O historiador Moacir Rodrigo de Castro Maia irá ministrar uma palestra sobre o seu livro, que foi escrito em conjunto com o, também historiador, Aldair Rodrigues, “Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário: mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII)”.
O evento tem início às 19h desta quinta(23), na Biblioteca Pública Municipal Benjamim Lemos e possui entrada gratuita. Moacir Maia se formou em história pela Universidade Federal de Ouro Preto e, atualmente, é professor da Universidade Federal de Viçosa.
Entre manuscritos e feiticeiras
No livro, os autores discutem sobre a vida de mulheres africanas que, na época, conseguiram o sucesso econômico e se tornaram líderes das suas comunidades em Minas Gerais do século 18, o que ocasionou em uma caça às bruxas comandada pelo Estado português.
A obra conta com manuscritos dos processos contra a sacerdotisas, localizados em Portugal, mas que possuem registros das mulheres e de seus cultos no município de Paracatu (MG) e em Ouro Preto.
Em um trecho do livro, a sacerdotisa Ângela Maria Gomes aparece como uma “feiticeira” que precisava ser impedida de praticar as suas crenças. Ângela foi “mestra” de rituais africanos em Ouro Preto e coroada como rainha do Rosário.
De Mariana até a Sapucaí
O livro foi usado como uma das referências para o enredo da Escola de Samba Unidos do Viradouro em 2024. A Escola conquistou o título de campeã com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, que fala sobre o culto à serpente na tradição africana e, além dessa narrativa, o enredo também mostra as crenças voduns e a força das mulheres da Costa da Mina.


