Mariana (MG), 15 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Semana da Diversidade agitou o Jardim de Mariana no último sábado

O coletivo mães da (R)existência preparou um dia de beleza, dança e cinema na Praça Gomes Freire para celebrar os “Laços que acolhem” pessoas LGBTQIAPN+

Uma pessoa de costas cola uma bandeira colorida em uma parede do Coreto central da Praça Gomes Freire em Mariana Ao lado, já está pendurada uma bandeira com as cores do arco-íris e a frase “Mães da (R)existência”. A bandeira que está sendo colocada mistura as cores da bandeira LGBTQIA+ com listras em formato de seta, incluindo tons de azul, rosa, branco, marrom e preto. A cena acontece ao ar livre, no fim da tarde, com iluminação quente e suave. A imagem transmite sensação de resistência, orgulho e representatividade.

Bandeiras de resistência LGBTQIAPN+ sendo penduradas na praça central da cidade de Mariana - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

No último sábado, 16 de maio, o Jardim se coloriu ao receber o “Dia D”. O evento organizado pelo coletivo Mães da (R)existência contou com o apoio de empreendedores independentes que expuseram seus artesanatos, ofereceram cortes de cabelo, maquiagens, oficina de cosméticos, uma animadíssima aula de dança, além da estreia do documentário “Laços que acolhem”.

Um Jardim cheio de Charme

Depois de arrumar as madeixas e dar um trato na maquiagem, chegou Gabi Augusta, professora da academia Ritmo de Rua. Ela veio para animar as famílias presentes com muito Charme, uma vertente do ritmo funk. “É um evento importante, em um local importante, para trazer esse assunto [acolhimento LGBTQIAPN+] para as famílias que passam por aqui”, contou a dançarina de 29 anos.
 

Gabi Augusta após agitar todo mundo que passou pelo Jardim durante sua aula de dança - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

O tema de 2026, “Laços que Acolhem”, não foi por acaso. Gabi contou que por mais que não tenha encontrado acolhimento dentro de sua casa quando se assumiu uma pessoa LGBTQIAPN+, foi nos movimentos de dança que esse colo apareceu, “eu participava de um grupo com muita diversidade, então eu me sentia muito acolhida lá”, celebrou.

Então quando a chamaram para animar o evento e conversaram sobre o tema, a também integrante do coletivo Vila Pobre não pôde recusar o convite e deu um show de alegria ao lado do famoso coreto do Jardim. “O tema deste ano, o acolhimento, é lindo e a dança me trouxe isso”.

Cosméticos que fazem bem para a pele e para o bolso

O Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (Cellos-MG) também esteve presente ministrando uma oficina de cosméticos naturais. Lá, todo mundo pôde aprender como se faz um cheiroso creme para as mãos e uma hidratante máscara de argila para cuidar da pele e do rosto.

Mãos que acolhem e aprendem juntas na ofina de cosméticos do Cellos-MG - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Sheilla Silva, conselheira financeira do Cellos-MG, é a responsável por passar esse ensinamento adiante para diversos lugares como o Quilombo de Gesteira no município de  Barra Longa. De acordo com ela, “juntamos todo mundo, tinham mulheres trans, mulheres pretas, e conseguimos oferecer a oficina de cosméticos fáceis, dialogando com o empoderamento, com a autonomia financeira e com a possibilidade de geração de renda.”. 

Gisela Lima, vice-presidenta do coletivo, reafirmou a importância do evento e celebrou a parceria entre o Mães da (R)existência e o Cellos-MG, já que o objetivo das duas Organizações Não-Governamentais (ONGs) é “ a defesa das pessoas LGBTQIAPN+”
 

Gisele Lima, vice-presidenta do Cellos-MG, e o cartaz que ganhou de uma das crianças que participou do Dia D - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Documentário “Laços que acolhem”

Para finalizar o dia, o CineTeatro Municipal abriu as portas e celebrou a estreia do documentário “Laços que acolhem”, produzido pelo próprio movimento, com depoimentos emocionantes de pais de pessoas LGBTQIAPN+ sobre seus processos de aceitação com seus filhos. 

“A gente só precisa disso pra se sentir seguro, da porta pra fora da nossa casa já é tão difícil, então poder chegar em casa e saber que ali é um lugar seguro, que eu posso ser eu, que eu posso existir, que eu posso sentir, pensar, acabou. É o que dá força pra gente sair da porta pra fora.”

Raisa Campos, 36 anos, secretária do Mães da (R)existência.

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Comemoração de todos os colaboradores ao final do evento - Foto: Gisele Santoli/Agência Primaz

Ao final da mostra, Raisa completou que espera que o futuro traga mais famílias como as do elenco, famílias que quebrem os preconceitos, que quebrem as violências e que acolham, porque esses apoios são os laços que cada um constrói na própria jornada. 

Ainda segundo Raisa, esse evento também foi uma oportunidade de reconhecer quem caminha junto com eles nos mesmos ideais. Todos os que fizeram a tarde ser cheia de amor e acolhimento ganharam uma medalha. 

'A gente entende que enquanto movimento é muito difícil se estabelecer na cidade, conseguir espaços e ocupar esses espaços. Ter visibilidade, é uma construção de muito tempo. Então, reconhecer a existência desse trabalho, dessas pessoas, é também trazer esse lugar da diversidade que o nosso coletivo tanto defende.'

Raisa Campos

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