Marias das Minas realiza Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras

Ações do Coletivo integram o Dia das Mulheres na luta pelo direito à vida

Atualizado em 03/03/2026 às 17:03, por Larissa Antunes.

Fotografia em plano médio de uma jovem mulher negra durante uma manifestação ao ar livre. Ela tem cabelos crespos estilo black power, usa brincos de argola e segura o mastro de uma bandeira branca com detalhes em vermelho, que repousa sobre seu ombro direito. Seu semblante é sério e compenetrado, olhando para a esquerda da imagem. Ao fundo, em segundo plano e levemente desfocados, aparecem outras pessoas, algumas usando bonés vermelhos. À esquerda, vê-se parte de uma bandeira roxa com letras brancas e, ao fundo, a silhueta de montanhas sob a luz suave do fim de tarde. A iluminação é natural, criando um contorno dourado no perfil da jovem e reforçando o tom solene do momento.

Neste ano, o coletivo completa 10 anos de atuação - Foto: Gustavo Batista/Agência Primaz

O coletivo Marias das Minas promove, ao longo desta semana, uma série de atividades relacionadas ao Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras. A programação integra as mobilizações do 8 de março e reforça pautas como o direito à vida, o enfrentamento às violências contra as mulheres, melhores condições de trabalho e a defesa de políticas públicas efetivas. As ações acontecem em Ouro Preto e Mariana, com momentos de concentração, debate e mobilização popular.

 

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Roda de conversa abre programação

A primeira atividade será uma roda de conversa nesta terça-feira (03), às 18h, no Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. O encontro propõe um espaço coletivo de escuta, diálogo e reflexão entre mulheres de diferentes trajetórias.

Entre as convidadas estão: Riani Ferreira, advogada atuante contra a mineração do Botafogo; Adivane Costa, engenheira geóloga, professora do Departamento de Geologia e coordenadora da Cátedra UNESCO Água, Mulher e Desenvolvimento, que fará o pré-lançamento do curso de extensão “Educação, Cultura e Gestão das Águas em Comunidades”; e Marilda Aparecida, economista doméstica e contadora, com atuação institucional como vereadora, presidente do CMDPI (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa) e conselheira em conselhos municipais ligados à pessoa idosa, patrimônio cultural, segurança alimentar e desenvolvimento rural.

Também participam Áurea Carolina, ativista nas agendas de justiça climática, racial e de gênero; Luciene Antunes, professora e analista social com atuação em pautas antirracistas e antissexistas; Lua Plaza, artista visual e coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário em Minas Gerais; Tays Torres Ribeiro das Chagas, docente da UFOP com projetos de extensão voltados ao empoderamento; e Vanessa Portugal, professora da rede municipal com trajetória ligada à defesa da educação pública e ao movimento sindical.

 

Histórico de mobilização regional

Em 2027, o 8M Inconfidentes Marias das Minas completa 10 anos de atuação. Segundo o coletivo, a mobilização nasceu da articulação entre mulheres, partidos e movimentos sociais da região, em diálogo com pautas estaduais, nacionais e internacionais. A proposta, desde o início, foi construir atos organizados por mulheres trabalhadoras, com independência de classe e apoio de sindicatos combativos.

Para uma das integrantes do movimento, Patrícia Ramos, o 8 de março é, antes de tudo, um dia de denúncia e luta pelos direitos das mulheres, mas também de celebração da força coletiva e de memória das que vieram antes. Ela destaca que a data vem sendo disputada por diferentes setores, que muitas vezes tentam esvaziar seu caráter histórico de mobilização. “Ocupar as ruas é parte dessa potência que podemos alcançar para lutar por nossos direitos”, afirma, ressaltando que a unidade fortalece a voz das mulheres, especialmente diante do aumento dos índices de violência.


Pautas e reivindicações

Entre as reivindicações destacadas neste ano estão o enfrentamento à “epidemia de violências contra as mulheres” e a cobrança por mais recursos permanentes para políticas públicas de proteção. Patrícia também defende a ampliação de casas-abrigo com acolhimento especializado, além do fortalecimento das áreas de assistência social, saúde e segurança, garantindo autonomia para que mulheres consigam denunciar agressões e romper ciclos de violência.

No campo do trabalho, o coletivo reivindica políticas de geração de emprego com salários dignos e escalas que permitam viver para além do trabalho, como o fim da escala 6x1 e a revogação de reformas que, segundo o grupo, retiram direitos da classe trabalhadora.

A realidade mineradora da região também integra as pautas. Segundo a entrevistada, é necessário denunciar a forma como a mineração atua, com superexploração de territórios e pessoas, defendendo um novo modelo que respeite o meio ambiente e a vida.

Como mensagem final, a integrante reforça que não é possível naturalizar violências e que é preciso exigir direitos, mesmo diante das dificuldades. Para o coletivo, a organização coletiva é fundamental para defender conquistas e avançar em novas garantias para mulheres, pessoas negras e trabalhadores.

 

Programação

As mobilizações de rua acontecem nos seguintes horários:

  • Sábado (07), às 9h: Centro de Convenções de Mariana.
  • Domingo (08), às 9h: Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

A expectativa é reunir mulheres, movimentos sociais e apoiadores para reafirmar o caráter histórico e político do 8 de março como dia de luta das mulheres trabalhadoras.


Larissa Antunes

É graduanda em Jornalismo na UFOP e estagiária na Agência Primaz de Comunicação. Possui interesse por jornalismo cultural, radiojornalismo, audiovisual, fotojornalismo, movimentos político-sociais e expressões artístico- culturais.