Por que ocorrem as guerras? Um diálogo entre Einstein e Freud
“Triste situação a da humanidade quando os encarregados da paz são justamente os senhores da guerra!” (FADISMA, 2025)
foto: Reprodução
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Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna de Júlio Vasconcelos:
Em 24 de fevereiro de 2022 tropas russas invadiram o território ucraniano em uma grande ofensiva militar ordenada pelo presidente Vladimir Putin e teve início oficialmente a guerra entre Rússia e Ucrânia. Durante esses mais de 04 anos de guerra, estima-se que, incluindo mortos, feridos e desaparecidos, o número de baixas pode chegar perto de 2 milhões de pessoas.
Em 03 de janeiro de 2026, por uma determinação truculenta e intempestiva do Presidente Trump, forças especiais dos EUA realizaram uma ação militar em Caracas, capital da Venezuela, capturando o Presidente Maduro e sua esposa, contrariando frontalmente o princípio da autodeterminação dos povos.
Em 28 de fevereiro de 2026, mais uma vez por determinação do presidente Trump, teve início um violento ataque militar dos EUA contra o Irã. Nesse ataque foram mortos o Líder Supremo Ali Khameni, sua esposa, sua filha, um genro, uma nora e um neto de 1,2 anos de idade. Além disso, o conflito já gerou a morte cerca de 1.200 pessoas, entre elas, 168 crianças na faixa de 07 e doze anos de idade, vítimas de um bombardeio a uma escola de ensino primário em Minab.
Como se isso tudo não bastasse, existem rumores de que Trump quer invadir a Groenlândia, o Canadá e Cuba e sabe lá Deus quem mais! A impressão é que o espírito de Hitler anda assombrando a humanidade e que as coisas estão se agravando de maneira assustadora no nível mundial!
Há algum tempo escrevi um Artigo divulgando um diálogo magnânimo e surpreendente ocorrido em 1932, entre Sigmund Freud, considerado o Pai da Psicanálise e Albert Einstein, considerado o Pai da Física Moderna, através de uma troca de correspondências, justamente trocando ideias sobre porque ocorrem as guerras. Diante do contexto atual, creio que alguns tópicos importantes merecem ser novamente trazidos em pauta,
Einstein comenta, na sua correspondência, sobre o fracasso da Organização das Nações Unidas – a ONU, criada justamente com o firme propósito de impedir as guerras entre as nações. Este fracasso se concretiza de tal forma evidente atualmente que o próprio Presidente Trump criou, como titular, um Organismo Internacional ironicamente denominado Conselho da Paz (?!) (Board of Peace), com a adesão de 25 países. O Brasil foi convidado a participar, mas não aderiu oficialmente.
Einstein comenta ainda que acredita que o ser humano encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição que, em tempos normais, existe em estado latente e emerge com força em circunstâncias extraordinárias, envolvendo conflitos de graves proporções, destruição e morte, como os que estão ocorrendo atualmente.
Freud, por sua vez, responde a Einstein afirmando que é um fato inquestionável que, infelizmente, os conflitos de interesses entre os donos do poder são resolvidos pelo uso da violência, desde a criação da humanidade, concordando com ele que as guerras somente seriam evitadas com o estabelecimento de uma autoridade central com absoluto poder decisório, papel que, infelizmente, a ONU não tem conseguido desempenhar.
Freud aborda ainda dois conceitos fundamentais de sua teoria com relação ao ser humano: o conceito de Pulsão de Vida e o conceito de Pulsão de Morte. A Pulsão de Vida está relacionada ao instinto do amor, à busca do prazer, ao Eros. A Pulsão de Morte está relacionada ao instinto de destruição, de matar, ao Tânatos. O problema é que esses dois instintos são inseparáveis e o ser humano, para conseguir obter um, acaba por utilizar-se do outro, ou seja, para obter o prazer, muitas vezes ele acaba por destruir seu semelhante, de forma irracional, impiedosa e truculenta! E é por aí que entram os grandes tiranos, normalmente disfarçados em arautos da paz! Vale lembrar que Donald Trump reivindicou para si o Prêmio Nobel da Paz! Fico me perguntando que mundo é esse que estamos vivendo!
Independentemente do valioso diálogo entre esses dois titãs, Freud e Einstein, penso que o problema fundamental está estreitamente ligado à questão da falta de espiritualidade infelizmente crescente nesse momento atual, capitaneada por líderes maquiavélicos, materialistas e narcisistas e seguidos por um bando de cegos, o pior, justificando o uso de tamanha bestialidade, em nome de Deus!
Creio firmemente que, enquanto o ser humano, principalmente os grandes líderes, não entenderem que somos todos filhos de um mesmo Pai, não importa o nome que a Ele se dê e que, se não nos dermos as mãos em um clima de amor, paz, perdão, compaixão e harmonia, estaremos caminhando cada vez mais para a autodestruição. Pior ainda é que esse problema muitas vezes passa bem perto de nós!...
Quem tem ouvidos, que ouça!

Júlio Vasconcelos
Júlio César Vasconcelos, Mestre em Ciências da Educação, Professor Universitário, Coach, Escritor e Sócio-Proprietário da Cesarius Gestão de Pessoas







