Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Mulheres africanas e seus cultos são tema de palestra na biblioteca municipal

Professor retorna a Mariana para falar sobre sua obra que conta a narrativa de mulheres africanas e seus cultos em Minas Gerais

Esta é uma fotografia antiga, em preto e branco, que captura um grupo de mulheres em uma dança cerimonial ao ar livre. Abaixo, detalho os elementos da imagem: As Dançarinas: Cerca de oito mulheres estão em destaque, dispostas em uma formação dinâmica. Elas vestem trajes tradicionais compostos por saias longas e volumosas com diferentes padrões (listras, xadrez e estampas geométricas) e tecidos amarrados ao redor do tronco. Muitas usam colares e adornos de cabeça. O Movimento: A cena é cheia de energia. As mulheres estão em diversas posturas de dança, com pernas flexionadas e braços em movimento, sugerindo um ritmo coordenado. A poeira levantada do chão reforça a sensação de ação e o caráter festivo ou ritualístico do momento. O Cenário: O grupo está em um espaço aberto de terra batida. Ao fundo, árvores grandes com folhagens densas e troncos retorcidos emolduram a cena, criando um contraste natural com as figuras humanas. Legenda Histórica: Na parte inferior da imagem, há um texto impresso que diz: 821. Afrique Occidentale Française. Danse de Féticheuses (África Ocidental Francesa. Dança de Feiticeiras). A imagem é um registro etnográfico do início do século XX, mostrando uma manifestação cultural e religiosa na região que hoje compreende países como o Benin (antigo Daomé).

A foto demonstra mulheres em rituais tradicionais em Benim, na África Ocidental - Foto: Edmond Fortier

O historiador Moacir Rodrigo de Castro Maia irá ministrar uma palestra sobre o seu livro, que foi escrito em conjunto com o, também historiador, Aldair Rodrigues, “Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário: mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII)”.

O evento tem início às 19h desta quinta(23), na Biblioteca Pública Municipal Benjamim Lemos e possui entrada gratuita. Moacir Maia se formou em história pela Universidade Federal de Ouro Preto e, atualmente, é professor da Universidade Federal de Viçosa. 

Entre manuscritos e feiticeiras 
No livro, os autores discutem sobre a vida de mulheres africanas que, na época, conseguiram o sucesso econômico e se tornaram líderes das suas comunidades em Minas Gerais do século 18, o que ocasionou em uma caça às bruxas comandada pelo Estado português.


A obra conta com manuscritos dos processos contra a sacerdotisas, localizados em Portugal, mas que possuem registros das mulheres e de seus cultos no município de Paracatu (MG) e em Ouro Preto.
Em um trecho do livro, a sacerdotisa Ângela Maria Gomes aparece como uma “feiticeira” que precisava ser impedida de praticar as suas crenças. Ângela foi “mestra” de rituais africanos em Ouro Preto e coroada como rainha do Rosário.  

De Mariana até a Sapucaí 

O livro foi usado como uma das referências para o enredo da Escola de Samba Unidos do Viradouro em 2024. A Escola conquistou o título de campeã com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, que fala sobre o culto à serpente na tradição africana e, além dessa narrativa, o enredo também mostra as crenças voduns e a força das mulheres da Costa da Mina.

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