Escolas de samba se preparam para o carnaval de Mariana
Com a subvenção da Prefeitura liberada apenas em 15 de janeiro, os presidentes e músicos precisam se apressar para organizar as apresentações
Sem a participação de escolas de samba, a grande atração do Carnaval 2023 foi o Zé Pereira da Chácara – Foto: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Escola de Samba Maestro Athaíde dos Santos
Fundada em 1998, por Geni Leocádia, a instituição começou quando ela reuniu o neto, Gabriel Luiz, e seus amigos para tocar latinhas na rua. Depois de 26 anos, Gabriel é presidente da escola e auxilia na organização dos aproximadamente 150 integrantes.

Com o aumento do número de integrantes, a maioria entre 7 e 14 anos, os ensaios deixaram de acontecer na frente da casa de Geni e passaram a acontecer no campinho de Passagem, para conseguir maior espaço e sem incomodar os vizinhos. Às 19h, todos se reúnem para se prepararem para o carnaval. Com a volta das comemorações carnavalescas pós pandemia e depois do recesso em 2023, causado por problemas de documentação, Gabriel diz que “é uma felicidade danada” estar se organizando para uma das maiores festas do Brasil.

Com a proximidade do carnaval, os colaboradores se dedicam à confecção das fantasias, os instrumentos são levados para manutenção e a frequência dos ensaios por semana aumenta. Geni diz que as “aulas” de outubro e novembro servem para ensinar os mais novos a tocar o instrumento, enquanto as de dezembro e janeiro são para ensaiar as músicas selecionadas para o carnaval, muitas delas com letras escritas pela própria Geni.
Além de Geni, Gabriel e alunos, alguns acompanhantes são necessários para ajudar na organização no dia da apresentação. Essas pessoas extras, de acordo com Gabriel, são amigos, familiares da escola. “Lógico que é aberto para quem quiser chegar, mas já tem o pessoal que já sabe como é que funciona”, afirma o presidente.
Parte da verba disponibilizada pela Prefeitura é utilizada para a contratação de dois ônibus para o trajeto de ida e volta dos integrantes, entre o distrito e centro histórico de Mariana.
Escola de Samba Mirim Vila do Carmo
Maria Margarida da Silva faz parte da instituição desde a infância. Hoje, é professora de educação infantil e presidente da Escola de Samba Mirim Vila do Carmo. Sob sua direção, as crianças são preparadas para mais um ano de desfile após a pausa nas comemorações causada pela pandemia.


Junto com o problema das chuvas recorrentes que prejudicam os ensaios, Margarida aponta a falta de foliões para o carnaval e de uma sede para a escola. “Às vezes a gente tem que ficar mudando de espaço ‘pra’ poder conseguir ensaiar, e às vezes o espaço não é ideal, mas é o que temos. Então a gente tem que tentar fazer o melhor que conseguir”, declara a presidente.
Mesmo com esses obstáculos, a organização para a apresentação de carnaval continua. O tema escolhido para este ano é “uma releitura do que teve de legal até então. A gente vai contar a história da [escola] mirim”, diz Margarida. A poetisa Léia Dias vai ser homenageada por ser a primeira vice-presidente da escola e por compor samba enredo, que vai ser apresentado no desfile da segunda-feira (12), às 20h.
Escola de Samba Vila do Carmo
Durante a pandemia e em 2023, a instituição não fez nenhum desfile de carnaval, mas este ano conta com cerca de 350 foliões e dois carros alegóricos. De acordo com André Luís Ferreira, presidente da escola, o tema escolhido é “A natureza é vida” para celebrar a fauna e a flora brasileira e conscientizar sobre animais em extinção e os perigos da caça.

André reforça o problema da falta de uma sede para a Escola de Samba Vila do Carmo. Em função disso a maioria dos ensaios precisa ser feita no Terminal Turístico, mas as chuvas fazem com que sejam transferidos para a Arena Mariana. Ele também comenta sobre a dificuldade da construção dos carros alegóricos: “vai ser muito difícil por causa do tamanho que a gente ‘tá’ fazendo. Vai ser muito grande e a gente tem que ter um cuidado ‘pra’ não esbarrar nos fios”. Essa preocupação foi motivo de consulta feita pela diretoria ao Corpo de Bombeiros, para definir a altura máxima dos carros. Que vão participar do desfile no domingo (11), às 21h.

Com o tema definido, as fantasias e músicas começaram a ser planejadas. Os figurinos são baseados em animais e caçadores para simular um embate, com cada ala da escola representando um subtema que enriquece o enredo geral.
Escola de Samba Morro da Saudade
Um sobrinho de Rogério Cesário o convidou para participar de um bloco bate-lata em meados dos anos 1975 e 1976. Cerca de 40 anos depois, o bloco evoluiu e Rogério se tornou o atual presidente da escola.

Sem participar do carnaval desde 2020, a escola de samba presidida por Rogério volta com o tema “O amor do Morro da Saudade vai invadir toda a cidade” homenageando a história do distrito de Passagem de Mariana. A instituição envolve muitos moradores do distrito na organização do evento e várias costureiras de fantasia se reúnem e chegam a ficar das 17 às 23h trabalhando e conversando.
Na hora do ensaio, que acontece na rua de frente para a sede da escola, as pessoas se juntam para acompanhar a música, vários comerciantes aproveitam para vender comida e bebida, e outras ficam tão envolvidas que decidem fazer parte da escola e participar do desfile. “Às vezes a pessoa nunca tocou num instrumento. Aí a pessoa vai lá com o mestre de bateria, que vai ensinando, e ela vai aprendendo com os outros que ‘tão’ tocando”, declara Rogério.

Beatriz Araujo de Oliveira
Nov/2023 - Fev/2024








