Antes mesmo de ganhar um troféu na televisão, Larissa Goulart já tinha uma história inteira construída dentro da cozinha. Marianense, formada em Gastronomia e à frente da Uh La La Cake, ela cresceu acompanhando a mãe cozinhar e descobriu ainda criança que aquele universo poderia ser muito mais do que uma brincadeira.
A relação começou de maneira quase natural. Entre panelinhas, receitas inventadas e marcas de cupcakes criadas na infância, ela foi descobrindo o prazer de criar. E, pelo jeito, a vontade de empreender também apareceu cedo.
Eu tinha uma marca de cupcakes... fui no computador lá, criança, fiz a arte da logo, imprimi, botei lá no cupcake, tirei foto e falei: ‘Gente, agora eu tenho uma marca de cupcakes
E assim, a confeitaria, que começou como diversão, acabou se tornando profissão e também uma maneira de preservar histórias da família.

Uma cozinha cheia de histórias
Para Larissa, falar de confeitaria também é falar de família. A mãe foi sua principal referência, mas a relação com os doces atravessa outras gerações. A bisavó era confeiteira em Mariana e a avó, conhecida como Sãoinha, também deixou receitas e ensinamentos que Larissa carrega consigo.
Entre essas memórias está uma sobremesa que permanece especial até hoje: os profiteroles preparados pela avó. “Chegou domingo: ‘Vó, queremos profiteroles’, aí ela ia lá fazer com a gente... pra mim aquilo era a melhor sobremesa do mundo. E ainda é”, relembra.
Essa relação entre comida e memória também aparece na forma como ela pensa o futuro da própria confeitaria, a de criar coisas novas sem deixar para trás aquilo que aprendeu em casa.“Espero não deixar morrer tudo que elas me ensinaram”, conta, ao falar sobre o legado das mulheres da família.
Do sonho ao troféu
Participar do programa já era um desejo antigo. Mas estar diante dos jurados e competir em uma cozinha de televisão trouxe uma sensação difícil de explicar. “A cada fase eu ficava: ‘Gente, não é possível que eu vou participar’... Até no dia da gravação você fala: ‘Não acredito que tô aqui’”, conta.
E se participar já parecia surreal, sair de lá com o troféu foi ainda mais difícil de acreditar.
Saí ali com o meu troféu, minha batedeira e parecia que eu tava sonhando

A vitória também serviu como uma espécie de confirmação. Depois de tantas receitas, estudos e experiências, veio a percepção de que ela poderia confiar mais no próprio trabalho.“Quando recebi o troféu, falei: ‘Nossa, acho que agora eu consigo, talvez eu esteja preparada’.”
Quando Mariana chegou à televisão
A história ganhou um novo capítulo quando Larissa e a mãe Alécia Dias participaram do “Que Seja Doce”. No programa, ela apresentou receitas que misturavam técnica, criatividade e ingredientes ligados à gastronomia mineira.
Entre os preparos estavam uma tarte sablée de cacau com café produzido em Mariana, um arroz-doce com rapadura e fubá e um bolo de especiarias acompanhado de maçãs cozidas no quentão.
Mais do que competir, Larissa queria representar a cidade. Afinal, era a primeira vez que uma participante de Mariana chegava ao reality.
Tinha esse peso a mais de nunca ninguém de Mariana ter ido... então era aquele peso de ‘preciso mostrar o que a gente tem. Quando a gente mostra esse lado bom, esse lado diferente, ‘olha, tem coisas legais aqui’, acho que dá muito orgulho de ver a cidade ali na TV.
E ela mostrou. Larissa conquistou o troféu e levou os sabores de Mariana para a televisão nacional. A experiência ainda rendeu uma participação no “É de Casa”, da TV Globo, ao lado da mãe.
Entre tradição e criatividade
Depois da vitória, a confeitaria de Larissa continuou seguindo um caminho que mistura referências tradicionais e novas possibilidades. Para ela, inovar não significa abandonar aquilo que veio antes.
Dá para mudar um pouco, dá para sair desse tradicional sem matar o tradicional
É dessa combinação que surgem ideias para novos sabores, técnicas e apresentações. Larissa também quer explorar cada vez mais a confeitaria autoral, buscando uma identidade que faça com que seus doces sejam reconhecidos imediatamente como criações suas.
O desejo é experimentar, aprender e sair da própria zona de conforto. Entre os planos estão as esculturas de chocolate, os gelatos e até a possibilidade de conhecer outras cozinhas pelo mundo.

O que ainda vem pela frente
A vitória no reality pode ter sido um ponto alto da trajetória, mas está longe de representar um ponto final. Larissa ainda quer aprender novas técnicas, desenvolver sua marca e construir uma confeitaria cada vez mais autoral.
Ela também pensa em levar esse conhecimento para outras pessoas, seja por meio de aulas ou, quem sabe, da televisão. “Tenho vontade de sair para aprender coisas novas, sair da bolha...”, conta. Mas, mesmo com a vontade de conhecer outras cozinhas, existe uma coisa que ela não pretende deixar para trás: Mariana.
Entre a menina que criava marcas de cupcakes, a filha que aprendeu a cozinhar com a mãe e a confeiteira que conquistou um reality nacional, Larissa segue escrevendo uma trajetória que tem a família como ponto de partida e a criatividade como caminho.
E tem muito mais nessa história.
Na Entrevista Primaz, Larissa fala sobre a infância na cozinha, a relação com a mãe, os bastidores do “Que Seja Doce”, a conquista do troféu, a experiência de representar Mariana e os planos para o futuro.
Assista à entrevista completa com Larissa Goulart no YouTube da Primaz.
