotização 3 (P3), ativada em agosto deste ano depois da implantação de uma atualização tecnológica, opera com o excedente de minério da Usina de Pelotização 4, inaugurada em dezembro de 2020. Por sua vez, o Concentrador 2 também passou por aperfeiçoamento tecnológico das atividades eletromecânicas e de integridade estrutural, seguindo normas regulamentadoras de segurança, saúde e meio ambiente, permitindo a ampliação da filtragem do minério e o aumento da produção.

Os rejeitos de minério agora passam a ser depositados em pilhas de material filtrado, eliminando o uso de barragens de contenção – Foto: Luiz Filipe Nascimento/Samarco

Durante a apresentação das questões técnicas relacionadas a essa nova fase da empresa, foi destacado que o Complexo de Germano também passa a contar com uma nova planta de filtragem de rejeitos para empilhamento a seco, estrutura que garante mais segurança e que permite que grande parte da água extraída seja reutilizada nas operações da empresa, reforçando práticas de sustentabilidade.

De acordo com Rodrigo Vilela, em encontro preliminar com jornalistas de veículos de mídia regionais, a decisão de não operar com barragens de rejeitos já havia sido tomada em 2016, por ocasião do desenvolvimento do planejamento estratégico estabelecido para o licenciamento corretivo da Samarco e, questionado pela reportagem da agência Primaz, garantiu a segurança das pilhas. “A operação de pilha já ocorre hoje numa das áreas novas que a gente chama de PDE Alegria, e o desenho de geotecnia dessa pilha foi extremamente bem planejado. Por isso que nós estamos tomando essa decisão de demorar aí mais de quase 15 anos para voltar a operar na capacidade que a gente tinha, e dentro de um projeto de engenharia que está passando por diversas revisões”, destacou.

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Em coletiva de imprensa, Rodrigo Vilela garantiu a segurança do processo de deposição de rejeitos em pilhas – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Todo o processo e o andamento da retomada gradual da Samarco, garantiu Vilela, vem sendo acompanhado pelo Ministério Público de Minas Gerais, por meio de uma consultoria independente contratada no início das operações, de modo a acompanhar e atestar o controle geotécnico de compactação que está sendo feito nas pilhas. “Então a gente pode garantir a segurança total, mas não posso falar do que aconteceu [em Conceição do Pará] porque eu não conheço tudo o que aconteceu nas pilhas de lá”, complementou o presidente da Samarco

Gestão de pessoas no processo de retomada operacional da Samarco

O envolvimento das lideranças e equipes da Samarco também foi um diferencial para o plano de retomada operacional. Para isso, a empresa investiu em programas de porta de entrada para atração de novos empregados, processos de gestão para engajamento das equipes, treinamentos, além de oferecer cursos técnicos e profissionalizantes para alavancar o desenvolvimento das comunidades onde a empresa atua em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Em seus pronunciamentos, Rodrigo Vilela (Presidente) e Reuber Koury (Diretor Técnico de Projetos) destacaram números do esforço feito pela empresa para chegar aos 60% de operacionalidade da capacidade produtiva – Foto: Luiz Filipe Nascimento/Samarco

Para alcançar a capacidade produtiva instalada de 60% foram mobilizadas cerca de 3 mil pessoas, entre próprias e contratadas, priorizando grupos minoritários e moradores das regiões onde a Samarco atua, elevando o contingente de profissionais a 15 mil contratados. “Chegamos a essa nova etapa com indicadores de segurança em linha com os padrões internacionais, reforçando nosso compromisso com as pessoas. Também avançamos com inovação e sustentabilidade, buscando o aumento da eficiência das plantas de beneficiamento do minério para reduzir a geração de rejeitos“, destacou Reuber Koury.

Sustentabilidade

As iniciativas de inovação e sustentabilidade incluem ainda projetos para ampliação da utilização do rejeito arenoso, que atualmente já é aplicado na fabricação de concreto, além do aproveitamento do ultrafino em pavimentações ecológicas. Além disso, a empresa utilizou mais de 3 milhões de toneladas de rejeito arenoso gerado nas obras de descaracterização da Barragem do Germano entre janeiro e outubro deste ano, reforçando o compromisso da empresa em garantir a destinação adequada e aumentar formas de valorização do rejeito com investimento em inovação e incentivo à economia circular, além de constituir uma oportunidade de contribuir para o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à indústria, inovação e produção sustentável.

Outra inovação diz respeito ao uso de bio-óleo nas usinas de pelotização no Espírito Santo, projeto pioneiro que está sendo desenvolvido para substituição gradual do gás natural na matriz energética da empresa, contribuindo para o processo de descarbonização do setor de mineração.

Futuro prefeito destaca a importância do aumento da capacidade produtiva

Discursando na cerimônia, Juliano Duarte (PSB), prefeito eleito de Mariana, mencionou a necessidade de aprofundar os termos do Acordo de Mariana, que estabeleceu a repactuação relativa ao rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. Para o futuro administrador municipal, é de fundamental importância que as mineradoras atuantes no território, em especial a Samarco e suas controladoras entendam que o valor destinado a Mariana, dado o grande prazo de repasse, não é compatível com todos os impactos produzidos no município, exigindo que essa questão seja rediscutida minuciosa e atentamente.

Eleito para a chefia do Executivo marianense, Juliano Duarte ressaltou a importância da retomada gradual da produção da Samarco para o fortalecimento da retomada da atividade econômica em Mariana e região – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Em relação ao momento histórico de reativação e atingimento de quase dois terços da capacidade produtiva, Juliano ressaltou que, de forma sustentável e responsável, os próximos anos devem corresponder a benefícios para a economia marianense. “[A Samarco] vai chegar a 60% da produção e é uma empresa importante para a cidade de Mariana. A gente entende a importância da mineração responsável, de uma mineração sustentável. E também é importante para a economia, para o comércio local e para o poder público municipal, para a Prefeitura Municipal de Mariana, já que, além da geração de empregos, nós teremos também um aumento na receita do município. Então, nós vamos acompanhar isso de perto, e o nosso diálogo sempre estará aberto para as mineradoras. Nós entendemos a importância da mineração para a nossa cidade, e devemos e vamos investir muito bem esses recursos, principalmente para diversificar a economia local”, finalizou Juliano.

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