Enquanto Brasil bate recorde, Mariana perde 12% dos empregos

Após atingir pico de empregos em setembro de 2024, município registra saldo negativo e queda de 2600 postos formais até junho de 2025

Atualizado em 06/08/2025 às 17:08, por Lui Pereira e Larissa Antunes.

Na contramão do país, Mariana teve uma redução de mais de 10% dos empregos nos últimos 12 meses - Arte: Lui Pereira/Agência Primaz

Brasil bate recorde de vagas formais

No mês de junho, o Brasil chegou ao número de 48.419.937 vagas de empregos formais, o maior número da história. Só em 2025 o país criou 1.2 milhões de vagas formais e todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos.

O maior gerador de postos no ano é o setor de Serviços, acumulando 643.021 vagas de emprego geradas, um crescimento de 2,8%, seguido da Indústria (+2,6%), com 229.858 postos de trabalho. A Construção gerou +159.440 (+5,6%); a Agropecuária, 99.393 (+5,5%); e o Comércio, 90.876 (+0,9%). Minas gerais teve o segundo maior crescimento de vagas em números absolutos, com 149.282 (+3%), atrás de São Paulo que teve um aumento de 349.904 (+2,4%).

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O salário médio real de admissão em junho de 2025 foi de R$2.278,37, com aumento de R$24,48 (+1,09%), em comparação com o valor de maio(R$2.253,89). Já em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de R$28,76 (+1,28%).

 

Mariana na contramão

Dados do Caged, indicam que Mariana vinha em trajetória de crescimento no emprego formal nos últimos cinco anos. O estoque de empregos formais em Janeiro de 2020 (período pré pandemia), era de 16.547 vagas.

O município conseguiu enfrentar a emergência de saúde com uma boa resiliência, registrando uma estabilidade e até um aumento no número de vagas ao longo de 2020, com ligeira queda em 2021, quando no momento de maior desemprego durante a pandemia, em março de 2021, eram 16.852 vagas ocupadas, número superior ao de janeiro de 2020.

Entre 2022 e 2024, a trajetória foi ascendente, com a criação de 4.580 até o auge, em setembro de 2024, quando a trajetória tomou um rumo de queda. A partir de outubro, observa-se uma inversão de tendência, com queda no estoque de empregos formais, com grandes cortes entre outubro e dezembro, e o encerramento de quase 2 mil postos de trabalho.

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Brasil registrou uma alta de 3,4% enquanto Mariana registrou uma queda de 10,6% de empregos nos últimos 12 meses - Arte: Lui Pereira/Agência Primaz

 

Empregos da reparação

Outubro foi o mês em que a repactuação foi assinada, através do Novo Acordo de Mariana. O período coincide com o momento de finalização de boa parte das obras dos assentamentos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, quando ocorre o início de um movimento de queda no estoque de empregos.
A repactuação representa uma nova etapa de compromisso entre o poder público, a sociedade e as mineradoras envolvidas no rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015. Algumas frentes de trabalho emergenciais foram encerradas, como reassentamentos, restauração ambiental e obras de infraestrutura. A demanda por mão de obra no município caiu, o que impactou diretamente o número de admissões e aumentou o volume de desligamentos no período.
Em junho de 2025, o total de trabalhadores com carteira assinada era de 19.186, representando uma redução de 2.259 vagas em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A variação relativa acumulada nos últimos 12 meses foi de -10,53%, agora resta saber quando a tendência de queda será revertida com mais criação de empregos em Mariana.


Lui Pereira

É jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.