Mariana (MG), 19 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/ceae519285700073daef64a453096edf.webp

Dias Perfeitos: uma ode à rotina bem aproveitada e sem metas

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”

Ouça o áudio de "Dias Perfeitos: uma ode à rotina bem aproveitada e sem metas", do colunista Kael Ladislau:

Quem assiste a Dias Perfeitos sem tomar o cuidado de colocar o filme em seu devido lugar poderá chamá-lo de tedioso, chato. Mas, com alguma boa vontade, é preciso reconhecer o seu poder em transformar a rotina como algo proveitoso e bom.

Não dá para julgar o espectador que chama Dias Perfeitos de chato, no entanto. Nós, neste momento, passamos por uma época de vídeos acelerados, pílulas de produtividade, lista de prioridades, metas a serem atingidas.

É tudo muito imediato e rápido. Cada minuto importa para uma meta a ser batida.

O protagonista do filme passa por momentos que até podemos julgar assim. Afinal, com seu carro ele percorre Tóquio e precisa manter os banheiros limpos, com o máximo de perfeição.

Além de acompanhar sua jornada que aparece, sim, exaustiva e não muito longe do que qualquer outro trabalhador ao longo do mundo, nós conseguimos ver um pouco além da vida de Hirayama.

Ele gosta de ler, aprecia músicas – o filme tem uma bela trilha sonora, diga-se – fotografa árvores enquanto almoça, toma banho em banheiros privados na cidade.

O filme faz esse registro e tudo parece muito cronometrado. Em determinado momento, podemos dizer exatamente o que o protagonista fará em seguida. E acertar.

Dias Perfeitos não é aquele filme que possa surpreender pela dinâmica de suas ações, mas por mostrar como podemos nos satisfazer com o que possuímos de mais valor: nosso tempo, nossa rotina.

Existe um trecho de uma canção da banda brasileira O Terno chamada Tudo Que eu Não Fiz em que Tim Bernardes, o vocalista, canta: “eu quero me sentir exatamente onde estou”.

É um trecho que me fez pensar muito em Dias Perfeitos: será que essa ânsia pelo futuro, por bater metas, por querer ser melhor amanhã me faz não aproveitar o agora?

É claro que todo mundo tem e deve melhorar de vida. Mas será que não é um pouco desrespeitoso com o nosso passado não aproveitar o agora?

Dias Perfeitos mostra uma pessoa que limpa banheiros públicos, que tem questões familiares a resolver, que dorme em um colchão em um cômodo que é sua casa.

Não é o que convencionalmente se poderia chamar de melhores condições de vidas.

Mas, por que não?

Wenders mostra Hirayama completamente satisfeito com o que faz e com o que vive. Sua rotina é satisfatória e a cada página de livro que lê, cada foto que tira de uma árvore é como se houvesse uma meta batida.

A chegada de uma sobrinha a sua casa parece interromper esse fluxo de acontecimentos completamente bem regrado, ou mesmo o amigo de trabalho um pouco estúpido parece convergir contra esse dia perfeito de Hirayama.

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1784496597&who=345

Mas o que fica, na verdade, é a apreciação do nosso tempo presente. É que a simplicidade pode ter a complexidade de satisfação que todos nós, tanto no passado quanto no presente, buscamos.

Dias Perfeitos está disponível na Mubi e pode ser alugado via Amazon. E deve ser apreciado aos poucos, como qualquer coisa que você tem ao seu lado.

Compartilhar

Leia também

Mariana recebe espetáculo que conta passagem do Living Theatre por Minas na ditadura Teatro

Mariana recebe espetáculo que conta passagem do Living Theatre por Minas na ditadura

Ouro Preto recebe a 6º edição do MARTE - Festival Festivais

Ouro Preto recebe a 6º edição do MARTE - Festival

Mariana: 330 anos de história da primeira capital de Minas Gerais Cidades

Mariana: 330 anos de história da primeira capital de Minas Gerais

Publicidade
/apidata/imgcache/344ad284c9449987f546068863030cfc.jpeg?banner=middle&when=1784496597&who=345