Entrevista Primaz - João Avelar e Vitor Mussa - Samba do Marília

Grupo relembra origens no Largo do Marília, destaca raízes do samba em Ouro Preto e projeta novos lançamentos autorais

Atualizado em 02/04/2026 às 14:04, por Larissa Antunes.

Na imagem é possível ver João Avelar e Vitor Mussa, integrantes do grupo Samba do Marília, sendo entrevistados nos estúdios da Agência Primaz.

Os artistas João Avelar e Vitor Mussa, do grupo Samba do Marília, conversaram com Larissa Antunes nos estúdios da Agência Primaz – Foto: Joyce Campolina/Agência Primaz

Na edição desta semana da Entrevista Primaz, recebemos João Avelar e Vítor Mussa, fundadores do grupo Samba do Marília, um dos eventos mais marcantes da cena cultural e noturna de Ouro Preto. Durante a conversa, os artistas compartilharam a trajetória do projeto, desde sua origem espontânea até sua consolidação como uma roda de samba que mobiliza público e músicos na cidade.

Do improviso à construção coletiva

A ideia do Samba do Marília surgiu durante o Carnaval de 2022, quando João Avelar percebeu o potencial do Largo do Marília como espaço para apresentações musicais. A iniciativa começou de forma simples: voz, violão e uma caixa de som. Rapidamente, o público se aproximou, instrumentos surgiram de forma espontânea e a roda ganhou vida.

O projeto se fortaleceu com a chegada de Vítor Mussa, unindo experiências anteriores dos dois músicos. A partir daí, o grupo passou a se estruturar coletivamente, contando também com o apoio fundamental de parceiros locais.

Apesar do início em 2022, o primeiro evento oficial só aconteceu em outubro de 2024, após um período dedicado à compreensão e cumprimento das exigências burocráticas para realização de eventos em espaço público.

Trajetórias marcadas pelo samba

João Avelar, natural de Juiz de Fora, construiu sua formação musical desde a infância e se aprofundou na música instrumental antes de mergulhar no samba. Sua aproximação com o gênero veio por meio de pesquisas e referências, como o sambista Catone, compositor da Portela com origem em Ouro Preto, cuja história se tornou uma de suas principais inspirações.

Já Vítor Mussa, natural de Campos dos Goytacazes (RJ), desenvolveu uma relação mais intensa com o samba após se mudar para Ouro Preto. O artista descreve uma verdadeira “fissura” pelo gênero, que o levou a estudar cavaquinho e banjo e a buscar recriar, na cidade, a experiência das rodas de samba de rua típicas do Rio de Janeiro.


Um movimento independente

Com o crescimento do projeto, o Samba do Marília passou a contar com uma banda fixa formada por diversos músicos, além de participações especiais. As apresentações são marcadas pelo improviso, característica essencial do gênero, e pela forte interação entre os integrantes.

Inicialmente realizado semanalmente, o evento passou a acontecer uma vez por mês, devido a questões como regras de uso do espaço público, controle de ruído e necessidade de conciliar com outros eventos tradicionais da cidade. Segundo os artistas, a adaptação foi necessária para garantir a continuidade do projeto.

Mesmo com grande adesão do público, o grupo ainda atua de forma independente, sem apoio financeiro direto, embora já esteja em processo de viabilização de recursos por meio de projetos junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico.


Projetos e novos lançamentos

Entre os planos futuros, o grupo pretende lançar um álbum com composições autorais, consolidando uma identidade própria do samba produzido em Ouro Preto.

João Avelar também prepara o lançamento do single “Nosso Amor Tá por um Triz”, já gravado com participação de integrantes do grupo. Já Vítor Mussa lançou a música “Toda Sexta-feira”, inspirada no período em que as rodas de samba aconteciam semanalmente no Largo do Marília.

A entrevista foi encerrada com apresentações das duas canções, destacando a força autoral e a conexão direta com o público que marcam o Samba do Marília.


Onde acompanhar

O público pode acompanhar as novidades e datas das próximas rodas de samba pelo Instagram oficial do grupo: @sambadomarilia.

Além dos artistas: @citormussa e @joaoavelaroficial.

Assista ao vídeo no YouTube ou ouça pelo Spotify:


Larissa Antunes

É graduanda em Jornalismo na UFOP e estagiária na Agência Primaz de Comunicação. Possui interesse por jornalismo cultural, radiojornalismo, audiovisual, fotojornalismo, movimentos político-sociais e expressões artístico- culturais.