A música de Chico Buarque foi o aviso perfeito que o show ia começar, enquanto entoava “Estava à toa na vida ,o meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor…” foi também quando se pode notar as primeiras cabeças curiosas aparecendo através de cada janela do centro histórico.
Entre sorrisos e danças animadas, a população acompanhou no último sábado, 12 de setembro, a 1ª Banda Feminina de Mariana a marchar da Igreja de São Pedro até a Catedral da Sé.

A formação da Banda Feminina foi uma iniciativa de Efraim Rocha, presidente da Associação Marianense de Bandas (Amarbandas) com o objetivo de abrir cada vez mais espaços em um meio musical onde, numericamente, as mulheres são minoria.
O momento foi descrito como emocionante no discurso de agradecimento e o presidente demonstrou o desejo de levar essa formação para representar a União das bandas de Mariana na Bahia.
Quem assumiu a regência e guiou o cortejo foi Fernanda de Melo, natural de Monsenhor Horta e que com apenas 25 anos já assumiu a responsabilidade. Porém, sua filha Helena esteve ao seu lado durante toda a caminhada, o cortejo foi um exemplo para a filha e um suporte para a mãe em um momento tão especial.
“Eu tive muito medo porque é muita responsabilidade a regência. As pessoas esperam assim um pulso firme, esperam muito da gente, eu tenho que tomar decisões, é muita responsabilidade. Então, primeira coisa, dá medo, mas a segunda coisa é muito emocionante porque hoje, especialmente esse movimento das mulheres, é uma coisa muito única, foi a primeira vez que isso aconteceu. Então, estar à frente disso é mais do que especial, vou levar pro resto da minha vida e como exemplo para a Helena”

Para Eliene Santos, presidente da Sociedade Musical 8 de dezembro de Cachoeira do Brumado e musicista de Saxofone Tenor, o momento significou também mostrar que mulheres podem ocupar espaços normalmente regidos por homens, como o cargo de musicista de sopro.
“Cada vez mais nós mulheres mostramos que também podemos estar ali, podemos ocupar um espaço e podemos tocar na bancada de palhetas. Igual hoje tivemos muitas mulheres tocando instrumentos de metal, de percussão, que ainda tem mais homens que mulheres, mas a gente tá mostrando o nosso poder, que nós temos força para ocupar tantos espaços e por que não ocupar também uma banda, né? Então, pra gente foi um momento único. Eu diria que é uma conquista para nós mulheres.”
Após “Capitão Caçula” e diversas outras marchas e dobrados, a Banda descansou em frente a sede da Banda União XV de Novembro aos aplausos da cidade. Quem teve o prazer de assistir o show no quintal de casa talvez tenha percebido também ter presenciado um momento histórico de união entre as Bandas e união entre as mulheres para lutar por uma visibilidade maior.
Confira as fotos dos desfile:
































