Em cumprimento a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi realizada nesta terça-feira, 16 de junho, a prestação de contas do SAAE. Durante a reunião, a autarquia apresentou as contas do primeiro quadrimestre de 2026. Israel Quirino, procurador do SAAE, foi quem representou a instituição no legislativo.
Arrecadações e gastos
Israel apresentou que 32,35% das despesas do órgão atualmente são exclusivamente para o transporte de água por meio dos caminhões pipa. O gasto mensal no transporte de água foi de R$458 mil mensais, distribuídos em 3563 atendimentos, uma média de 514 reais por atendimento.
O procurador explicou que infelizmente é um serviço caro, que precisa custear além do aluguel do veículo e do combustível para rodar muitos quilômetros até distritos, precisa custear também os motoristas que farão as rotas.
O vereador Marcelo Macedo afirmou estar preocupado com esses custos tão elevados e que representam um terço das despesas da instituição. Além disso, foi constatado que há uma parceria entre a Samarco e a SAAE na qual são fornecidos 5 automóveis desses para os serviços.
“Se não tivesse essa parceria seria muito maior, isso é preocupante. SAAE precisa ser autônoma”
Hoje em dia esses caminhões são utilizados para abastecimento de água. Caso a cidade tivesse um sistema de abastecimento completo e que atendesse toda a população esse custo certamente baixaria.
No entanto, não há um estudo atual que diga que terceirizar esse serviço seja mais vantajoso do que investir em automóveis próprios para a SAAE. De acordo com Israel esse estudo não vai ser feito pois a única forma de diminuir esses gastos seriam melhorando o sistema de abastecimento.
“Esse estudo não foi feito, porque hoje em dia não temos condições de investir em 7 caminhões. Fica em torno de 700 mil cada um 7 caminhões demanda 14 motoristas.”
Melhorar o sistema depende de tempo e investimento. Atualmente, o bairro Santo Antônio, mais conhecido como Prainha, depende de 5 caminhões-pipa. Até que o sistema de abastecimento de lá fique pronto, de acordo com o procurador em 2027, os gastos continuarão.
“Temos 1 caminhão próprio e precisa de mais ou menos 5 de prontidão, em altas secas esse número já chegou a 15. Estamos com a média de 7,5 caminhões rodando”
SAAE sustentável
A discordância entre a instituição e o legislativo municipal se deu principalmente na forma de enxergar os planos futuros para a instituição. Marcelo Macedo afirmou que garantir um sistema de abastecimento que atenda à todos os distritos do município sem precisar de caminhões-pipa para essa função em específico é um “dever de casa preocupante”, já que parece adiar os planos de Mariana em ter um SAAE sustentável.
O representante responde que é um “dever de casa a médio prazo” e que o SAAE sustentável está projetado para 2030, caso os investimentos continuem os mesmos. Algo que cumpriria a meta do Governo Federal prevista no Marco Legal do Saneamento, para que se tenha autonomia nos sistemas de água e esgoto até 2033.
Porém, a questão principal é a que o vereador levanta: “Como fazer esses planos e investimentos no SAAE, se tem vários custos elevados aqui. Um terço disso vai para transportes, tem que enxugar, tem que ter estudo, ver a viabilidade, porque não tem como.”, questionou.
Por mais que a SAAE concorde que o caminhão pipa seja transtorno, por ser caro, levar pouca água, e gerar um grande impacto no trânsito, Israel afirmou que o único jeito de diminuir é continuar com os planos de reservatórios nos lugares que mais usam os caminhões, como o bairro Rosário e o Santa Rita de Cássia.
Ficou combinado entre as duas instituições que o “dever de casa” do SAAE é diminuir esses gastos para o próximo quadrimestre e trazer detalhes mais concretos sobre os reservatórios específicos.
“A questão dos caminhões pipa merecem ter um estudo aprofundado, é muito dinheiro”


