Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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“Dia do Fela” celebra memória de importante artista e ativista do movimento negro

Nesse sábado (15), o Sagarana Café-Teatro foi palco do “Dia do Fela”, homenagem ao músico e ativista Fela Kuti. Realizado por um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) chamado Áfricas em trânsito, o evento contou com diversas atrações ligadas à cultura afro na música, como o Bateria Carabina, grupo de percussão feminino de Ouro Preto; o Bença Valentim, e o “Movimento TT1”, ambos de Mariana. Contando também com intervenções artísticas da poesia à música, o evento resgatou a memória de Fela Kuti e abriu caminho para novos rumos do debate acerca do movimento negro na Universidade e na cidade.

Evento marcou comemoração que acontece em várias partes do mundo e discute o legado de Fela Kuti, criador do afrobeat e ativista indispensável na história da luta antirracista

O Bença Valentim é um grupo de resgate da cultura afro-brasileira em Mariana e região – Foto: Raymara Santos

Paula Stockler, integrante do Bateria Carabina explica que o grupo tem “composição diversa, que se inspira e se insere na luta racial”, com formação recente, “incentivada e apoiada pelo sindicato ASSUFOP, com apoio também da ADUFOP. Já fizemos algumas apresentações em Ouro Preto, mas em Mariana foi a primeira vez. Estrear no Fela Day foi muito forte e uniu ainda mais o grupo”. Ela ainda ressalta a importância de carregar “um nome de peso como o da Efigênia Carabina, mulher que representou e ainda representa a negritude ouropretana. A união entre mulheres é revolucionária, assim como Fela Kuti era revolucionário, com toda a ancestralidade do seu som”.

O grupo de percussão Bença Valentim se apresentou logo após e trouxe o resgate da musicalidade presente nas quatro gerações da família Valentim, de Mariana. “Para o grupo de percussão Bença Valentim é muito importante a referência do ativista Fela Kuti. Em termos de memória e pertencimento, há toda uma reverberação que se entrelaça no aspecto ancestral da identidade afro. Sendo assim, poder reverenciar Fela Kuti neste evento é poder trazer à cena o espírito dos nossos ancestrais”, afirmam Weverton Henrique, Anna Stoppani e Helder da Paixão, integrantes do gruipo.

Com inspirações de tradições afro-brasileiras como o Olodum na Bahia, em Pernambuco o Coco e o Maracatu, entre outros, o grupo ocupou o espaço do Sagarana com muita música e memória.

O projeto “Áfricas em Trânsito: diálogos mediados pelas linguagens da literatura, do cinema e da música africanos”, promove ações na Escola Estadual João Ramos Filho, no bairro Cabanas.

“Temos levado para lá, desde agosto do ano passado, oficinas e outras intervenções, em que usamos o nosso material, até agora mais restrito à literatura e à música africanas, para tentar estabelecer diálogos com a juventude” ressalta Bernardo Amorim, professor do Departamento de Letras da UFOP e coordenador do projeto.

Com o objetivo de convidar os artistas locais que, dentro da sua expressão, exaltam a cultura afro, Bernardo ressalta que o evento “é importante porque representa a celebração, não só da música e da ação de resistência do Fela, mas da cultura negra. Gostamos de pensar também que estamos promovendo uma ação antirracista, contribuindo com os movimentos negros de Mariana e da região nesta luta que deveria ser de todas e de todos nós”.

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Fela Kuti

O músico e ativista do movimento negro, Fela Anikulapo Ransome Kuti, nasceu na Nigéria, em 1938, em uma família que estava ligada aos movimentos sociais e políticos do país. Ao estudar música em Londres em uma universidade da capital inglesa, cria o afrobeat reunindo elementos do jazz, do rock psicodélico e do Highlife, ritmo da África Ocidental.

Em contato, nos Estados Unidos, com membros do movimento negro Black Power, mistura ao afrobeat letras explosivas sobre a questão racial na África e no mundo. Embaixador do afrobeat, Fela Kuti – falecido em 02 de agosto de 1997 – construiu uma discografia pautada em combater o preconceito e a estrutura racial por onde passava, com discursos engajados sobre o cotidiano da Nigéria e em ligação com a condição das pessoas negras por todos os lugares.

Todo dia 15 de outubro é comemorado o “Fela Day” (Dia do Fela, em português), em memória de seu aniversário de nascimento e de tudo o que ele representou para o movimento negro.

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