Ouro-pretanos fazem passeata contra a privatização da água e pedem Fora, Saneouro

Manifestantes tentam pressionar vereadores enquanto CPI da Saneouro avança na Câmara Municipal de Ouro Preto

Atualizado em 14/07/2021 às 11:07, por Marcelo Sena.

Créditos

A família de Alair José mora no Caminho da Fábrica e o manifestante disse que caminhava como protesto aos altos preços cobrados pela Saneouro.“A nossa manifestação é por causa dos preços absurdos cobrados pela Saneouro. Estamos aqui todo mundo usando máscara, em uma manifestação tranquila. O nosso objetivo é que a Saneouro reduza as tarifas dela e nós contamos com o apoio de todos os políticos, dos vereadores, que possam nos apoiar porque juntos somos muito mais fortes”.

/apidata/imgcache/2cb565cd5fc40fab2aa9f77bf1dcb137.webp?banner=postmiddle&when=1773585813&who=345

Já Érica Pereira mora na Barra e diz que não é possível separar as pautas locais das nacionais. A manifestante explicou porque é “Fora, Saneouro” e também “Fora, Bolsonaro”.“Estou aqui alinhada às pautas nacionais, contra as tentativas de privatização, de venda para o capital internacional, como as vendas da Petrobras e dos Correios. A privatização da Saneouro é a expressão máxima disso. Por aqui eu estou ‘Fora, Saneouro’ e ‘Fora, Bolsonaro’”.

/apidata/imgcache/1b6ca8f31b2386faa695068c84d8ff02.webp?banner=postmiddle&when=1773585813&who=345

Sérgio Neves, presidente da Associação dos Servidores da UFOP (Assufop), também apoiou a manifestação.“A gente está vendo uma política de privatização em Ouro Preto e, agora, de privatização da água, que é um bem do povo, da natureza. O nosso povo sofre muito com as questões financeiras, a maioria do povo desempregada e o sindicato Assufop não pode ficar alheio a isso. Nós não podemos aceitar que seja colocado nas costas do povo mais um encargo, já que nós já pagamos os nossos impostos, e não há necessidade de privatização”. Sérgio defendeu um modelo público de gestão do saneamento em Ouro Preto. “[Defendo]que haja um modelo de administração pública da própria prefeitura, como o SEMAE antes, que a gente até pague uma taxa, mas que a gente saiba que ela vai ficar aqui no município e que vai ser utilizada pela prefeitura para o bem do povo.”

Um dos organizadores do protesto foi o Comitê Popular de Saneamento de Ouro Preto. Marcos Calazans, membro do comitê, defendeu a mobilização.“A população de Ouro Preto tem que começar a se levantar em cada bairro, como o exemplo da Vila Aparecida e do Pocinho, comunidades que enfrentaram e expulsaram a Saneouro. Essa manifestação tem o objetivo de demonstrar que o povo de Ouro Preto está unido e organizado”.

Marcos Calazans ressaltou a participação de representantes de diversas regiões do município de Ouro Preto.“Aqui hoje tem representações de vários bairros da cidade, como Morro São Sebastião, Córrego Seco, comunidades do entorno do centro, e dos distritos também, como Santo Antonio do Leite, Cachoeira do Campo e Antônio Pereira. Todos desceram em passeata e vieram demonstrar que não vão aceitar a Saneouro. É o primeiro de uma série de atos que vão acontecer até que a empresa saia da cidade”.

A passeata foi a primeira manifestação desde que a CPI da Saneouro foi instalada na Câmara de Ouro Preto. Nesta quarta-feira (14), está prevista a primeira audiência para oitiva de testemunhas e o primeiro convocado foi Cléber Salvi, superintendente da Saneouro. A sessão está prevista para ter início às 13h.

Polêmica dos hidrômetros

Após uma intensa discussão nas redes sociais sobre um suposto dano provocado pela Saneouro ao patrimônio histórico, a prefeitura de Ouro Preto suspendeu a instalação dos hidrômetros no centro histórico da cidade. A prefeitura também informou que está aplicando multas na companhia, a cada irregularidade constatada.

Em nota, a Saneouro informou que, “para iniciar as obras de hidrometração do Centro Histórico de Ouro Preto a SANEOURO apresentou projeto de execução que foi avaliado e autorizado pelo IPHAN e pela Secretaria de Cultura e Patrimônio do Município. Entre as recomendações foi acordado o envio de um relatório fotográfico quinzenal com imagens de antes e após a hidrometração, ação esta que estava sendo cumprida desde o início dos trabalhos”.
A nota diz ainda que, “atendendo a recomendação da secretaria de Patrimônio e Cultura, a SANEOURO contratou na semana passada um escritório Especializado em Patrimônio que vai analisar todos os documentos emitidos pela Defesa Social, assim como acompanhamento dos serviços de instalação de hidrômetros”.
A companhia diz também que “reconhece e respeita o valor histórico da cidade e não mede esforços para que as características do patrimônio histórico sejam mantidas. A SANEOURO ressalta a importância da instalação do hidrômetro para o município, permitindo o consumo consciente e atitudes de sustentabilidade por toda população. Diversos investimentos estão sendo realizados para que Ouro Preto seja também um Município referência atento às leis de saneamento, como o marco regulatório”, informou, em nota, a Saneouro.

Ver Mais


Marcelo Sena

Jornalista e pesquisador do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFOP