Mariana se mobiliza para ajudar Ubá após tragédia das chuvas
Prefeitura, empresas e Defesa Civil organizam apoio estrutural e pontos de coleta para vítimas na Zona da Mata
Desastre causado pelas chuvas já deixou mais de 30 mortos na Zona da Mata - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Diante da devastação provocada pelos temporais que atingiram a Zona da Mata mineira, a Prefeitura de Mariana anunciou apoio direto às cidades de Ubá e Juiz de Fora.
Em publicação nas redes sociais, o prefeito Juliano Duarte afirmou, na última terça-feira (24), que o município está à disposição para enviar maquinários, equipamentos e até iniciar campanhas de arrecadação, se necessário.
Hoje fiz meu papel de chefe do Executivo. Entrei em contato com o prefeito José Damato, da cidade de Ubá, e deixei nosso apoio e nossa solidariedade. O município de Mariana está à disposição para ajudar, enviar máquinas e equipamentos. Se for preciso, iniciamos campanhas para ajudar a cidade
Segundo ele, o gesto também representa um reconhecimento à solidariedade que Mariana recebeu após o rompimento da barragem de 2015. “Mariana passou por momentos difíceis e recebeu muita ajuda. Nesses momentos, também temos que estar dispostos a ajudar o próximo”, afirmou o prefeito.
Apoio direto e oferta de estrutura
Em ligação telefônica com o prefeito de Ubá, José Damato, Juliano Duarte reforçou a oferta de suporte imediato. “Você pode me ligar. Eu tenho pipa para mandar, tenho retro, o que você precisar”, disse, referindo-se a caminhões-pipa e retroescavadeiras que podem auxiliar na remoção de lama, limpeza urbana e abastecimento emergencial.
O prefeito também tentou contato com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, deixando registrada a mensagem de solidariedade ao município.
O apelo às 3h30 da manhã: “Ubá está arrasada”
O cenário de devastação ganhou contornos ainda mais dramáticos quando, às 3h30 da madrugada da última terça (24), o prefeito José Damato gravou um vídeo direto de uma das áreas mais atingidas pela enchente.
Ao lado do vice-prefeito Cabo Rominho e do vereador Renatinho, Damato descreveu a situação como a maior enchente da história do município. “Gente, a cidade de Ubá está arrasada. Olha aqui, três e meia da manhã. A maior enchente da história”, afirmou, enquanto mostrava a água avançando sobre a Rua do Barra.
No vídeo, ele faz um apelo direto a lideranças políticas, citando nominalmente o deputado federal Reginaldo Lopes, os senadores Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, além dos deputados Cleitinho e Nícolas Ferreira. “É agora que nós precisamos da sua força. Todo mundo, pessoal, ajuda a gente. Quem puder ajudar Ubá, agradece muito”, disse.
O prefeito também reforçou a necessidade de apoio dos governos federal e estadual, sublinhando a urgência da situação.
Tragédia histórica na Zona da Mata
De acordo com a última atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, as chuvas que atingiram Ubá e Juiz de Fora entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24) deixaram 36 mortos, 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Inicialmente, Ubá havia registrado sete mortes, mas o número foi ajustado após a corporação esclarecer que um dos óbitos não teve relação direta com os temporais. Há ainda 33 pessoas desaparecidas, e mais de 200 vítimas foram resgatadas com vida.
Em Juiz de Fora, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história do município. A cidade contabiliza mais de 3,5 mil desabrigados e desalojados, além de centenas de ocorrências registradas pela Defesa Civil.
Em Ubá, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas e meia. O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, provocando alagamentos, deslizamentos e destruição em diversos bairros.
O governador Romeu Zema acompanha as operações de busca e resgate na região e afirmou que o trabalho dos bombeiros deve se estender por pelo menos cinco dias, devido ao grande volume de lama e escombros.
Além do apoio estadual, o governo federal anunciou repasse de R$800 por pessoa desabrigada para auxiliar as prefeituras na compra de itens de primeira necessidade, como colchões, alimentos e roupas. Equipes da Força Nacional do SUS e da Assistência Social também foram deslocadas para a região.
Mobilização regional: pontos de coleta e envio de donativos
Paralelamente às ações institucionais, empresas da região iniciaram uma mobilização para arrecadar donativos destinados às famílias atingidas. Lojas de Mariana, Ouro Preto, Itabirito e Ouro Branco estão funcionando como pontos de coleta, com a proposta de reunir os materiais e encaminhá-los a Ubá até, no máximo, sexta-feira. Três veículos das empresas serão disponibilizados para transportar os donativos.
Os pontos de arrecadação são:
Ouro do Lar – Av. Juscelino Kubitscheck, 677, Bauxita, Ouro Preto
Motocar – Rua Vitório Zanetti, 115, Bauxita, Ouro Preto
Motocar – Av. Nossa Senhora do Carmo, 80, Vila do Carmo, Mariana
Ouro Motos – Av. Waldir Salvador de Oliveira, 40, Loja A, Centro, Itabirito
Ouro Motos – Av. Maria Firmina da Silva, 399, Centro, Ouro Branco
A Defesa Civil Municipal de Ouro Preto também atua como ponto oficial de coleta de alimentos, água e itens de higiene pessoal para vítimas de Ubá e Juiz de Fora. As doações podem ser feitas até o dia 6 de março, das 8h às 16h, na sede do órgão, localizada na Rua Conselheiro Santana, 14, bairro Pilar. Informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3559-3121 (WhatsApp) ou pelo 199.
O que doar
Entre os itens mais necessários estão:
Materiais de higiene e limpeza: sabonete, shampoo, condicionador, creme dental, escova de dente, papel higiênico, absorventes, fraldas infantis e geriátricas, álcool 70%, água sanitária, desinfetante, sabão em pó, detergente, toalhas e lenços umedecidos.
Alimentos e água: água mineral, alimentos não perecíveis, leite, biscoitos e enlatados.
Roupas e agasalhos: roupas adultas e infantis, agasalhos, cobertores e calçados.
Reconstrução e solidariedade
Com milhares de pessoas desabrigadas e bairros inteiros cobertos por lama, a reconstrução da Zona da Mata deve ser longa. Enquanto as buscas continuam e novas tempestades ainda são previstas pela Defesa Civil, a mobilização entre municípios e a articulação entre poder público, empresas e sociedade civil ganham força.
Mariana, que carrega na memória coletiva a experiência de uma das maiores tragédias ambientais do país, agora se coloca no papel de quem estende a mão. Em meio à lama e à dor, a solidariedade mineira deixa de ser discurso e se transforma em ação concreta.

Joyce Campolina
É graduanda em Jornalismo pela UFOP, apaixonada por Jornalismo Cultural e Político, fotojornalismo, audiovisual e por contar histórias que precisam ser ouvidas







