Mariana (MG), 15 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Os diferentes tipos de luto: quando a perda transforma a vida

“Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho. Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi!”... (Santo Agostinho)

Os diferentes tipos de luto: quando a perda transforma a vida

Os textos publicados na seção “Colunistas” não refletem as posições da Agência Primaz de Comunicação, exceto quando indicados como “Editoriais”.

Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Júlio Vasconcelos:

Segundo as estimativas mais recentes baseadas no World Population Prospects 2024, da ONU, morrem cerca de 172.600 pessoas todos os dias. O mais interessante é que, apesar desse número impactante e da certeza de que todos nós vamos morrer um dia, o luto pela perda de entes queridos continua sendo uma das maiores dores com o passar dos séculos. De fato, a morte de uma pessoa que amamos em profundidade é uma das experiências mais dolorosas que podemos enfrentar. Ela envolve tristeza, saudade, raiva, culpa, medo, sensação de vazio, dificuldade de concentração e muitas outras reações. Não existe uma única maneira correta de vivenciá-lo. 

Existem vários tipos de luto e cada pessoa precisa descobrir a forma mais adequada para superar suas dores. O luto mais comum é causado pela morte de familiares, amigos, companheiros ou outras pessoas significativas em nossas vidas. A intensidade do sentimento de perda não depende apenas do grau de parentesco, mas do nível de relacionamento com o ente perdido. 

Outro tipo de luto é o Antecipatório, que ocorre quando a pessoa começa a vivenciar perdas e sentimentos relacionados à morte antes que ela aconteça. Pode aparecer, por exemplo, diante de uma doença grave ou progressiva. Ocorre uma espécie de despedida gradual, à medida que a doença modifica a rotina, a autonomia e os papéis familiares. Isso não significa que a pessoa esteja sofrendo menos depois da morte do ente querido. Cada experiência é particular.

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O Luto por perdas não relacionadas à morte de alguém é o luto gerado por mudanças importantes e significativas na vida das pessoas. O fim de um relacionamento, uma separação, a perda do emprego, uma mudança de cidade, a aposentadoria, a perda de determinadas capacidades físicas ou a necessidade de abandonar um projeto de vida podem provocar sentimentos semelhantes aos encontrados em outros processos de luto. Nesses casos, muitas vezes existe uma dificuldade adicional pelo fato de socialmente essas perdas serem menos reconhecidas. 

O Luto Gestacional e Neonatal representado pela perda de uma gestação ou de um bebê pode provocar uma experiência de luto especialmente dolorosa. Além da perda concreta, podem ser interrompidos planos, expectativas e projetos construídos durante a gestação. Pais, familiares e outras pessoas envolvidas podem apresentar diferentes reações emocionais. É importante reconhecer essa perda e oferecer espaço para que ela seja vivenciada, sem minimizar a experiência.

O Luto Ambíguo ocorre em situações onde existe uma perda sem uma definição clara ou sem uma possibilidade concreta de encerramento. Ele pode ocorrer quando alguém está fisicamente presente, mas apresenta mudanças profundas em sua capacidade de relacionamento provocadas em determinadas condições neurológicas ou quando o corpo do ente querido não é encontrado. 

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O Luto não Reconhecido socialmente está relacionado a algumas perdas vivenciadas com sofrimento, mas não recebem o reconhecimento social esperado. É o caso da perda de um animal de estimação, o fim de um relacionamento amoroso, a perda de um amante ou relacionamento mantido em segredo, ou a perda decorrente de desaparecimento.

Importante considerar que o luto não possui um prazo universal. Algumas pessoas retomam gradualmente suas atividades, outras precisam de mais tempo e apoio. Entretanto, em determinadas situações, o sofrimento pode permanecer intenso e causar prejuízos importantes e persistentes na vida cotidiana. Nesse caso, merece atenção especial o Transtorno do Luto Prolongado, classificado pelo Manual Diagnóstico de Transtornos da Mente, o DSM ou, como classifica o Psicanalista, Escritor e Professor Christian Dunker, o Luto Infinito. Ele ocorre quando o sofrimento permanece muito intenso e passa a comprometer de maneira significativa a vida cotidiana do enlutado. A pessoa apresenta dificuldade persistente para retomar suas atividades, sentir uma saudade ou preocupação extremamente intensa de quem morreu, ter dificuldade de aceitar a realidade da perda ou sentir que sua própria vida perdeu completamente o sentido, às vezes avançando por tempo indeterminado, uma condição que precisa necessariamente do acompanhamento de um especialista em saúde mental.

O luto faz parte da vida porque os vínculos também fazem parte da vida e não são eternos. Falar sobre ele com mais naturalidade pode ajudar a diminuir o isolamento de quem sofre e criar uma sociedade mais acolhedora, capaz de acolher com carinho e compaixão aqueles que perderam seus entes queridos.

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