Brasil avança no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano

O país subiu da 89ª para a 84ª posição, com um índice de desenvolvimento considerado alto entre as 193 nações avaliadas

Atualizado em 06/05/2025 às 15:05, por Maria Eduarda Marques.

Indicadores como renda e acesso a serviços nas áreas urbanas influenciam o desempenho do Brasil no IDH - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) divulgou nesta, terça-feira (06), a edição atualizada do relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que teve como tema a inteligência artificial. O documento mede o desempenho médio e progresso dos 193 países, com base em informações de 2023, em três dimensões do desenvolvimento humano, como expectativa de vida, acesso à educação e renda per capita. O Brasil subiu cinco posições no ranking global, com um IDH de 0,786 (em uma escala que vai de 0 a 1), considerado de alto desenvolvimento.

Brasil no ranking do IDH

Em 2022, o Brasil estava na 89ª colocação, subindo cinco posições e ficando acima da média global de IDH (0,739) no último relatório atualizado.

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Segundo o documento, a melhoria se deve principalmente ao aumento da renda nacional bruta per capita e à recuperação nos indicadores de saúde, uma vez que a expectativa de vida voltou a crescer após os impactos da pandemia de Covid-19.

Apesar do avanço na área de saúde, o desempenho na educação continua estagnado, com tempo médio de estudo abaixo da média dos países com IDH alto.Além disso, o relatório também alerta para as desigualdades internas no país, uma vez que o IDH municipal, por exemplo, varia entre regiões e evidencia disparidades de acesso à saúde, educação e renda.

Em relação a outros países da América Latina, o Brasil (IDH 0,786) ocupa uma posição intermediária, atrás do Chile (IDH 0,855), Argentina (0,849) e Uruguai (0,809). Entretanto, está à frente de países como Paraguai (IDH 0,728), Bolívia (IDH 0,693) e Venezuela (IDH 0,691).

Outros dados importantes

O relatório da ONU também apresenta um ajuste do IDH levando em consideração o aspecto da desigualdade social. Nesse caso, o IDH do Brasil é ajustado para 0,594, caindo para 105ª posição global e para a categoria de IDH médio.

No caso da comparação entre gêneros, o IDH das mulheres (0,785) é um pouco melhor do que o dos homens (0,783) no país. As mulheres brasileiras têm indicadores melhores de expectativa de vida e de escolaridade, mas perdem no PIBper capita.

Já em relação ao IDH ajustado pela pegada de carbono de cada país, o Brasil apresenta IDH de 0,702, mas se posiciona melhor no ranking mundial, na 77ª posição.A pegada de carbono é a quantidade total de gases de efeito estufa emitidos. Neste sentido, o valor repassado em subsídios à produção de petróleo e gás natural, que agravam as mudanças climáticas,cresceu 15%entre 2022 e 2023.

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado pela ONU a fim de enfatizar que o desenvolvimento de um país não deveria ser medido apenas pelo crescimento econômico, sendo necessário que as pessoas e suas capacidades sejam o critério final da avaliação.A partir disso, a medida analisa três dimensões-chave do desenvolvimento humano, como a vida longa e saudável, o conhecimento e um padrão de vida decente.

A dimensãosaúdeé avaliada pela expectativa de vida ao nascer e a dimensãoeducaçãoé medida pela média de anos de escolaridade para adultos com 25 anos ou mais e pela expectativa de anos de escolaridade para crianças em idade de ingresso na escola. Por fim, a dimensãopadrão de vidaé medida pela renda nacional bruta per capita.

Estudantes protestam por melhores condições de saúde e educação, demandas que impactam diretamente o IDH - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud), os países com pontuação de 0,700 a 0,799 são considerados de alto desenvolvimento humano. Já as nações de desenvolvimento médio estão entre 0,550 e 0,699, enquanto aquelas com desenvolvimento baixo têm índice inferior a 0,550.

Os três primeiros colocados no ranking de IDH são europeus, como a Islândia (0,972), a Noruega e a Suíça (0,970). Embora tenha melhorado no ranking, o Brasil ainda está distante destes países com IDH muito alto.

Vale mencionar que o relatório deste ano questiona quais escolhas podem ser feitas para que apareçam novos caminhos de desenvolvimento para todos os países, ajudando todos a terem a chance de prosperar em um mundo com inteligência artificial.

Com informações da Agência Brasil e G1.


Maria Eduarda Marques

Natural de João Monlevade (MG), é graduanda do curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, com interesse em pautas culturais e fotojornalismo. Atuou como estagiária da Agência Primaz entre março e agosto de 2025.