Mariana (MG), 14 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Escolas de samba se preparam para o carnaval de Mariana

Com a subvenção da Prefeitura liberada apenas em 15 de janeiro, os presidentes e músicos precisam se apressar para organizar as apresentações

Escolas de samba se preparam para o carnaval de Mariana

Sem a participação de escolas de samba, a grande atração do Carnaval 2023 foi o Zé Pereira da Chácara – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Escola de Samba Maestro Athaíde dos Santos

Fundada em 1998, por Geni Leocádia, a instituição começou quando ela reuniu o neto, Gabriel Luiz, e seus amigos para tocar latinhas na rua. Depois de 26 anos, Gabriel é presidente da escola e auxilia na organização dos aproximadamente 150 integrantes.

Geni Leocádia, fundadora, e Gabriel Luiz, presidente da Escola de Samba Maestro Ataíde dos Santos – Foto: Beatriz Araujo de Oliveira/Agência Primaz

Com o aumento do número de integrantes, a maioria entre 7 e 14 anos, os ensaios deixaram de acontecer na frente da casa de Geni e passaram a acontecer no campinho de Passagem, para conseguir maior espaço e sem incomodar os vizinhos. Às 19h, todos se reúnem para se prepararem para o carnaval. Com a volta das comemorações carnavalescas pós pandemia e depois do recesso em 2023, causado por problemas de documentação, Gabriel diz que “é uma felicidade danada” estar se organizando para uma das maiores festas do Brasil.

Alguns integrantes da bateria da Escola de Samba Maestro Ataíde dos Santos, ensaiam para a apresentação na segunda-feira (12) de Carnaval, às 19h – foto: Beatriz Araujo de Oliveira/Agência Primaz

Com a proximidade do carnaval, os colaboradores se dedicam à confecção das fantasias, os instrumentos são levados para manutenção e a frequência dos ensaios por semana aumenta. Geni diz que as “aulas” de outubro e novembro servem para ensinar os mais novos a tocar o instrumento, enquanto as de dezembro e janeiro são para ensaiar as músicas selecionadas para o carnaval, muitas delas com letras escritas pela própria Geni.

Além de Geni, Gabriel e alunos, alguns acompanhantes são necessários para ajudar na organização no dia da apresentação. Essas pessoas extras, de acordo com Gabriel, são amigos, familiares da escola. “Lógico que é aberto para quem quiser chegar, mas já tem o pessoal que já sabe como é que funciona”, afirma o presidente.

Parte da verba disponibilizada pela Prefeitura é utilizada para a contratação de dois ônibus para o trajeto de ida e volta dos integrantes, entre o distrito e centro histórico de Mariana.

Escola de Samba Mirim Vila do Carmo

Maria Margarida da Silva faz parte da instituição desde a infância. Hoje, é professora de educação infantil e presidente da Escola de Samba Mirim Vila do Carmo. Sob sua direção, as crianças são preparadas para mais um ano de desfile após a pausa nas comemorações causada pela pandemia.

Junto com o problema das chuvas recorrentes que prejudicam os ensaios, Margarida aponta a falta de foliões para o carnaval e de uma sede para a escola. “Às vezes a gente tem que ficar mudando de espaço ‘pra’ poder conseguir ensaiar, e às vezes o espaço não é ideal, mas é o que temos. Então a gente tem que tentar fazer o melhor que conseguir”, declara a presidente.

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Mesmo com esses obstáculos, a organização para a apresentação de carnaval continua. O tema escolhido para este ano é “uma releitura do que teve de legal até então. A gente vai contar a história da [escola] mirim”, diz Margarida. A poetisa Léia Dias vai ser homenageada por ser a primeira vice-presidente da escola e por compor samba enredo, que vai ser apresentado no desfile da segunda-feira (12), às 20h.

Escola de Samba Vila do Carmo

Durante a pandemia e em 2023, a instituição não fez nenhum desfile de carnaval, mas este ano conta com cerca de 350 foliões e dois carros alegóricos. De acordo com André Luís Ferreira, presidente da escola, o tema escolhido é “A natureza é vida” para celebrar a fauna e a flora brasileira e conscientizar sobre animais em extinção e os perigos da caça.

André Luís Ferreira, presidente da Escola de samba Vila do Carmo, na Arena Mariana, local escolhido para os ensaios, em decorrência das chuvas e da falta de uma sede própria – Foto: Beatriz Araujo de Oliveira/Agência Primaz

André reforça o problema da falta de uma sede para a Escola de Samba Vila do Carmo. Em função disso a maioria dos ensaios precisa ser feita no Terminal Turístico, mas as chuvas fazem com que sejam transferidos para a Arena Mariana. Ele também comenta sobre a dificuldade da construção dos carros alegóricos: “vai ser muito difícil por causa do tamanho que a gente ‘tá’ fazendo. Vai ser muito grande e a gente tem que ter um cuidado ‘pra’ não esbarrar nos fios”. Essa preocupação foi motivo de consulta feita pela diretoria ao Corpo de Bombeiros, para definir a altura máxima dos carros. Que vão participar do desfile no domingo (11), às 21h.

A Vila do Carmo já tem todos os instrumentos da bateria em condições para o desfile – Foto: Beatriz Araujo de Oliveira/Agência Primaz

Com o tema definido, as fantasias e músicas começaram a ser planejadas. Os figurinos são baseados em animais e caçadores para simular um embate, com cada ala da escola representando um subtema que enriquece o enredo geral.

Escola de Samba Morro da Saudade

Um sobrinho de Rogério Cesário o convidou para participar de um bloco bate-lata em meados dos anos 1975 e 1976. Cerca de 40 anos depois, o bloco evoluiu e Rogério se tornou o atual presidente da escola.

Rogério Cesário, presidente da Escola de samba Morro da Saudade de Passagem de Mariana

Sem participar do carnaval desde 2020, a escola de samba presidida por Rogério volta com o tema “O amor do Morro da Saudade vai invadir toda a cidade” homenageando a história do distrito de Passagem de Mariana. A instituição envolve muitos moradores do distrito na organização do evento e várias costureiras de fantasia se reúnem e chegam a ficar das 17 às 23h trabalhando e conversando.

Na hora do ensaio, que acontece na rua de frente para a sede da escola, as pessoas se juntam para acompanhar a música, vários comerciantes aproveitam para vender comida e bebida, e outras ficam tão envolvidas que decidem fazer parte da escola e participar do desfile. “Às vezes a pessoa nunca tocou num instrumento. Aí a pessoa vai lá com o mestre de bateria, que vai ensinando, e ela vai aprendendo com os outros que ‘tão’ tocando”, declara Rogério.

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