Mariana se mobiliza para ajudar Ubá após tragédia das chuvas

Prefeitura, empresas e Defesa Civil organizam apoio estrutural e pontos de coleta para vítimas na Zona da Mata

Atualizado em 25/02/2026 às 16:02, por Joyce Campolina.

Desastre em Juiz de Fora A imagem registra o cenário de destruição após um deslizamento de terra provocado por fortes chuvas em uma comunidade urbana de Juiz de Fora. Composição da Imagem Primeiro Plano: Grandes montes de lama avermelhada e densa dominam a base da imagem, misturados a restos de estruturas metálicas retorcidas e escombros de construções. Plano Médio: Uma rua estreita de terra, completamente coberta por lama líquida, atravessa o centro. Nela, vemos: Socorristas: Profissionais da Defesa Civil (em uniformes laranja) e Bombeiros (em uniformes vermelhos) espalhados pela via, coordenando os trabalhos. Moradores: Diversas pessoas observam a cena com expressões de choque e preocupação. À direita, uma fila de moradores observa atrás de uma fita de isolamento amarela. Crianças: No centro da lama, uma criança pequena e uma mulher parecem gesticular em direção aos destroços. Segundo Plano e Fundo: Casas simples de alvenaria, algumas com tijolos expostos, estão situadas nas encostas. No topo de uma laje à esquerda, equipes de reportagem com câmeras e tripés registram o ocorrido. Ao fundo, vê-se uma encosta íngreme com vegetação verde e bambuzais. Cores e Iluminação A paleta é dominada pelo marrom avermelhado da terra úmida, que contrasta com o colorido das roupas dos moradores e o vibrante laranja e vermelho dos uniformes de resgate. O céu não está visível, mas a iluminação é difusa, sugerindo um dia nublado e melancólico.

Desastre causado pelas chuvas já deixou mais de 30 mortos na Zona da Mata - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Diante da devastação provocada pelos temporais que atingiram a Zona da Mata mineira, a Prefeitura de Mariana anunciou apoio direto às cidades de Ubá e Juiz de Fora. 

Em publicação nas redes sociais, o prefeito Juliano Duarte afirmou, na última terça-feira (24), que o município está à disposição para enviar maquinários, equipamentos e até iniciar campanhas de arrecadação, se necessário.


Hoje fiz meu papel de chefe do Executivo. Entrei em contato com o prefeito José Damato, da cidade de Ubá, e deixei nosso apoio e nossa solidariedade. O município de Mariana está à disposição para ajudar, enviar máquinas e equipamentos. Se for preciso, iniciamos campanhas para ajudar a cidade

Juliano Duarte, Prefeito de Mariana

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Segundo ele, o gesto também representa um reconhecimento à solidariedade que Mariana recebeu após o rompimento da barragem de 2015. “Mariana passou por momentos difíceis e recebeu muita ajuda. Nesses momentos, também temos que estar dispostos a ajudar o próximo”, afirmou o prefeito.

 

Apoio direto e oferta de estrutura

Em ligação telefônica com o prefeito de Ubá, José Damato, Juliano Duarte reforçou a oferta de suporte imediato. “Você pode me ligar. Eu tenho pipa para mandar, tenho retro, o que você precisar”, disse, referindo-se a caminhões-pipa e retroescavadeiras que podem auxiliar na remoção de lama, limpeza urbana e abastecimento emergencial.

O prefeito também tentou contato com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, deixando registrada a mensagem de solidariedade ao município.

 

O apelo às 3h30 da manhã: “Ubá está arrasada”

O cenário de devastação ganhou contornos ainda mais dramáticos quando, às 3h30 da madrugada da última terça (24), o prefeito José Damato gravou um vídeo direto de uma das áreas mais atingidas pela enchente.

Ao lado do vice-prefeito Cabo Rominho e do vereador Renatinho, Damato descreveu a situação como a maior enchente da história do município. “Gente, a cidade de Ubá está arrasada. Olha aqui, três e meia da manhã. A maior enchente da história”, afirmou, enquanto mostrava a água avançando sobre a Rua do Barra.

No vídeo, ele faz um apelo direto a lideranças políticas, citando nominalmente o deputado federal Reginaldo Lopes, os senadores Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, além dos deputados Cleitinho e Nícolas Ferreira. “É agora que nós precisamos da sua força. Todo mundo, pessoal, ajuda a gente. Quem puder ajudar Ubá, agradece muito”, disse.

O prefeito também reforçou a necessidade de apoio dos governos federal e estadual, sublinhando a urgência da situação.


Tragédia histórica na Zona da Mata

De acordo com a última atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, as chuvas que atingiram Ubá e Juiz de Fora entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24) deixaram 36 mortos, 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Inicialmente, Ubá havia registrado sete mortes, mas o número foi ajustado após a corporação esclarecer que um dos óbitos não teve relação direta com os temporais. Há ainda 33 pessoas desaparecidas, e mais de 200 vítimas foram resgatadas com vida.

Em Juiz de Fora, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história do município. A cidade contabiliza mais de 3,5 mil desabrigados e desalojados, além de centenas de ocorrências registradas pela Defesa Civil.

Em Ubá, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas e meia. O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, provocando alagamentos, deslizamentos e destruição em diversos bairros.

O governador Romeu Zema acompanha as operações de busca e resgate na região e afirmou que o trabalho dos bombeiros deve se estender por pelo menos cinco dias, devido ao grande volume de lama e escombros.

Além do apoio estadual, o governo federal anunciou repasse de R$800 por pessoa desabrigada para auxiliar as prefeituras na compra de itens de primeira necessidade, como colchões, alimentos e roupas. Equipes da Força Nacional do SUS e da Assistência Social também foram deslocadas para a região.


Mobilização regional: pontos de coleta e envio de donativos

Paralelamente às ações institucionais, empresas da região iniciaram uma mobilização para arrecadar donativos destinados às famílias atingidas. Lojas de Mariana, Ouro Preto, Itabirito e Ouro Branco estão funcionando como pontos de coleta, com a proposta de reunir os materiais e encaminhá-los a Ubá até, no máximo, sexta-feira. Três veículos das empresas serão disponibilizados para transportar os donativos.

Os pontos de arrecadação são:

Ouro do Lar – Av. Juscelino Kubitscheck, 677, Bauxita, Ouro Preto

Motocar – Rua Vitório Zanetti, 115, Bauxita, Ouro Preto

Motocar – Av. Nossa Senhora do Carmo, 80, Vila do Carmo, Mariana

Ouro Motos – Av. Waldir Salvador de Oliveira, 40, Loja A, Centro, Itabirito

Ouro Motos – Av. Maria Firmina da Silva, 399, Centro, Ouro Branco


A Defesa Civil Municipal de Ouro Preto também atua como ponto oficial de coleta de alimentos, água e itens de higiene pessoal para vítimas de Ubá e Juiz de Fora. As doações podem ser feitas até o dia 6 de março, das 8h às 16h, na sede do órgão, localizada na Rua Conselheiro Santana, 14, bairro Pilar. Informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3559-3121 (WhatsApp) ou pelo 199.
 

O que doar

Entre os itens mais necessários estão:

Materiais de higiene e limpeza: sabonete, shampoo, condicionador, creme dental, escova de dente, papel higiênico, absorventes, fraldas infantis e geriátricas, álcool 70%, água sanitária, desinfetante, sabão em pó, detergente, toalhas e lenços umedecidos.

Alimentos e água: água mineral, alimentos não perecíveis, leite, biscoitos e enlatados.

Roupas e agasalhos: roupas adultas e infantis, agasalhos, cobertores e calçados.


Reconstrução e solidariedade

Com milhares de pessoas desabrigadas e bairros inteiros cobertos por lama, a reconstrução da Zona da Mata deve ser longa. Enquanto as buscas continuam e novas tempestades ainda são previstas pela Defesa Civil, a mobilização entre municípios e a articulação entre poder público, empresas e sociedade civil ganham força.

Mariana, que carrega na memória coletiva a experiência de uma das maiores tragédias ambientais do país, agora se coloca no papel de quem estende a mão. Em meio à lama e à dor, a solidariedade mineira deixa de ser discurso e se transforma em ação concreta.


Joyce Campolina

É graduanda em Jornalismo pela UFOP, apaixonada por Jornalismo Cultural e Político, fotojornalismo, audiovisual e por contar histórias que precisam ser ouvidas