Mariana (MG), 14 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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8M: Dia Internacional da Mulher

Por que é importante relembrar e refletir sobre a luta das mulheres todo dia 8 de março?

8M: Dia Internacional da Mulher

Mulheres cantam palavras de ordem e exigem o cumprimento da lei de licença maternidade nas escadarias do Prédio da Gazeta, em São Paulo, 1988 - Foto: José Bassit / Estadão

Origens do 8M

O Dia Internacional da Mulher conta com uma série de acontecimentos históricos que ajudaram a promover essa data comemorativa em todo o mundo. Porém, três eventos foram importantes para a oficialização do 8M:

  • 1910: Evento na Dinamarca que reuniu mulheres socialistas de todo mundo;

O II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, que aconteceu em 1910, em Copenhague, discutiu questões envolvendo igualdade de gêneros e direito das mulheres. Durante o Congresso, a marxista alemã Clara Zetkin, uma importante figura feminista e sufragista, propôs a criação de uma data para celebrar a luta das mulheres e realizar ações em defesa da igualdade e do direito ao voto em nível mundial.

  • 1911: Incêndio em uma fábrica de roupas em Nova Iorque;

Em março de 1911, o incêndio que aconteceu na Triangle Shirtwaist Company, fábrica têxtil em Nova Iorque, matou cerca de 146 funcionários que não conseguiram sair do prédio, sendo 125 mulheres. O incêndio chamou atenção para as péssimas condições de trabalho às quais as mulheres estavam submetidas, como carga horária extensiva e salários abaixo da média. Assim, a comoção foi grande e o acontecimento tomou proporções mundiais.

Manchete do “The New York Times”: “150 morrem em incêndio em fábrica; mulheres e meninas, presas em prédio de dez andares, perdem-se nas chamas ou atiram-se para morte” - Foto: Reprodução
  • 1917: Marcha das mulheres por “pão e paz” na Rússia.

O marco considerado definitivo para a luta das mulheres aconteceu em 1917, em meio a 1ª Guerra Mundial, nas ruas de São Petersburgo (ainda Petrogrado na época). Operárias russas protestaram contra a fome, reivindicando o fim da guerra e denunciando a fome, em uma mobilização que ficou conhecida como “pão e paz” e que acabaria levando à Revolução Russa.

As mulheres trabalhadoras de têxteis, muitas delas esposas de soldados, nas ruas de Petrogrado exigindo “pão e paz” e a deposição imediata do czar Nicolau II - Foto: Reprodução

Histórico da luta do 8M

Além do resgate histórico que conta as origens do 8M, a consolidação da data conecta outros marcos que aconteceram e continuam acontecendo ao longo dos anos.

Karina Barbosa, pesquisadora feminista e professora do curso de jornalismo da UFOP, destaca que o Dia Internacional das Mulheres tem uma importância fundamental em uma sociedade patriarcal, ou seja, construída sobre bases de proteção masculina e injustiça entre os gêneros. “O 8M é uma oportunidade para pensar sobre a necessidade de uma data que chame a atenção para a urgência de uma mudança social que elimine as violências, injustiças e desigualdades, servindo para gerar mobilizações em torno de questões práticas das comunidades, dos nossos cotidianos, na universidade, na rua, no bairro, na cidade”, afirma Karina.

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Nesse sentido, certamente houve progressos nas últimas décadas, visto que a cada onda feminista há a inclusão de novas pautas e novos grupos para fortificar o movimento. Entretanto, as lutas feministas por igualdade, justiça e respeito ainda persistem. As mulheres ainda são o grupo mais vulnerável e ameaçado em vários países, e enfrentam desafios como o direito à autonomia do próprio corpo, direito ao aborto e direito à participação política.

Karina ainda alerta que, “nas duas últimas décadas temos visto inúmeros casos de violência política de gênero, como o caso mais extremo no Brasil: o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ainda temos o desafio de manter o que foi conquistado desde lá atrás, diante de ameaças constantes de retrocessos feitas pela extrema-direita organizada em todo o mundo, inclusive no Brasil”.

A sociedade na mudança

A União Europeia (UE) e a ONU estão promovendo uma iniciativa global focada na eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e meninas, a fim de alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento.

Para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, modelos para alcançar um futuro melhor, foram criadas 17 metas para superar desafios relacionados à pobreza, desigualdade, mudança climática e paz.

A igualdade de gênero, o quinto objetivo, é um alicerce fundamental para um mundo próspero. Mas de acordo com a UE, o progresso tem sido lento. No ritmo atual, vão ser necessários cerca de 300 anos para acabar com o casamento infantil; 286 anos para fechar lacunas na proteção legal e remover leis discriminatórias; 140 anos para que as mulheres sejam representadas legalmente em posições de poder e liderança no local de trabalho; e 47 anos para atingir representação igualitária nos parlamentos nacionais.

Portanto, é importante relembrar o caráter político e histórico da luta por trás do 8M, que vem sendo construída desde o final do século XIX para a melhoria da qualidade de vida das mulheres. Patrícia de Abreu, professora do Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente da UFOP, é cofundadora do coletivo “Andorinhas: Rede de Mulheres da UFOP”, com atividades iniciadas em 2021, visando reduzir as assimetrias de gênero e parentalidade no âmbito da universidade.

O coletivo promove políticas públicas institucionais de equidade para mulheres na instituição, e já conseguiu aprovação de duas resoluções do Conselho Universitário da instituição (CUNI 2006 e CUNI 2007), além de uma compensação para mulheres que estão tentando concurso na universidade.

Também conseguiu que a Pró-reitoria de Pós-graduação, Pesquisa e Inovação (Proppi) utilizasse do mesmo critério na pontuação das mulheres que estejam pleiteando os editais e que se afastaram por licença maternidade, por exemplo.

Juntamente com o Coletivo Manu, o Andorinhas conseguiu que os filhos da comunidade da UFOP pudessem acessar o restaurante universitário, além de salas de parentalidade em todos os campi, além de propor outras pautas que ainda estão sendo discutidas. “Essa é uma data [8 de março] totalmente estereotipada, em que as pessoas se lembram das mulheres e querem presentear com flores. Mas esquecem que as questões relacionadas às mulheres devem ser discutidas e lembradas ao longo do ano”, defende Patrícia.

A Associação dos Docentes da UFOP (Adufop) convida as mulheres trabalhadoras e toda a comunidade da região dos Inconfidentes para participar dos atos do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Em Mariana, a programação acontece nesta sexta-feira (07), às 17h em frente ao Terminal Turístico. Já em Ouro Preto, o ato está previsto para o próprio dia 08 (sábado), às 8h30 na Praça Tiradentes.

Relembra o ato “8M: Marias das Minas em Luta pela Vida”, ocorrido em 2023, que ocupou o centro histórico de Ouro Preto e promoveu debates e reflexões a respeito das mulheres da região.

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