A Comissão dos Atingidos por Barragens de Doutor já havia pedido apoio da Prefeitura de Ouro Preto em relação ao risco a que as famílias da comunidade estariam expostas. No dia 18 de janeiro, o grupo se reuniu com a administração municipalem busca de mais diálogo com a mineradora em relação aos riscos de rompimento da barragem e esclarecimento sobre a possibilidade de reassentamento das famílias que se encontravam na Zona de Autossalvamento. Essa área se encontra a até 10 km de distância da barragem, e os moradores que ali permaneciam alegaram viver sob medo constante. Diversas reuniões também foram realizadas com representantes da empresa e do Ministério Público.
Lucilene Matias, moradora da Rua Projetada 10, que se encontra dentro da ZAS, disse que, por enquanto, os moradores não receberam nenhuma informação da Vale sobre a realocação: “Ficamos sabendo da notícia pelo WhatsApp, a Vale ainda não entrou em contato. Até o último momento [em reuniões anteriores], falaram que não nos removeriam”. Segundo ela, a comissão teve uma reunião on-line com a empresa no dia 20 de janeiro, na qual teria ficado claro o posicionamento da mineradora de não realocar os moradores. Ela salienta que existem famílias que ainda não foram cadastradas para realocação e estão em situação crítica: “A Rua Irineu Faria tem um laudo também, feito pela Defesa Civil, falando sobre risco, e a Vale não fez o cadastro de seus moradores”.
Sobre a definição pela realocação, o prefeito Angelo Oswaldo afirmou que a Prefeitura de Ouro Preto vai acompanhar o processo por meio da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Habitação e Cidadania. De acordo com ele, a Vale garantiu que não há ameaça de falha na barragem, entretanto, o reassentamento é um direito das famílias que se sentem ameaçadas por um eventual rompimento.

Em nota encaminhada à Agência Primaz, a mineradora afirmou que a decisão seguiu a recomendação da empresa auditora do Ministério Público de Minas Gerais e assegurou que as famílias “receberão assistência integral da empresa e terão participação ativa na escolha de suas moradias, que serão entregues após reforma e limpeza”. Além disso, ressaltou que “a operação cumprirá todos os protocolos de saúde e segurança recomendados diante do quadro de pandemia da Covid-19”.
“É um alívio”, diz Lucilene, “saber que poderemos deitar e ficar em paz, sem o medo nos rodeando. Mas nossa luta ainda continua, tem famílias lá que a Vale precisa olhar também, porque o medo e a insegurança ainda toma conta delas”.
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Criado peloMarcelo, do Trato


