A Câmara Municipal de Mariana aprovou, por unanimidade, o Requerimento nº 132/2026 durante a 30ª Reunião Ordinária, realizada na segunda-feira (21). De autoria do vereador Ronaldo Alves Bento, o documento solicita que Vale, Samarco, Cedro Mineração, Mineração do Cal, Roca Mineração e MG Mineração apresentem informações sobre o planejamento das empresas diante da previsão de contratação de aproximadamente 5 mil novos trabalhadores.
O requerimento não estabelece um prazo específico para que as empresas apresentem as informações. A proposta solicita a realização de uma reunião conjunta entre representantes das mineradoras, a Câmara Municipal e o Poder Executivo, em data e horário que ainda serão definidos. O objetivo é discutir a existência de programas, projetos, termos de compromisso ou outras iniciativas de contrapartida social relacionadas à expansão das atividades e ao possível aumento da população residente e flutuante do município.
Entre os questionamentos apresentados estão a existência de estudos ou projeções sobre os impactos do crescimento populacional nos serviços públicos e a previsão de investimentos nas áreas de saúde, educação, assistência social, habitação, mobilidade, infraestrutura urbana e segurança pública. O documento também pede informações sobre valores, investimentos e cronogramas previstos pelas empresas.
Impacto sobre a cidade
Durante a discussão, Ronaldo Bento afirmou que a preocupação central é evitar que o aumento do número de trabalhadores ocorra sem planejamento proporcional para a estrutura municipal. Segundo o vereador, a chegada desse contingente pode pressionar serviços públicos e o mercado habitacional.
Que possamos ter um plano de enfrentamento para receber esses 5 mil homens aqui em Mariana e que possamos ter uma contrapartida, mas de fato verdadeira por parte das mineradoras, não só coisas fictícias que vêm, enchem o nosso sistema e depois vão embora e nós ficamos com a mazela.
O parlamentar também mencionou a possibilidade de aumento dos preços dos imóveis e dos aluguéis diante da maior procura por moradia. Durante a sessão, afirmou que um aluguel atualmente na faixa de R$ 1.200 poderia chegar a R$ 3 mil ou R$ 3,5 mil em um cenário de forte pressão sobre o mercado imobiliário. Trata-se, contudo, de uma projeção apresentada pelo vereador durante o debate, e não de uma estimativa técnica apresentada no requerimento.
Vereadores questionam alojamentos e infraestrutura
O vereador Ítalo Henrique, conhecido como Ítalo de Majelinha, citou durante a discussão uma estimativa apresentada anteriormente na Câmara de até 15 mil colaboradores diretos e indiretos relacionados à expansão das atividades, número superior aos aproximadamente 5 mil novos trabalhadores mencionados no texto do Requerimento nº 132/2026. O requerimento aprovado, entretanto, utiliza como referência a previsão de contratação de cerca de 5 mil trabalhadores.
Ítalo também defendeu que os alojamentos destinados aos trabalhadores sejam instalados próximos às áreas de mineração e fora do perímetro urbano. “Por que que não faz um alojamento lá próximo da mineração? Tem outras cidades que já acontece dessa forma, por que que tem que vir para dentro de Mariana?”, questionou o vereador.
Outro ponto levantado pelo vereador foi o trânsito de veículos pesados. Segundo ele, a circulação e o estacionamento de caminhões ligados à mineração já provocam transtornos em bairros do município, e a fiscalização das normas municipais deveria ser reforçada.
Fernando Sampaio de Castro também relacionou o aumento da ocupação das moradias à capacidade da infraestrutura urbana. Segundo o vereador, imóveis originalmente destinados a famílias menores estariam sendo utilizados para acomodar um número muito maior de trabalhadores.
Um prédio ou uma casa que seria por exemplo para botar uma família aí com seis pessoas, passa a ter 50 pessoas morando na casa... começa a ter problema ... porque a rede de esgoto nossa não comporta tudo, começa a falta de água.
O parlamentar citou ainda o município de Conceição do Mato Dentro como referência de empreendimento que teria adotado estruturas próprias de moradia para trabalhadores. A sugestão apresentada foi de que Mariana estabeleça mecanismos capazes de evitar que os impactos decorrentes da contratação sejam transferidos diretamente para a infraestrutura municipal.
Câmara cobra participação nas decisões
A discussão também envolveu o papel do Poder Público no planejamento da expansão minerária. Durante a reunião, foi discutida a necessidade de uma análise eficaz e minuciosa dos impactos sociais nos processos de licenciamento devido aos possíveis efeitos que podem permanecer no município após o período de expansão.
O problema é o após... após a expansão não tem mais arrecadação de INSS pro município, a arrecadação cai e a população tá aí avulsa, sem lugar, sem moradia, com saúde alta, com assistência social alta.
O vereador Marcelo Macedo defendeu uma participação mais efetiva do Legislativo nas discussões envolvendo as condicionantes e os acordos com as mineradoras. Segundo ele, a Câmara deve estar presente no processo de planejamento junto ao Executivo. “A Câmara precisa participar", ressaltou.
Próximos passos
A aprovação do Requerimento nº 132/2026 representa, neste momento, uma solicitação formal de informações e diálogo com as empresas. O texto aprovado não determina valores de investimentos nem estabelece quais contrapartidas deverão ser executadas. A proposta busca obter das mineradoras informações sobre planejamentos já existentes e abrir uma discussão conjunta com o município sobre medidas preventivas.
Também não há uma resposta formal das empresas ao requerimento após a votação. Durante a sessão, porém, Ítalo de Majelinha relatou que, em uma audiência anterior, representantes das mineradoras teriam concentrado suas respostas na estrutura dos alojamentos privados, sem apresentar, segundo o vereador, respostas conclusivas sobre os impactos mais amplos na cidade.
Com a aprovação por unanimidade, a próxima etapa prevista no próprio requerimento é a articulação de uma reunião entre as empresas, a Câmara e o Executivo. A partir desse encontro, deverão ser discutidas as informações solicitadas e eventuais medidas de planejamento e contrapartida para acompanhar o crescimento das atividades mineradoras e seus possíveis efeitos sobre Mariana.





