Quinta, 15 de outubro de 2026 MPJ|Mais Pelo Jornalismo
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Eleições 2026

Como vota a região dos Inconfidentes - Apuração em tempo real com resultados oficiais do TSE, perfis dos candidatos e o que você precisa saber para votar.

Duarte Júnior conquista cadeira de deputado federal

Ex-prefeito de Mariana é o único candidato eleito pelo Partido Socialista Brasileiro

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Apuração em tempo real

Dados do TSE, atualizados automaticamente conforme as urnas são apuradas. Alterne entre o resultado do país, do estado e das 3 cidades da nossa cobertura.

Apuração concluída Fonte: TSE · 1º turno Atualizado às — —
Abrangência
— das urnas apuradas · — de — urnas em Mariana

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Cobertura

Notícias

Tudo o que publicamos sobre as eleições, em ordem cronológica: reportagem, vídeo, foto, nota e post — cada formato com sua marca no trilho.

Notícia 07/10 · 10:50

O que os votos por bairros e distritos revelam sobre a Região dos Inconfidentes

Plataforma da Agência Primaz e da rede Mais Pelo Jornalismo (MPJ) detalha o voto de cada seção eleitoral; levantamento mostra ilhas de resistência partidária, a divisão entre centro e periferia e a força dos deputados da terra em Mariana, Ouro Preto e Itabirito

A distribuição dos votos por bairros e distritos demonstra enclaves e pontos de resistência e oposição em cada cidade - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Você sabe exatamente como votaram os seus vizinhos de rua ou de seção eleitoral no 1º turno das Eleições 2026? A Agência Primaz, em parceria com a rede Mais Pelo Jornalismo (MPJ), disponibiliza uma ferramenta exclusiva e interativa para você navegar urna por urna em Mariana, Ouro Preto e Itabirito.

Na plataforma, é possível pesquisar qualquer candidato pelo nome ou número, filtrar por cargo (Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual) e conferir o mapa completo da votação, além das taxas de abstenção, votos brancos e nulos em cada comunidade. Acesse aqui a ferramenta de apuração da Agência Primaz e confira o resultado da sua seção.

Quem olha apenas o resultado geral das urnas na Região dos Inconfidentes pode ter a impressão de que o eleitorado vota em bloco. No entanto, um mergulho nos dados seção por seção e bairro por bairro revela um cenário bem mais complexo. A geografia, a renda e as demandas do dia a dia criaram redutos muito bem definidos nas três cidades irmãs.

Enquanto Ouro Preto manteve sua tradição progressista dando vitória expressiva a Lula, Itabirito acompanhou a onda conservadora estadual com Flávio Bolsonaro, e Mariana optou por dividir forças entre Lula na Presidência e Cleitinho no Governo de Minas. Mas quando aproximamos a lupa para dentro de cada município, surgem surpresas marcantes.

 

As comunidades que foram na contramão da própria cidade

Em cada uma das três cidades, algumas localidades destoaram completamente da maioria e votaram no sentido oposto ao restante do município.

Cuiabá e Bento Rodrigues: os pontos fora da curva em Mariana

Em Mariana, Lula (PT) venceu com folga no cômputo geral, alcançando 58,21% dos votos válidos (21.541 votos), contra 31,78% de Flávio Bolsonaro (PL). Dos 32 bairros e distritos marianenses, Lula venceu em 31. A única exceção em todo o território foi a comunidade de Cuiabá, onde Flávio Bolsonaro foi o vencedor com 51,2% dos votos. Cuiabá também foi a única urna da cidade a dar vitória a Domingos Sávio (PL) para o Senado (26,3%) e registrou uma das maiores votações para Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 64,9%.

Já em Bento Rodrigues, a disputa presidencial teve o placar mais apertado de Mariana: Lula obteve 44,2% contra 43,2% de Bolsonaro — uma diferença de apenas 1 ponto percentual. Na corrida para o governo mineiro, no entanto, a comunidade deu ampla vantagem a Cleitinho Azevedo (58,5%), deixando Patrus Ananias (PT) com apenas 26,2%.

Amarantina e Vila Samarco: os enclaves bolsonaristas em Ouro Preto

Ouro Preto registrou 60,93% dos votos para Lula (28.812 votos), deixando Flávio Bolsonaro com 30,18%. Dos 43 locais de votação mapeados, o presidente petista ganhou em 41.

Apenas dois lugares deram vitória a Flávio Bolsonaro: o distrito de Amarantina (onde Bolsonaro marcou 45,3% contra 44,5% de Lula) e o núcleo da Vila Samarco (46,3% a 44,6%). Em Cachoeira do Campo, maior colégio eleitoral fora da sede de Ouro Preto (com mais de 8,2 mil eleitores), a disputa também foi acirrada: Lula teve 48,7% contra 40,8% de Flávio, enquanto para o governo mineiro Cleitinho venceu no distrito com 49,6%.

Saboeiro: o bastião de Lula em Itabirito

Itabirito foi a única cidade da região onde Flávio Bolsonaro venceu, somando 45,57% (14.845 votos) contra 41,04% de Lula (13.370 votos), além de dar vitória tranquila a Cleitinho Azevedo (51,68%).

A grande surpresa de Itabirito foi o povoado do Saboeiro. Por lá, a maré virou totalmente: Lula conquistou expressivos 71,4% dos votos, abrindo quase 49 pontos de vantagem sobre Bolsonaro. Mais do que isso: o Saboeiro foi a única urna de Itabirito onde Patrus Ananias venceu Cleitinho Azevedo, anotando 37,3% contra 34,6%.

 

O mapa social do voto: Morros e bairros populares x áreas centrais

O raio-x da apuração evidencia uma divisão nítida entre o perfil socioeconômico das comunidades e a escolha dos governantes:

  • Em Ouro Preto, a força das encostas e dos morros: A votação de Lula e do PT disparou nas comunidades populares urbanas e tradicionais. Os maiores picos da esquerda aconteceram no Canavial (76,5%), Morro São Sebastião (75,6%), Santo Antônio do Salto (75,2%), Piedade (73,3%), Morro Santana (72,2%) e no Morro do Cruzeiro (70,4%), ao lado do campus universitário.
  • Em Itabirito, a renda no centro e o voto operário nas pontas: As regiões de maior renda média e os bairros centrais garantiram a dianteira de Flávio Bolsonaro, como Lourdes (49,1%), Novo Itabirito (48,3%), Praia (48,2%), Saudade (47,9%), Bela Vista (47,7%) e o Centro (47,1%). A resistência de Lula ficou restrita a povoados rurais e bairros operários da periferia, como Saboeiro (71,4%), Bonsucesso (59,1%), Marzagão (55,8%) e Padre Adelmo (53,7%).
  • Em Mariana, o voto cruzado da periferia: Grandes bairros populares marianenses, como Cabanas e Santa Rita de Cássia, deram mais de 60% dos votos a Lula para presidente, mas na mesma urna escolheram Cleitinho Azevedo para o governo estadual (com 45% e 49,7%, respectivamente). O maior reduto de Lula no município foi o povoado da Barroca, onde ele atingiu 81,1% dos votos válidos, seguido por São José Chácara (75%).
     

Os deputados da terra: quem ganhou onde na disputa do Legislativo

Nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os candidatos com raízes na Região dos Inconfidentes tiveram papel de destaque.

Duarte Júnior: a maior força federal da região

Ex-prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PSB) foi o grande vitorioso da região para a Câmara dos Deputados. Ele garantiu uma cadeira em Brasília com 46.479 votos no estado, sendo o único deputado federal eleito pelo PSB em Minas.

Sua votação foi maciça no território:

  • Em Mariana: Bateu o recorde local com 11.611 votos (34,45%), sendo o mais votado em 31 dos 32 bairros e distritos da cidade (atingindo picos como 67,2% em Constantino, 66,8% em Mainart e 57,8% em Goiabeiras e na Barroca).
  • Em Ouro Preto: Também foi o deputado federal mais votado, com 8.488 votos (19,20%), superando o puxador nacional Nikolas Ferreira (PL). Duarte liderou em 19 regiões ouro-pretanas, com destaque para a Serra dos Cardosos (46,6%), Piedade de Santa Rita (42,8%), Morro Santana (36,7%) e Caminho da Fábrica (30,2%).
  • Em Itabirito: Foi o 4º mais votado da cidade, conquistando 973 votos (3,24%) e liderando no povoado de Água Limpa (32,4%).

Duarte Júnior conseguiu quase a metade, ou mais precisamente 45,34% de seus votos nas três cidades da Região dos Inconfidentes.

Leleco Pimentel: a reeleição carimbada em Ouro Preto

Reeleito para a ALMG com 59.499 votos em Minas Gerais, o ouro-pretano Leleco Pimentel (PT) manteve a representação da região na Assembleia Legislativa.

  • Em Ouro Preto: Leleco foi o campeão de votos, somando 5.673 votos (13,29%) e liderando em 18 bairros e distritos (como Antônio Pereira com 24,4%, Bauxita com 22,5%, Barra com 18%, Antônio Dias com 17,3%, Cabeças com 16,3% e Centro com 14,3%).
  • Em Mariana: Teve 1.738 votos (5,34%), sendo o 3º candidato estadual mais votado da cidade.
  • Em Itabirito: Ficou em 7º lugar no município, alcançando 385 votos (1,29%).

Padre João: presença histórica nas urnas

Deputado federal experiente e com atuação ligada à agricultura familiar e movimentos sociais da região, Padre João (PT) garantiu sua reeleição na Câmara Federal por média partidária, com 86.923 votos no estado.

  • Em Mariana: Foi o 4º mais votado, com 1.546 votos (4,59%), e conquistou a liderança na comunidade de Pedras, onde teve 29,5% dos votos.
  • Em Ouro Preto: Alcançou 2.222 votos (5,03%), figurando na 6ª posição geral no município.
  • Em Itabirito: Somou 412 votos (1,37%).

O fenômeno Orlando Caldeira em Itabirito

Entre os nomes locais que disputaram vagas no Legislativo mas não conseguiram se eleger no quociente geral de Minas Gerais, o ex-prefeito de Itabirito Orlando Caldeira (PSDB) teve um desempenho expressivo em sua base:

  • Em Itabirito: Orlando praticamente varreu as urnas da cidade para deputado estadual. Ele foi o mais votado em 27 dos 28 bairros e distritos, alcançando índices avassaladores como 53,7% em Bonsucesso, 48,9% no Marzagão, 47,4% em Água Limpa, 35,9% no Córrego do Bação, 29,7% em Lourdes, 28,6% no São José e 27,2% no Centro.
  • Em Ouro Preto: Mostrando penetração na divisa, Orlando Caldeira foi o candidato mais votado no distrito de Engenheiro Correia, com 19,6% dos votos válidos.

Outros nomes locais da disputa, como Du Evangelista e Deyvson Ribeiro, que também participaram da movimentação política regional, não figuraram entre os vencedores de seções ou no grupo de deputados eleitos nas tabelas consolidadas da apuração. Dua Evangelista conseguiu 1.747 votos ao todo e Deyvson Ribeiro terminou a disputa com 2.852 votos.

Consulte os detalhes na plataforma

Os dados mostram diferenças relevantes no comportamento eleitoral entre bairros, distritos e comunidades da Região dos Inconfidentes. A ferramenta da Agência Primaz e da rede Mais Pelo Jornalismo (MPJ) permanece disponível para consulta pública e gratuita.

Acesse a página de apuração, pesquise pelo nome do bairro ou distrito e consulte os resultados das urnas nas Eleições de 2026 na região.

Por Lui Pereira

Notícia 06/10 · 11:06

Cidades mineiras com as maiores abstenções votaram em Lula e Cleitinho

Minas Gerais concentra oito das dez cidades com mais abstenções no Brasil no primeiro turno

Abstenção de 21% foi a maior registrada desde 1998 - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 deixou uma marca profunda no mapa político brasileiro: a consolidação de uma massa de eleitores invisíveis que optaram por não comparecer às urnas. Em âmbito nacional, mais de 33,4 milhões de cidadãos deixaram de votar, gerando uma taxa de abstenção de 21,08%, o maior índice registrado em pleitos gerais no país desde 1998.

Contudo, nenhum estado brasileiro sintetizou de forma tão dramática essa dinâmica de desengajamento e barreiras de acesso quanto Minas Gerais, onde o não comparecimento atingiu 22,82% do eleitorado e concentrou oito das dez cidades com as maiores taxas de abstenção de todo o Brasil.

Na Região dos Inconfidentes, o fenômeno se manifestou com intensidade singular. Mariana superou as médias mineira e nacional ao registrar 23,37% de abstenção. Já Itabirito (21,85%) e Ouro Preto (21,49%) mantiveram índices superiores à média do país, refletindo acomodações locais e disparidades regionais em relação às escolhas para a Presidência da República e para o Governo de Minas Gerais.

 

Mariana lidera abstenção com média superior à estadual e nacional

A análise detalhada dos boletins de urna fornecidos pela Justiça Eleitoral revela que, na Região dos Inconfidentes, o comportamento diante das urnas variou significativamente entre municípios vizinhos, desenhando um mosaico de preferências que reflete tensões sociais, econômicas e educacionais locais.

 

Mariana: 23,37% de abstenção (12.254 eleitores ausentes de 52.424 aptos)

Minas Gerais: 22,82% de abstenção (3,33 milhões de eleitores ausentes)

Itabirito: 21,85% de abstenção (9.837 eleitores ausentes de 45.012 aptos)

Ouro Preto: 21,49% de abstenção (13,6 mil eleitores ausentes de 63,5 mil aptos)

Brasil: 21,08% de abstenção (33,4 milhões de eleitores ausentes)

 

Com 52.424 eleitores aptos a votar, a primaz de Minas Gerais contabilizou 12.254 ausentes no primeiro turno, o que resultou em uma taxa de abstenção de 23,37%, a maior da Região dos Inconfidentes. Entre os eleitores marianenses que compareceram às seções, observou-se um nítido padrão de voto cruzado nas escolhas executivas:

 

Presidência da República: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve uma vitória expressiva com 58,21% dos votos válidos (21.541 votos), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 31,78% (11.762 votos).

Governo do Estado: A preferência do eleitorado acompanhou a onda vencedora do estado, dando a vitória a Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 45,06% dos votos válidos (14.998 votos), superando Patrus Ananias (PT), que ficou com 38,20% (12.717 votos).

 

Minas Gerais foi o terceiro estado com mais abstenções, com um índice de 22,81%, atrás de Mato grosso, com o maior índice nacional 23,87% e Rio de Janeiro na segunda posição com 23,32%. Na outra ponta da tabela, os estados com os menores índices de abstenção se concentraram no norte e nordeste com Ceará com 15,52%, Roraima com 17,12%, Piauí com 17,15%, Sergipe com 17,30% e Paraíba com 17,38%.

O cenário verificado na Região dos Inconfidentes insere-se em um quadro mais amplo do comportamento eleitoral em Minas Gerais. A Região teve uma média de abstenção de 22,20%, acima da média nacional e estadual.

Em comparação com o pleito geral de 2022, quando a abstenção mineira havia sido de 22,29%, o primeiro turno de 2026 apontou um crescimento de 0,53 ponto percentual no não comparecimento.

Conforme divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), a votação transcorreu com estabilidade operacional, exigindo a substituição de apenas 156 urnas eletrônicas (0,3% do total) e a atuação de cerca de 210 mil mesários. No entanto, a adesão do eleitorado às urnas não acompanhou a eficiência logística da Justiça Eleitoral.

 

Oito cidades de Minas Gerais estão no top 10 nacional de abstenção

O dado mais marcante do balanço publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral reside na alta concentração espacial do não comparecimento: Minas Gerais abriga 8 das 10 cidades com as maiores taxas de abstenção do Brasil no 1º turno de 2026.

As únicas duas localidades fora do território mineiro no grupo dos dez maiores índices nacionais foram os municípios de Anhanguera (GO), em 6º lugar com 37,11% de abstenção, e Barcelos (AM), em 8º lugar com 36,70%.

O quadro a seguir traz o cruzamento detalhado das oito cidades mineiras líderes em abstenção com o resultado das urnas para Presidente e Governador:

Arte: Lui pereira/Agência primaz

Como se explica a expressiva concentração de não comparecimento em pequenos municípios mineiros? A resposta a essa aparente anomalia eleitoral repousa sobre dinâmicas demográficas, econômicas e infraestruturais consolidadas no interior do estado.

O fator da migração sazonal de trabalho

As oito cidades mineiras que lideram o ranking de abstenção estão encravadas no Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce (Suaçuí) e na região Central de Minas Gerais. Trata-se de territórios historicamente marcados pela migração sazonal de trabalhadores rurais e informais.

Milhares de eleitores registrados nesses municípios deslocam-se temporariamente para a colheita do café no Sul de Minas e São Paulo, para empreendimentos agrícolas no Centro-Oeste ou para o setor da construção civil em grandes centros urbanos.

Como o pleito de outubro coincide com períodos de pico de safras e contratos de trabalho fora do domicílio eleitoral, o custo financeiro e logístico de retornar à cidade de origem apenas para votar torna-se proibitivo para famílias de baixa renda.

Além disso, esses municípios costumam ter grande território rural e ausência de transporte público gratuito e regular entre comunidades distantes e as sedes municipais, o que no domingo de eleição atua como barreira física à participação cívica, acentuando a abstenção voluntária ou forçada.

 

Cidades com maior abstenção elegeram Lula e Cleitinho

O cruzamento dos dados de abstenção com os resultados das urnas nessas oito localidades revela um padrão político perfeitamente homogêneo e intrigante: em 100% dos municípios líderes em abstenção no estado, Lula venceu a eleição presidencial, enquanto Cleitinho Azevedo venceu a disputa para o Governo de Minas Gerais. Concidentemente o mesmo resultado em Mariana, município da região que teve maior abstenção.

O candidato do PT garantiu margens expressivas em todas as oito cidades com maior desengajamento eleitoral. Os percentuais variaram entre 57,65% em Santa Maria do Suaçuí e expressivos 77,07% em Chapada do Norte. Nesses territórios, a atuação e importância de programas sociais e o vínculo histórico com governos petistas mantêm sólida base de sustentação eleitoral.

Os índices de Cleitinho nessas localidades oscilaram entre 42,10% em Serra Azul de Minas e 66,32% em Novo Cruzeiro. O fenômeno evidencia que a mensagem de Cleitinho penetrou com força no interior mineiro, sobrepondo-se à fidelidade partidária tradicional no âmbito estadual.

Implicações decisivas para o segundo turno

A poucas semanas da votação decisiva marcada para 25 de outubro, a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva coloca a abstenção no centro das estratégias de campanha.

Com mais de 33,4 milhões de eleitores ausentes no país — e mais de 3,33 milhões somente em Minas Gerais —, o contingente de não votantes ultrapassa significativamente a margem de diferença entre os dois concorrentes no primeiro turno.

Tanto para a Região dos Inconfidentes quanto para os vales do Jequitinhonha e Rio Doce, a capacidade de viabilizar a mobilidade do eleitor e mobilizar a população trabalhadora rural e migrante poderá ser o fator definitivo para definir o próximo presidente da República.

Algumas iniciativas buscam estimular o voto no segundo turno e ampliar a participação popular nas eleições. Estudantes da Universidade federal de Ouro Preto (UFOP) de Mariana criaram um formulário online para estimular a ida de outros estudantes para seus municípios de origem no segundo turno através de caronas compartilhadas e doações de recursos.

Em cerca de 24h o formulário atingiu a marca de 215 respostas, o que demonstra que a dificuldade do deslocamento também é um impeditivo da participação popular nas eleições. Existem outras iniciativas similares entre os estudantes, a palavra de ordem é exercer o voto e garantir a participação popular no pleito.

Por Lui Pereira

Notícia 05/10 · 17:38

Duarte Júnior conquista cadeira de deputado federal

Ex-prefeito de Mariana é o único candidato eleito pelo Partido Socialista Brasileiro

Em 2022 Duarte Júnior disputou uma vaga para a Câmara Federal pelo PSC, obtendo 40.826 votos – Foto: Luiz Loureiro/Arquivo Agência Primaz

Depois de deixar o Republicanos, partido pelo qual disputou o cargo de Prefeito de Ouro Preto, em 2024, Duarte Júnior obteve 46.479 votos e tornou-se o único deputado federal eleito pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Com Leleco Pimentel (PT), a Região dos Inconfidentes mantém um representante na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Importância do desempenho geral de um partido ou federação

A eleição para a Câmara Federal e para as assembleias estaduais segue o sistema proporcional, no qual o número de cadeiras a serem ocupadas é definido em função da votação obtida pelos candidatos e pelos partidos ou federações. Assim, o resultado da divisão desse total de votos pelo número de cadeiras em disputa, representa o Quociente Eleitoral (QE) que, divide o total de votos válidos para determinar o Quociente Partidário (QP), representando a quantidade inicial de deputados eleitos pelo partido ou federação, completando-se a lista, caso ainda restem vagas, por meio do sistema de maiores médias eleitorais.

Isso explica a razão de um candidato, de um determinado partido, não ser eleito, mesmo tendo mais votos que um candidato de outra agremiação partidária ou federação.

Para exemplificar, a bancada mineira na Câmara dos Deputados vai contar com 21 representantes, em função dos 3.119.318 votos obtidos por Nikolas Ferreira, o que o transformou no deputado federal com a maior votação da história do país. Com isso, o partido elegeu, em Minas Gerais, 21 deputados, todos pelo QP. Nessa lista, o menos votado foi o Sargento Mello-Casal, com 25.090 votos, que passa a ocupar uma cadeira na Câmara Federal, mesmo tendo apenas 27,18% dos 92.285 votos conseguidos por Euclydes Pettersen (Republicanos).

Com maior votação do PSB, Duarte garante vaga de Deputado Federal

O exemplo acima foi propositalmente escolhido, uma vez que Duarte Júnior trocou o Republicanos, pelo qual concorreu à Prefeitura de Ouro Preto, em 2024, pelo PSB, depois de concorrer a deputado federal, em 2022, pelo Partido Social Cristão (PSC) em 2022. Nessa ocasião, o ex-prefeito de Mariana obteve 40.826 votos, tornando-se suplente de Euclydes Pettersen, que conseguiu 101.892 votos.

Ou seja, em 2026, mesmo com aproximadamente metade da votação anterior do candidato do Republicanos, os 46.479 votos de Duarte Júnior foram suficientes para colocá-lo na Câmara federal, por quociente proporcional, deixando seu antigo companheiro de partido como suplente.

Noraldino Júnior, (à direita), tornou-se o candidato mais votado em Mariana para a assembleia Legislativa de Minas Gerais – Foto: Guilherme Bergamini/Arquivo ALMG

Além disso, a respeito da filiação de Duarte Júnior ao PSB, há que se ressaltar a dobradinha feita com Noraldino Júnior que, também apoiado por Juliano Duarte (PSB), prefeito de Mariana, conseguiu a reeleição para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, totalizando 89.480 votos, colocando-se como o mais votado do partido e o mais votado em Mariana, com 3.771 votos, correspondendo a 11,58% dos votos válidos.

Desempenho de candidatos da Região dos Inconfidentes

Duarte Júnior teve um crescimento de 13,84% em relação ao total de votos obtidos em 2022. Em Mariana foram 11.611 votos, maior votação de um candidato à Câmara Federal no município, sendo 582 a mais do que em 2022. Em Ouro Preto Duarte também foi o mais votado, conseguindo 8.488 votos, 17,5% a mais do que o conseguido na eleição anterior para o mesmo cargo. E, completando a Região dos Inconfidentes, em Itabirito o crescimento foi de 503 votos, totalizando 973 (aumento de 107%), sendo o quarto candidato mais votado.

Em resumo, nos três municípios o ex-prefeito de Mariana conseguiu 2.350 votos a mais, correspondendo a aproximadamente 41,6% de acréscimo.

Reeleito, Leleco Pimentel (PT) foi o candidato à ALMG mais votado em Ouro Preto; 3º em Mariana; e 7º em Itabirito – Foto: Marcelo Santanna/Arquivo ALMG

Outro destaque da Região dos Inconfidentes foi Leleco Pimentel, reeleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, com 59.499 votos, sendo 1.738 em Mariana; 5.673 em Ouro Preto; e 385 em Itabirito.

Por Luiz Loureiro

Notícia 05/10 · 12:40

O mapa das urnas de 2026: A reconfiguração política do Brasil, de Minas e da Região dos Inconfidentes

Em parceria com o MPJ, a Agência Primaz contou com uma página exclusiva com reportagens especiais sobre as eleições.

Em transmissão especial, a Agência Primaz acompanhou a apuração eleitoral minuto a minuto - Foto: Agência Primaz

O primeiro turno das Eleições de 2026 consolidou a profunda polarização política no Brasil e desenhou um novo mapa de forças nos estados e municípios. Em uma cobertura analítica especial em parceria com o MPJ que contou com transmissão ao vivo minuto a minuto da apuração e uma página dedicada aos dados do pleito, a Agência Primaz acompanhou a apuração das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A corrida pela Presidência da República avançou para o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos), e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alcançou 45,16% (53.879.538 votos). A votação decisiva está marcada para o dia 25 de outubro.

Onde os candidatos ganharam e perderam terreno

Em relação ao pleito de 2022, o cenário nacional apresentou movimentações estratégicas nos estados. Há quatro anos, Lula havia liderado em 14 estados, enquanto o campo conservador venceu em 12 estados e no Distrito Federal. Em 2026, Flávio Bolsonaro expandiu o alcance do PL, conquistando a liderança em 14 estados mais o DF, enquanto Lula ficou à frente em 12 estados.

Arte: Lui Pereira/Agência Primaz

Os estados que mudaram de lado

A apuração oficial do TSE apontou três estados que alteraram o alinhamento em relação a 2022:

Minas Gerais: Considerado o tradicional fiel da balança das eleições nacionais, o estado deu vitória a Lula em 2022, mas reverteu a posição em 2026, dando a liderança a Flávio Bolsonaro no 1º turno.

Tocantins: Vencido pelo PT em 2022, migrou para o candidato do PL em 2026.

Amapá: Percorreu o caminho inverso; após dar vitória à direita em 2022, passou a liderança para Lula no pleito deste ano.

Regionalmente, Flávio Bolsonaro demonstrou ampla força nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de avançar pelo interior dos estados. Por sua vez, Lula manteve sua hegemonia histórica no Nordeste, conquistando quase dois terços dos votos válidos da região, além de vitórias expressivas em importantes estados da Amazônia Legal.

Domínio conservador e recorde de definições

A eleição para os governos estaduais registrou um recorde de definições no 1º turno: 20 das 27 unidades federativas resolveram a disputa na primeira votação, ao garantirem mais de 50% dos votos válidos para o vencedor. O fenômeno refletiu a concentração de recursos partidários e o menor número de candidaturas lançadas.

Arte: Lui Pereira/Agência Primaz

O desempenho das legendas nos estados

Partido Liberal (PL): Foi a legenda vitoriosa no 1º turno, elegendo 5 governadores: Sergio Moro no Paraná, Luciano Zucco no Rio Grande do Sul, Jorginho Mello em Santa Catarina, Marcos Rogério em Rondônia e Arthur Henrique em Roraima. O partido ainda disputará o 2º turno em outros dois estados (Rio de Janeiro e Amazonas).

PSD: Garantiu 4 governadores no 1º turno: Dr. Furlan no Amapá, Eduardo Braide no Maranhão, Raquel Lyra em Pernambuco e Fábio Mitidieri em Sergipe.

Republicanos: Conquistou 3 estados de grande peso político e econômico: São Paulo, onde Tarcísio de Freitas se reelegeu com 62,65%; Minas Gerais, com Cleitinho Azevedo vitorioso com 55,40%; e Mato Grosso, com Otaviano Pivetta (60,77%).

Partido dos Trabalhadores (PT): Venceu em 3 governos no Nordeste: Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí — este último registrando a maior votação proporcional para governador no país, com 70,90% dos votos.

Outras legendas: O PP elegeu 2 governadores (Mato Grosso do Sul e Paraíba), enquanto MDB (Goiás com Daniel Vilela), PSDB (Alagoas com JHC) e Podemos (Pará com Dr. Daniel) elegeram 1 cada.

Os sete palcos abertos para o 2º Turno

Apenas sete unidades federativas decidirão seus governadores em 25 de outubro:

  1. Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) x Eduardo Paes (PSD)
  2. Amazonas: Omar Aziz (PSD) x Professora Maria do Carmo (PL)
  3. Distrito Federal: Celina Leão (PP) x Leandro Grass (PT)
  4. Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) x Ricardo Ferraço (MDB)
  5. Rio Grande do Norte: Allyson Bezerra (União) x Cadu de Lula (PT)
  6. Tocantins: Professora Dorinha (União) x Vicentinho Júnior (PSDB)
  7. Acre: Mailza Assis (PP) x Alan Rick (Republicanos)

O fator Minas Gerais e o comportamento da Região dos Inconfidentes

Fiel à sua tradição histórica de espelhar o resultado nacional, Minas Gerais voltou a apontar a liderança do vencedor do 1º turno presidencial. Além da virada de Flávio Bolsonaro no estado, a corrida pelo Palácio Tiradentes foi liquidada na primeira etapa com a vitória do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que obteve 55,40% dos votos válidos (6.321.590 votos), superando o ex-ministro Patrus Ananias (PT), que somou 26,34% (3.006.088 votos).

Quando observamos a Região dos Inconfidentes, a apuração do TSE revela dinâmicas eleitorais heterogêneas entre as cidades vizinhas de Ouro Preto, Mariana e Itabirito, demonstrando como os debates locais e regionais dialogam com o cenário nacional.

Arte: Lui Pereira/Agência Primaz

Ouro Preto: Bastião progressista mantém hegemonia da esquerda

Em Ouro Preto, historicamente marcada pela presença universitária e forte organização de movimentos sociais, Lula (PT) conquistou uma vitória expressiva com 60,91% dos votos válidos (28.636 votos), contra 30,21% de Flávio Bolsonaro (14.200 votos).

Para o Governo de Minas, a cidade também divergiu da média estadual: Patrus Ananias (PT) liderou no município com 43,00% dos votos, enquanto o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) obteve 40,94%, configurando uma disputa local bastante acirrada.

Mariana: Voto cruzado marca a escolha do eleitorado

Em Mariana, o eleitorado adotou um padrão nítido de voto cruzado:

Para Presidente: Lula (PT) venceu com folga, alcançando 58,21% dos votos válidos (21.541 votos), ante 31,78% dados a Flávio Bolsonaro (11.762 votos).

Para Governador: A preferência do marianense alinhou-se com a onda estadual, dando vitória a Cleitinho Azevedo (Republicanos), que liderou na cidade com 45,04% dos votos, superando Patrus Ananias (PT), que ficou com 38,24%.

Itabirito: Alinhamento com a tendência de virada estadual

Itabirito destacou-se na região por apresentar um comportamento eleitoral sintonizado com a virada verificada no somatório geral de Minas Gerais:

Para Presidente: Flávio Bolsonaro (PL) venceu no município com 45,57% dos votos válidos (14.845 votos), superando Lula (PT), que obteve 41,04% (13.370 votos).

Para Governador: Cleitinho Azevedo (Republicanos) teve votação expressiva e consolidada em Itabirito, alcançando 51,68% dos votos válidos, confirmando a preferência local pelo candidato vencedor do pleito estadual.

Perspectivas para o 2º Turno

Com a definição de 20 governadores já no primeiro turno, a atenção das campanhas presidenciais nas próximas três semanas se voltará para a capacidade de mobilização dos líderes estaduais recém-eleitos.

Candidatos vitoriosos em grandes colégios eleitorais — como Tarcísio de Freitas (SP) e Cleitinho Azevedo (MG) no Sudeste, e Sergio Moro (PR) e Jorginho Mello (SC) no Sul — atuarão como principais engrenagens da candidatura de Flávio Bolsonaro para consolidar e ampliar a vantagem obtida no 1º turno.

Por outro lado, a campanha de Lula apostará na força dos governadores reeleitos no Nordeste — como Jerônimo Rodrigues (BA), Elmano de Freitas (CE) e Rafael Fonteles (PI) — e na busca por reverter votos em estados estratégicos do Sudeste e em capitais onde a margem entre os dois candidatos foi estreita.

A três semanas da votação decisiva de 25 de outubro, o país e a Região dos Inconfidentes preparam-se para uma disputa voto a voto, onde cada município pode definir os rumos da Presidência da República.

A cobertura especial em parceria com o MPJ

Esta cobertura analítica das Eleições 2026 foi realizada em uma ação conjunta com o MPJ, que desenvolveu uma landing page especial dedicada ao acompanhamento em tempo real e à visualização detalhada de dados do pleito. Durante o domingo de votação, nossa equipe esteve no ar em uma transmissão ao vivo, analisando a apuração das urnas do TSE minuto a minuto, comentando os números nacionais, estaduais e os impactos diretos na Região dos Inconfidentes.

Quer conferir o mapa de apuração detalhado por zona eleitoral, rever os melhores momentos da nossa transmissão ao vivo e explorar gráficos dinâmicos do 1º turno? Clique aqui para acessar a nossa Página Especial das Eleições 2026 e interaja com os resultados da sua cidade e do país!

Por Lui Pereira

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