Encerramento da 20ª CineOP tem premiação e Chaplin
A 20ª edição exibiu 143 filmes, lançou mostra competitiva e destacou o papel da memória no audiovisual brasileiro
A documentarista com estudos em Geografia, Antropologia e Cinema, Ana Rieper foi a primeira vencedora da da Mostra Competitiva Contemporânea do CineOP - Foto: Larissa Antunes/Agência Primaz
A Cineop exibiu 143 filmes de seis países e 17 estados brasileiros em pré-estreias mundiais e nacionais em diversas mostras temáticas. A programação foi inteiramente gratuita e contou com 30 longas, 1 média e 115 curtas-metragens, produzidos em 10 estados brasileiros (MG, RJ, SP, PE, CE, ES, BA, AM, PR, RN) e 5 países (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Estados Unidos).
As exibições foram organizadas em 12 mostras: Histórica, Competitiva, Contemporânea Longas, Contemporânea Curtas, Educação, Valores, TV UFOP, Preservação, Mostrinha, Cine-Escola, Cine Concerto e Itaú Cultural Play.
Os filmes foram projetados no Cine-Praça, na Praça Tiradentes, no Cine-Teatro, no Centro de Convenções, e no Cine-Museu, no Anexo do Museu da Inconfidência. Durante o festival, foram realizados seminários, debates, rodas de conversa e lançamentos de livros, atividades artísticas, exposições, apresentações musicais e festa junina. Além de uma série de atividades dos Encontros da Educação e dos Encontros de Arquivos, com o tema central “Preservação: a Alma do Cinema Brasileiro”.
Primeira Mostra Competitiva Contemporânea
Lançada nesta edição, a mostra competitiva reuniu cinco longas-metragens que utilizam imagens de arquivo como base para a construção de novas narrativas audiovisuais. As obras reafirmam o papel da montagem, da curadoria e da memória na criação cinematográfica contemporânea.
Os filmes selecionados foram: “Itatira”, de André Luís Garcia, sobre fenômenos culturais e sobrenaturais; “Ruminantes”, documentário de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; “Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky”, de Jorge Bodanzky e Liliane Maia; “Paraíso”, documentário de Ana Rieper; e “Meu Pai e Eu”, documentário de Thiago Moulin, uma investigação íntima sobre relações familiares.
O júri oficial, composto por Alex Calheiros, diretor do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, Minas Gerais, Marcus Mello, programador e editor da revista Teorema, Rio Grande do Sul e Sheila Schvarzman (Universidade Anhembi Morumbi), escolheu o documentário “Paraíso”, de Ana Rieper, como vencedor do Troféu Vila Rica.
Paraíso propõe uma reflexão sobre as heranças da condição colonial brasileira na vida cotidiana. Com uma narrativa construída a partir de músicas populares e do uso de imagens de arquivo de diversas origens, o filme percorre as relações históricas forjadas pela posse de terras e pessoas. A obra forma uma sinfonia visual e sonora que entrelaça violência, resistência, força e afeto.

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Ao receber o prêmio de melhor filme da Mostra Competitiva Contemporânea da 20ª CineOP, Ana Rieper se emocionou e destacou o percurso desafiador da produção.A cineasta agradeceu ao festival por proporcionar um espaço de encontro entre o cinema e os temas do arquivo e da preservação, e prestou homenagem aos profissionais da área: “Que dedicam as suas vidas, suas trajetórias, a sua história, para que a gente possa se encontrar com a nossa história através desses arquivos”, destacou.
Rieper também reconheceu o trabalho coletivo da equipe e exaltou a importância dos arquivos públicos brasileiros, como o Arquivo Nacional, CTAV, Lupa e a Cinemateca Brasileira, que foram fundamentais para a realização do filme: “Graças a esses arquivos públicos brasileiros, que existem e e que trabalham para que a gente possa se encontrar com a nossa memória, possa se entender, possa saber quem a gente é, em qual mundo que a gente quer viver”, comemourou a cineasta.
Durante o evento, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, relembrou as duas novidades anunciadas durante o CineOP: a sala de cinema do Museu da Inconfidência passará a se chamar Joaquim Pedro de Andrade, em homenagem ao cineasta, e a aceleração da recuperação do Cine Vila Rica e o avanço na implantação do curso de cinema na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Encerramento com cine-concerto
A cerimônia foi encerrada com o cine-concerto O Garoto, com música ao vivo executada pelas musicistas Natália Barros, Isabela Alencastro e Jennifer Cunha.A apresentação combinou a trilha original composta por Chaplin com elementos da música brasileira, especialmente o choro, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.
A organização anunciou também a próxima etapa do programa Cinema sem Fronteiras: a 19ª CineBH e o 16º Brasil CineMundi, que acontecerão entre 23 e 28 de setembro, em Belo Horizonte.
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Larissa Antunes
É graduanda em Jornalismo na UFOP e estagiária na Agência Primaz de Comunicação. Possui interesse por jornalismo cultural, radiojornalismo, audiovisual, fotojornalismo, movimentos político-sociais e expressões artístico- culturais.








