Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Atingidos pela barragem de Fundão fazem balanço dos 8 anos do rompimento

Coletiva de imprensa com os membros da CABF mostra a luta das comunidades por reparação integral nesses oito anos desde o crime ambiental.

Atingidos pela barragem de Fundão fazem balanço dos 8 anos do rompimento

A mesa da coletiva de imprensa foi composta por cinco representantes de localidades atingidas - Foto: Amanda de Paula Almeida/Agência Primaz

Como estão os atingidos 8 anos depois?

Da esquerda para direita: Maria do Carmo, Marino D´Ângelo, Anderson Jesus de Paula, Luzia Queiroz e Manoel Marcos Muniz - Foto: Matheus Camargos/ Agência Primaz

No dia 5 de novembro de 2015 aconteceu o que é considerado o maior crime socioambiental do Brasil. O rompimento da Barragem de Fundão alterou a fauna, flora e a vida de centenas de milhares de pessoas. No balanço apresentado pelos membros da CABF, Anderson Jesus de Paula, Luzia Queiroz, Maria do Carmo, Marino D’Ângelo e Manuel Marcos Muniz, destacam-se a frustração e as incertezas quanto ao futuro, além das injustiças, falta de penalização judicial e descaso com os modos de vida que as comunidades levavam anteriormente, que não são consideradas nas construções dos reassentamentos.

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Os membros da Comissão foram questionados sobre a necessidade de recorrer a uma ação coletiva em Londres para tentar uma indenização, sob a responsabilidade da Pogust Goodhead, especializada em causas coletivas relacionadas a direitos humanos e ambientais que representa mais de 700 mil reclamantes. “Na realidade, eu cheguei a acreditar na justiça do nosso país. Eu tinha muita esperança que a nossa Justiça fosse justa, mas ao longo desses anos eu vi que a gente morre e não recebe, não tem a reparação devida, porque cabe muito recurso. (…) A ação de Londres, acho que ela veio para lavar minha alma, eu busquei conhecimento sobre a justiça em Londres e é a justiça que funciona, pode ter seus defeitos, pode ter lados negativos. Mas, a partir do momento que der uma decisão lá em Londres, ‘tá’ prevista para outubro do ano que vem, tem que ser cumprida”, afirmou Marino D´Ângelo, acrescentando que a perspectiva de uma data certa vai “me libertar dessa loucura que por ironia do destino eu fui envolvido”.

Luzia Queiroz também expôs as condições que viveu nos últimos oito anos e as expectativas para o futuro: “Hoje eu não posso mais voltar a vida que eu tinha, não tem tempo. Eu não tenho tempo, estão me devolvendo uma estrutura lá [no reassentamento de Paracatu] que eu não vou conseguir fazer o que eu fazia. Então, eu não sei o que que eu vou fazer da minha vida. Eu não sei como vou caminhar. A única coisa que eu tenho certeza é que eu tenho a minha família e meus amigos que sobraram. Hoje a gente fala que a gente tem irmãos na luta, os meus verdadeiros irmãos são esses que estão na luta”.

Luzia Queiroz representou a comunidade Paracatu de Baixo na coletiva - Foto: Amanda de Paula Almeida/Agência Primaz

Fim do contrato com a Assessoria Técnica Independente

A Cáritas foi a primeira Assessoria Técnica Independente (ATI) em Mariana, atuando desde 2016 com a função de assegurar a simetria técnica aos atingidos pela Barragem de Fundão, contando com uma rede de profissionais capacitados que fazem a leitura dos argumentos da Fundação Renova, promovendo orientação aos atingidos.

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No primeiro acordo com a Renova, a Cáritas atuaria até 2019. Após essa data, foi feita uma nova negociação que ampliou o contrato até 2024 com repasse anual. Entretanto, em 2022, a Renova se recusou a repassar os recursos financeiros e, desde então, os processos passaram a ser analisados em audiências de conciliação e depois passaram para a esfera federal da Justiça, que concluiu que o acordo deveria ser feito somente entre as partes, Renova e ATI. “Quando era em Mariana, a Assessoria Técnica ‘tava’ garantida, depois que foi para a vara federal… a gente sabe né, gente? A Assessoria Técnica é uma coisa cara, a Assessoria Técnica, deixa a reparação muito mais cara, porque defende e garante os direitos atingidos e o que ‘tá’ por trás disso é o poder que as empresas têm, né? O governo de Minas ‘tá’ aí muito próximo das empresas mineradoras. E é isso que ‘tá’ por trás disso tudo, né?”, afirma Rodrigo Pires Vieira, Assessor Técnico da Cáritas e coordenador do Projeto Assessoria Técnica Independente aos atingidos pelo crime da Vale, Samarco e BHP em Mariana.

Campanha “Mariana 8 anos: A reparação na balança das Geraes”

A campanha está sendo organizada pela CABF em conjunto com a Cáritas - Foto: Amanda de Paula Almeida/Agência Primaz

De 1º a 9 de novembro estão sendo realizados momentos de escuta, diálogo e reflexão sobre os 8 anos do rompimento da Barragem de Fundão, com a seguinte programação:

5/11 – Domingo

9h – Missa em Bento Rodrigues de Origem e exibição do curta “Loucos por Bento”

Local: Ruínas da Igreja de São Bento

14h – Missa em Paracatu de Baixo e exibição dos curtas “Folia do Seu Zezinho” e “Leite Derramado”

Local: Igreja de Santo Antônio (Paracatu)

6/11 – Segunda-feira

18h – Exibição do curta “Para que nunca se esqueça” e roda de conversa com a Comissão dos Atingidos pela Barragem de Fundão

Local: Casa de Cultura de Mariana

7/11 – Terça-Feira

18 – Exibição do curta “Garimpo” no 5º Encontro Regional por um Novo Modelo de Mineral e 5º Jornada Universitária de Debate na Mineração

Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA)

09/11 – Quinta-Feira

18h – Exibição dos curtas “Quitanda” e “Ouvires”

Local: Feira Noturna de Mariana

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