Marianense é convocado para a Seleção Brasileira de Taekwondo

Luiz Augusto agora irá integrar a equipe principal da modalidade e se credencia para defender o país em competições internacionais, como mundiais da modalidade e passa a buscar índice olímpico

Atualizado em 26/03/2026 às 17:03, por Joyce Campolina.

A imagem mostra um grupo de jovens praticantes de taekwondo reunidos em um ambiente esportivo coberto, possivelmente um ginásio. Todos vestem doboks (uniformes brancos da modalidade) com faixas de diferentes cores, indicando níveis variados de graduação — há faixas vermelhas, verdes e um destaque para um atleta com faixa preta no centro. O clima é descontraído e festivo. Os atletas estão sorrindo e interagindo entre si, aparentemente durante um momento de premiação ou confraternização. No centro da cena, o praticante de faixa preta segura uma pequena caixa aberta, de onde retira ou observa uma medalha, enquanto os demais ao redor também seguram medalhas ou objetos semelhantes, sugerindo que acabaram de recebê-las. Ao fundo, é possível ver uma trave de futsal e a estrutura do ginásio, reforçando o contexto esportivo. A iluminação é suave e o ambiente transmite companheirismo, conquista e celebração entre os participantes.

De Santa Rita de Cássia para o mundo, Luiz Augusto agora almeja sonhos mais altos - Foto: arquivo pessoal

O atleta marianense Luiz Augusto da Cruz André, de 24 anos, alcançou um marco inédito em sua carreira ao garantir vaga como reserva na Seleção Brasileira de Taekwondo em 2026. A conquista veio após sua participação no Grand Slam, principal seletiva nacional da modalidade, onde venceu três lutas decisivas contra alguns dos melhores atletas do país.

A convocação coloca Luiz em um novo patamar no esporte e o insere no grupo que representa o Brasil em competições internacionais, consolidando anos de dedicação e superação.
 

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Do início improvável ao alto rendimento

Nascido e criado no bairro Santa Rita de Cássia, em Mariana, Luiz teve um primeiro contato inesperado com o taekwondo. A prática surgiu durante atividades no Centro de Referência da Infância e Adolescência (CRIA), onde buscava melhorar um quadro de asma por meio da natação. 

 

Comecei de forma muito inusitada. Nunca tinha ouvido falar de taekwondo e tinha muita dificuldade no início, minha coordenação motora era muito ruim

Luiz Augusto, lutador


 

Com o tempo, a persistência falou mais alto. “Me tornei uma pessoa resiliente, dedicada e determinada. Desenvolvi uma paixão pelas competições e isso foi fundamental para continuar”, comemora.

 

Rede de apoio e construção da trajetória

Ao longo do caminho, Luiz contou com o apoio de nomes importantes para sua formação. O primeiro professor, Arthur Henrique, teve papel decisivo ao apresentar o universo competitivo e os valores do esporte. Atualmente, o atleta é treinado pelo mestre Édison de Paula e conta com uma equipe multidisciplinar na preparação.

A base familiar e o suporte de amigos e alunos também aparecem como pilares fundamentais nessa trajetória.

Para alcançar a vaga na Seleção, Luiz passou por uma preparação rigorosa. No início de 2026, participou de um intercâmbio com a equipe TKD Olimpios, experiência que elevou seu nível técnico. “Tive uma preparação intensa. Treinar com os melhores do país faz muita diferença”, destaca.

O desempenho no Grand Slam, com três vitórias decisivas, foi determinante para a convocação. “Foi incrível competir entre os melhores. Hoje tenho certeza de que estou no caminho certo”, avalia.
 

Orgulho de representar Mariana

O atleta marianense começa como reserva na Seleção Brasileira de Taekwondo - Foto: arquivo pessoal

 

Luiz não esconde o orgulho de levar o nome de Mariana para o cenário esportivo nacional e internacional. “Sou marianense raiz e tenho muito orgulho de representar a Primaz”, diz.

Ele também destaca a importância de políticas públicas, como o Bolsa Atleta, que contribuíram diretamente para sua formação esportiva.

 

CBTKD: estrutura e fortalecimento da modalidade

A convocação de Luiz o coloca sob a gestão da Confederação Brasileira de Taekwondo, responsável por organizar e desenvolver a modalidade no país. A entidade coordena desde competições nacionais até a formação e manutenção da Seleção Brasileira, além de representar oficialmente o Brasil junto ao Comitê Olímpico do Brasil e à federação internacional.

A história da CBTKD acompanha o crescimento do taekwondo no país, introduzido no final da década de 1960 por mestres coreanos. Inicialmente vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, o esporte conquistou autonomia institucional em 1990, quando a confederação foi oficialmente criada.

Hoje, a CBTKD é responsável por estruturar o calendário esportivo, padronizar regras, formar árbitros e técnicos e preparar atletas para competições de alto nível, como Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos. Sob sua gestão, o Brasil se consolidou como uma potência internacional na modalidade.
 

Seleção em alta no cenário mundial

A chegada de Luiz à Seleção acontece em um momento de destaque do taekwondo brasileiro. Em 2025, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial da Copa do Mundo por Equipes, com nomes como Maria Clara Pacheco, Henrique Marques, Edival Pontes e Milena Titoneli.

Além disso, Edival Pontes - conhecido como Netinho - conquistou a medalha de bronze no taekwondo (categoria até 68kg) nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. O Brasil também somou medalhas importantes no Mundial realizado em Wuxi, na China, reforçando sua posição entre as principais potências da modalidade.

 

Sonho vivo e novos horizontes

Mesmo com a conquista, Luiz ainda vive o momento com surpresa. “Às vezes, a ficha ainda não caiu. Nunca imaginei chegar tão longe”, confessa.

Agora, integrado à Seleção Brasileira adulta, ele mantém o foco nos próximos desafios. “O sonho continua vivo. Seguimos trabalhando com ainda mais determinação”, afirma.

A convocação de Luiz Augusto reforça o potencial esportivo de Mariana e evidencia como histórias que começam de forma simples podem alcançar grandes palcos, dentro e fora do país.


Joyce Campolina

É graduanda em Jornalismo pela UFOP, apaixonada por Jornalismo Cultural e Político, fotojornalismo, audiovisual e por contar histórias que precisam ser ouvidas