Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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E se não existisse a morte?…

“A vida só tem sentido se a morte também o tiver.” (Carl Gustav Jung)

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”

Ouça o áudio de "E se não existisse a morte?..., do colunista Júlio Vasconcelos:

Independentemente dessas crenças, surge no ar uma outra pergunta curiosa, que também não quer se calar: E se não existisse a morte no plano terreno? O que aconteceria? Já pensaram sobre isso? Vale a pena refletir!

Além dos impactos nas diversas religiões, na medicina e suas especialidades, nas indústrias farmacêuticas e armamentistas, no sistema previdenciário que provavelmente despareceriam, dos impactos gerados com a superpopulação mundial, sem alimentos, recursos e espaço para todos, surgiriam também os impactos psicológicos na mente do ser humano, que poderiam ser ainda mais desastrosos.

Para Sigmund Freud, considerado o Pai da Psicanálise, a consciência da morte é central para a formação do desejo e da motivação do ser humano. A vida é limitada e isso nos impulsiona a desejar, criar, amar, lutar. Sem a morte, o desejo poderia se tornar vazio, pois o tempo deixaria de ter urgência. O que desejamos tem valor justamente porque não dura para sempre.

A angústia existencial poderia explodir! Freud dizia que a angústia de morte é um dos núcleos da psique. Se a morte desaparecesse, o sujeito possivelmente ficaria desorientado, sem motivos para continuar vivendo. A ausência da morte poderia gerar uma nova forma poderosa de angústia, com o peso de existir para sempre.

Freud, em seus estudos, propôs a existência de uma pulsão de morte (Tânatos) que funciona como um limite simbólico e é o que dá sentido à nossa vida. Sem morte, não há limites e se nada terminasse, nada teria começo claro e nem um sentido definido. As relações humanas, identidades, memórias, tudo poderia se diluir num eterno presente. Se a morte real fosse suprimida, a pulsão de morte possivelmente se voltaria para formas mais simbólicas ou destrutivas, tais como a autossabotagem, a violência, o vazio e a repetição sem sentido. A vida eterna terrena, portanto, não eliminaria o conflito psíquico, apenas o deslocaria para instâncias ainda mais danosas para a mente humana. Surgiria a “Síndrome de Tempo Infinito”, com a sensação de aprisionamento, condenados a uma existência sem limites em um planeta super habitado, sem espaço e recurso para todos!

Diante das múltiplas reflexões, quer sejam de caráter geopolítico, ambiental, filosófico, espiritual ou psicanalítico, talvez possamos concluir que, apesar de nosso medo e da nossa angústia diante da morte, ela revela-se não como um castigo, mas como uma condição essencial da nossa existência. É justamente por ser finita que a vida adquire valor, urgência e profundidade. Se tudo fosse eterno, o desejo perderia seu ritmo, os afetos se diluiriam na repetição e a própria identidade humana se desfiguraria. A morte, paradoxalmente, é o que dá forma à vida: ela a delimita, orienta escolhas e sustenta o sentido do tempo. Aceitar sua presença não é ceder ao pessimismo, mas reconhecer que, em sua essência, a morte é uma necessidade benéfica, um ciclo natural que permite o renascimento, a transformação e o constante movimento da experiência humana.

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Como dizia o grande poeta Mário Quintana em uma das famosas frases atribuídas a ele: “Um dia eu me acabo e pronto! A morte! Que venha a morte! Eu tenho medo é de perder a vida!”. O pior é que tem muita gente por aí que já perdeu a vida!…

Quem tem ouvidos, que ouça!

Se você quiser se aprofundar no assunto, é só fazer contato: Júlio César Vasconcelos – Psicanalista Integrativo (31)99345-0515.

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