Mariana (MG), 14 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Audiência Pública discute situação da Vila São Vicente

Moradores das margens da BR-356 correm risco de despejo e desapropriação

Audiência Pública discute situação da Vila São Vicente

A audiência pública foi realizada na Escola Municipal de Passagem de Mariana – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Histórico da Vila São Vicente

Criada pelo prefeito João Ramos, nos anos 1980, a Vila São Vicente foi implantada em terrenos desapropriados e doados pelo Poder Público, com regularização através de minuta ou escritura concedida em um dos governos de Celso Cota. Embora instalada em terrenos não pertencentes à faixa não edificável da rodovia, com o passar dos anos houve um progressivo avanço por esta área, com a expansão dos lotes fronteiriços, porém sem qualquer contestação por parte dos órgãos federais responsáveis.

Recentemente, inclusive a partir do lançamento da ideia de duplicação da rodovia, o assunto voltou a ser debatido, tendo ocorrido manifestações do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) para dar fim ao uso da área não edificável.

Vila São Vicente duplamente ameaçada

Camiseta do movimento dos moradores ressalta a antiguidade da existência da Vila São Vicente – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

A audiência pública realizada na quinta-feira (20) da semana passada teve grande participação popular, atraindo inclusive deputados federais e estaduais, além de vereadores, atendendo ao requerimento de Ronaldo Bento (PSDB) e José Sales (PDT).

De acordo com Rinaldo Mello, presidente da Associação de Moradores de Passagem de Mariana, os moradores da Vila São Vicente pagam IPTU regularmente e não podem ser penalizados agora, tanto tempo depois da implantação do bairro. Além disso, ressalta que a questão da duplicação é mais um motivo de intranquilidade, uma vez que não há um projeto definido. “Em relação à duplicação, o pessoal ficou muito receoso, porque, se não existe um projeto, existe uma demarcação, um traçado. E nesse traçado, a Vila São Vicente toda vai ser impactada. Não só ela, mas a Rua do Hospital também vai ser impactada. E esse é o receio dos moradores. Ninguém aqui é contra a duplicação, mas queremos que ela seja feita com responsabilidade”, afirmou Rinaldo, defendendo o fim da tentativa de retirada dos moradores da margem da rodovia e a implantação da duplicação utilizando a atual margem oposta da BR-356.

Repetindo sua atuação na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a moradora Raquel Aparecida de Souza Cruz ressaltou a legalidade da implantação da Vila são Vicente e pediu uma ação concreta dos poderes Executivo e Legislativo de Mariana. “Nossa vontade hoje é que alguém chegue e nos diga que está tudo certo, que vão realmente resolver o nosso problema com quem de direito. Porque eu sozinha, como moradora, eu não consigo fazer isso. Nós reunidos aqui temos uma grande força, mas ainda assim não somos capazes, porque é algo que não depende somente de falar, depende de fazer”, argumentou.

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Legalização da área não edificável da Vila São Vicente

Ronaldo Bento e José Sales (à direita) foram os autores do requerimento de realização da audiência pública – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

A audiência foi marcada por diversas manifestações de repúdio à tentativa de retirada de moradores da Vila São Vicente pelo Dnit, bem como de apoio à duplicação da BR-356 utilizando os terrenos situados na margem oposta da ferrovia.

No plano imediato, a solução apontada como mais viável foi anunciada pelo vereador Ronaldo Bento, com o apoio dos demais vereadores presentes, apresentando à Câmara Municipal um projeto de lei reduzindo a faixa não edificável da rodovia no local. “A lei federal permite que a faixa não edificável, de 15 metros, seja reduzida para até cinco metros por meio de legislação municipal. Estou solicitando que esse projeto seja votado amanhã [sexta-feira,21] para minimizar os impactos sobre os moradores e nos dar tempo para discutir soluções com o Dnit”, explicou o parlamentar, evitando que moradores sejam removidos do local.

Devido à discussão do projeto de lei de reajuste dos funcionários públicos, com manifestação dos servidores, não aconteceu a apresentação e deliberação sobre a proposta de modificação da faixa não edificável na reunião extraordinária realizada pela Câmara Municipal na sexta-feira (21). A Agência Primaz apurou que a proposição deve ser lida na reunião ordinária desta segunda-feira (24), mas o assunto não consta da prévia da pauta da sessão.

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