Entrevista Primaz - Luiz Augusto da Cruz André

Atleta marianense convocado para a Seleção Brasileira fala sobre trajetória, desafios e projetos no taekwondo voltado a sua cidade natal

Atualizado em 09/04/2026 às 14:04, por Joyce Campolina.

Homem e mulher um do lado do outro em um estudio. Na mesa tem 3 medalhas, um tablet. Há uma tv escrita entrevista primaz também

Foto: Larissa Antunes/Agência Primaz

Recém-convocado para a Seleção Brasileira de Taekwondo, o atleta marianense Luiz Augusto da Cruz André participou da Entrevista Primaz para falar sobre sua trajetória no esporte, os desafios do alto rendimento no Brasil e o trabalho que desenvolve como professor e treinador em Mariana.

 

Do início inesperado à permanência no esporte
 A relação de Luiz com o taekwondo começou de forma improvável. Ainda criança, por recomendação médica devido a crises de asma, ele foi encaminhado para aulas de natação em um projeto do CRIA (Centro de Referência para Criança e Adolescência), em Mariana. No local, teve contato com outras atividades e decidiu experimentar o taekwondo, mesmo sem conhecer o esporte.

No início, o desempenho não era um dos melhores, conta Luiz. Com dificuldades de coordenação e acima do peso, ele relembra que estava entre os alunos com mais limitações. A permanência, no entanto, foi decisiva para sua evolução.

As primeiras competições vieram em 2015, ainda na categoria infantil. E foi a conquista da primeira medalha que serviu como incentivo para seguir no esporte, mesmo diante das comuns derrotas marcantes de início de carreira.
 


Entre o tatame e o ensino
A trajetória de Luiz no taekwondo também se construiu no ensino. Ainda adolescente, começou a auxiliar o professor em aulas em uma academia no bairro Cabanas. Em 2020, aos 19 anos, assumiu a gestão do espaço, em um período marcado pelos desafios da pandemia.

Hoje, ele concilia uma jornada tripla, com as funções de atleta, professor e treinador. A experiência em sala de aula, no entanto, foi fundamental para influenciar sua forma de enxergar a competição. Segundo ele, mais do que vencer, é importante demonstrar constância e disciplina.

 

Eu achava que precisava ganhar sempre para ser referência. Hoje entendo que sou exemplo pela persistência e pela constância.

Luiz da Cruz, atleta

 

A mudança de perspectiva também alterou sua relação com as derrotas, que passaram a ser encaradas como parte do processo de evolução. Para além dos resultados, Luiz destaca o papel do esporte na formação pessoal, especialmente entre crianças e jovens. Segundo ele, o taekwondo ensina valores como disciplina, respeito e responsabilidade, que permanecem fora do ambiente competitivo.
 

Conquistas e próximos desafios
 Entre os principais resultados recentes, Luiz conquistou o título nos Jogos Universitários e garantiu vaga no Grand Slam, principal seletiva nacional. E agora, em 2026, foi convocado como atleta reserva da Seleção Brasileira, assegurando participação no Campeonato Pan-Americano.

A competição será realizada nos dias 7 e 8 de maio, no Rio de Janeiro. Paralelamente, ele também disputa o Campeonato Mineiro, cuja etapa final será sediada em Mariana.

O atleta destaca a importância da experiência na seleção, especialmente pela convivência com competidores de alto nível. “A expectativa é a mais alta possível, a gente tá aqui pra tentar vencer e levar sempre uma medalha pra casa”, afirma o atleta.


Custos e falta de apoio

Como nem tudo são flores, Luiz também apontou um dos maiores desafios no esporte de rendimento: os altos custos. Despesas com alimentação, preparação física, equipe multidisciplinar e viagens viram rotina e dificultam a continuidade de muitos atletas.

Diante desse cenário, ele criou o projeto “LA TKD: Formando campeões dentro e fora do tatame”, com o objetivo de captar apoio para sua equipe.“O pior é quando o atleta treina, se dedica, mas não consegue competir por falta de recurso”, lamentou. 

A proposta busca oferecer estrutura completa aos atletas, incluindo acompanhamento com profissionais e apoio para participação em competições.

 

Representando Mariana

Além de atleta brasileiro, Luiz também é Marianense raiz, nascido e criado em Santa Rita de Cássia e afirma que carregar o nome de Mariana nas competições é motivo de orgulho e também de responsabilidade. Para ele, sua trajetória pode servir de referência para outros jovens da cidade.
 

Quero mostrar que é possível chegar longe, mesmo vindo do interior

Luiz da Cruz, atleta


Além da carreira como atleta, ele projeta o futuro como treinador de alto rendimento, com o objetivo de continuar formando novos talentos.

 

Uma trajetória marcada pela constância

Ao resumir sua caminhada no esporte, Luiz destaca dois pilares: constância e determinação. De um início com dificuldades até a convocação para a Seleção Brasileira, o atleta construiu sua trajetória com base na continuidade do trabalho.

Para os jovens que desejam seguir no esporte, a mensagem é direta: “acreditar no próprio potencial e manter a disciplina ao longo do processo”.

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Joyce Campolina

É graduanda em Jornalismo pela UFOP, apaixonada por Jornalismo Cultural e Político, fotojornalismo, audiovisual e por contar histórias que precisam ser ouvidas