Obras no Morro da Forca e Curva do Vento são pautas frequentes nas reuniões da Câmara de Ouro Preto

Vias públicas de Ouro Preto estão parcialmente interditadas

Atualizado em 12/04/2023 às 09:04, por Milena Reis Silva.

Câmara de Ouro Preto discute cenário dos locais afetados pelas chuvas - Foto: Milena Reis Silva/Agência Primaz

Vereadores debatem a contratação, pela Prefeitura, de nova empresa para realizar serviços que já custaram quase R$5 milhões

Apesar de terem dado a obra como finalizada, um ano depois aconteceu outro desmoronamento, com desprendimento de placa e os destroços ainda permanecem no local. O secretário Defesa Civil de Ouro Preto, Juscelino Gonçalves, afirmou que as obras de retaludamento não foram concluídas, e até o momento o local ainda oferece riscos, resultando em interdição de uma parte da Rua Pacífico Homem.

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Na Avenida Lima Júnior, via que liga o centro histórico da cidade até o bairro Bauxita, também houve deslizamento de terra devido às chuvas de novembro em 2021, acarretando rompimento de uma parte da via e impedindo o trânsito local. O material utilizado para fazer o aterramento foi o retirado do desmoronamento do Morro da Forca, de acordo com a Prefeitura de Ouro Preto.

Interdição provocou alteração no trânsito. Para chegar ao bairro Saramenha é necessário passar pela Bauxita- Foto: Milena Reis Silva/ Agência Primaz

O primeiro deslizamento da encosta do Morro da Forca aconteceu em 13 de janeiro de 2021, devido às fortes chuvas na cidade, soterrando a primeira construção neocolonial de Ouro Preto, o Casarão Baeta Neves. Na ocasião a área já tinha sido isolada pela Defesa Civil, o casarão estava desocupado e não houve nenhuma vítima durante o desmoronamento.

A Prefeitura de Ouro Preto, contratou a empresa Destroy Desmontes Técnicos do Brasil Ltda, em fevereiro do ano passado, para retirar o material que deslizou do morro, com aproveitamento no aterramento de parte da Avenida Lima Júnior (Curva do Vento). O responsável pela contratação foi o ex-secretário de Obras, Antônio Simões, exonerado após inúmeras críticas devido ao atraso no início e entrega de obras na sede e nos distritos. Uma das obras apontadas como estopim da exoneração foi a do Morro da Forca e da Curva do Vento, onde foram gastos de R$4.860.845,25 em pagamentos à empresa Destroy.

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Entretanto, foi constatado que a Curva do Vento, na Avenida Lima Júnior, necessita de um reaterro, com a implantação de um enrocamento de pedras para que o rio que passa abaixo do nível da avenida não apresente problemas futuros, com o carreamento do material do aterro. A avenida se encontra em obras no momento, e as próximas ações, para ocorra a liberação do local, são o retalutamento e a compactação, de baixo para cima, até que se chegue ao nível da pista. Entretanto, mesmo com o trânsito interditado desde janeiro, muitos motoristas não respeitam e trafegam no local.

Vereadores buscam respostas sobre as obras do Morro da Forca e Volta do Vento

Obra inacabada causa congestionamento de veículos na rua Pacífico Homem - Foto: Milena Reis Silva/Agência Primaz

A situação das obras é um assunto sempre debatido entre os vereadores e, durante a 11ª reunião ordinária de 2023, os parlamentares Júlio Gori (PSC) e Renato Zoroastro (MDB), apresentaram requerimentos solicitando informações sobre as andamento da execução dos serviços no Morro da Forca e Curva do Vento.

“Todos nós aqui, que temos pouco conhecimento de geologia, de obra, engenheiros da UFOP, muita gente atesta que aquilo foi feito de maneira equivocada sendo gastos praticamente 5 milhões. Agora vão fazer esse muro para conter aquela terra solta que não da compactação, ela esfarela”, ressalto Júlio Gori.

Em entrevista à Agência Primaz, Renato Zoroastro explicou o objetivo de seu requerimento de informações: “A gente entende que a obra não foi feita com boa qualidade, a gente pediu no requerimento de hoje a cópia da notificação da empresa Destroy”, firmou.

O parlamentar ainda pediu a confirmação se a empresa foi notificada para dar a manutenção no trabalho que não foi realizado da forma proposta no contrato. “Para confirmar que, se ela foi realmente notificada, para ela vir aqui e dar a manutenção seguindo o Código Civil, artigo 618, já que as obras têm garantia de 5 anos, concluiu Zoroastro.

A reportagem da Agência Primaz entrou em contato com a Secretaria de Obras, em 24 de março, solicitando informações sobre o escopo da contratação da empresa Destroy para a realização das obras no Morro da Forca e Curva do Vento, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. Outra indagação feita pela Primaz, foi a respeito das razões pelas quais foi necessária a contratação de uma nova prestadora de serviços, a Pontual. Informações sobre o escopo do contrato, valor e prazo para a conclusão das obras também foram solicitadas à secretaria, mas também permanecem sem resposta.