Mariana (MG), 20 de julho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
https://agenciaprimaz.com.br/apidata/imgcache/d2e0e7e4e4b7c79be6763fdc6db4558c.webp

Procuradoria da Mulher realiza workshop “Maria vai à Câmara”

Evento marcou a reativação da Procuradoria da Mulher e discutiu dados e ações de enfrentamento à violência contra mulheres em Mariana.

Luciana Pyra, da Guarda Municipal, mostra ferramenta usada para acionar a Patrulha Maria da Penha em casos de urgência - Foto: Larissa Antunes/ Agência Primaz

A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de Mariana promoveu, na última quinta-feira (07/08), o workshop “Maria vai à Câmara”, como parte das ações da campanha Agosto Lilás. O evento foi aberto ao público e teve como objetivo mobilizar a sociedade, fortalecer o papel das instituições no enfrentamento à violência de gênero e promover a escuta ativa das mulheres. O evento marcou a primeira atividade da Procuradoria desde sua reativação, oficializada pela Resolução nº 7 de 2025, e coincidiu com os 19 anos da Lei Maria da Penha.

O workshop integra o calendário do Agosto Lilás, mês dedicado à mobilização e à conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, e reforça o papel da Procuradoria Especial da Mulher na construção e fortalecimento de políticas públicas no município.

A atividade reuniu autoridades do Legislativo, Executivo, Polícia Civil, entidades da sociedade civil e representantes de instituições de ensino. Na abertura, o presidente da Câmara, vereador Ediraldo Arlindo de Freitas Ramos, destacou a importância da retomada da Procuradoria, criada em 2015, para a promoção e defesa dos direitos das mulheres no município.
 

Violência contra a mulher

Durante o encontro, foram apresentados dados sobre a violência contra a mulher no Brasil e em Mariana, além de discutir ações e políticas públicas para prevenção e enfrentamento do problema. O secretário de Desenvolvimento Social, Juliano Barbosa, citou estatísticas nacionais e alertou que, no município, em média uma mulher foi acolhida a cada três dias, por situação de violência doméstica.

Segundo o secretário, em 2024, o Brasil registrou 258 mil mulheres vítimas de lesão corporal, 81 mil casos de estupro e 778 mil ameaças contra mulheres. O Disque 180 recebeu 74 mil denúncias de violência, sendo 74% referentes a casos de violência doméstica. Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro concentraram os maiores índices. Quase um terço das mulheres em relacionamentos declarou ter sofrido violência física, sexual ou patrimonial.

A subsecretária municipal da Mulher e Direitos Humanos, Maria Adriana Barbosa, apresentou iniciativas em andamento, como a criação do Conselho Municipal da Mulher, a implementação da Casa de Acolhimento Institucional para vítimas de violência e a execução de programas de capacitação. O delegado de Polícia Civil, Marcelo Bangoim Fernandes, anunciou a criação de um núcleo especializado de atendimento à mulher na delegacia local, com recursos provenientes da Fundação Renova.

Publicidade
/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1784542008&who=345

Palestras do workshop

A programação contou com palestras de especialistas e representantes de diferentes áreas. A capitã da reserva da Polícia Militar, Maria Marta Guido, apresentou uma abordagem prática sobre situações de violência contra a mulher, encenando, com apoio de voluntários, exemplos de violência doméstica no dia a dia, assédio em transporte público, discriminação no ambiente de trabalho e violência sexual. Ao final de cada demonstração, a militar destacou a importância da aplicação da Lei Maria da Penha e do acesso a mecanismos de proteção.

Maria Marta Guido, capitã da reserva da Polícia Militar, apresenta encenações sobre situações de violência contra a mulher durante o workshop “Maria vai à Câmara” - Foto: Larissa Antunes/ Agência Primaz

Laís Fonseca do Carmo, advogada e mestranda em Direito, integrante de coletivos voltados ao empreendedorismo negro e à defesa dos direitos das mulheres, tratou da rede de apoio às vítimas de violência. Explicou como funcionam os serviços especializados, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, casas de acolhimento, serviços de saúde e assistência social, e ressaltou a necessidade de integração entre órgãos públicos e entidades da sociedade civil para garantir proteção e acesso à justiça.

A psicóloga Liana Paula Pinto apresentou aspectos sobre o acolhimento de vítimas e o impacto psicológico da violência, destacando a importância de uma escuta qualificada e do atendimento humanizado. Lembrou que a violência não se limita à agressão física, incluindo danos emocionais, sociais e patrimoniais, que exigem atenção e acompanhamento contínuo.

Em sua palestra com tema “A importância do nome social e da linguagem inclusiva sob uma perspectiva feminina”, a psicóloga destacou que reconhecer e respeitar o nome social contribui para a dignidade e a valorização da identidade das pessoas, especialmente das mulheres trans. Ela ressaltou que a linguagem inclusiva é uma ferramenta de promoção da igualdade, capaz de combater estigmas e preconceitos, e que seu uso no ambiente institucional é fundamental para a construção de espaços mais acolhedores e respeitosos.

A guarda municipal Luciana Pyra abordou o funcionamento da Patrulha Maria da Penha e a relevância da atuação comunitária na prevenção e no combate à violência doméstica. Ela explicou como a patrulha realiza visitas às vítimas, acompanha o cumprimento de medidas protetivas e atua em parceria com outros serviços para evitar a reincidência da violência.

Psicóloga Liana Paula Pinto aborda acolhimento a vítimas e a importância do nome social e da linguagem inclusiva sob uma perspectiva feminina - Foto: Larissa Antunes/ Agência Primaz

Lei Maria da Penha

Durante o workshop, palestrantes destacaram que a Lei Maria da Penha representa um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil, estabelecendo mecanismos de proteção, punição e prevenção.

Foram abordadas as medidas protetivas de urgência, a importância da denúncia e o papel da rede de apoio para que as vítimas tenham segurança e acesso à justiça. Ressaltou-se que a efetividade da lei depende da articulação entre os órgãos de segurança, o sistema judiciário, os serviços de saúde e assistência social.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, estabelece mecanismos para prevenir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher. A norma define diferentes formas de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — e prevê medidas protetivas de urgência para resguardar a integridade da vítima, reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência de gênero, a lei representa um avanço significativo na garantia dos direitos das mulheres e no fortalecimento da rede de proteção, ao promover a responsabilização dos agressores e estimular a atuação integrada de órgãos públicos e entidades civis.

Mulheres que estejam em situação de violência podem buscar apoio por meio da rede de atendimento disponível no município. Em casos de emergência, é possível acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou a Guarda Municipal pelo 153. A vítima também pode procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher ou, onde não houver, a delegacia local, que em Mariana contará com um núcleo especializado de atendimento. Além disso, estão disponíveis serviços como a Casa de Acolhimento Institucional para vítimas de violência e, em breve, o Centro de Referência da Mulher, oferecendo proteção e encaminhamento para atendimento jurídico, psicológico e social.

Compartilhar

Leia também

Mariana recebe espetáculo que conta passagem do Living Theatre por Minas na ditadura Teatro

Mariana recebe espetáculo que conta passagem do Living Theatre por Minas na ditadura

Ouro Preto recebe a 6º edição do MARTE - Festival Festivais

Ouro Preto recebe a 6º edição do MARTE - Festival

Mariana: 330 anos de história da primeira capital de Minas Gerais Cidades

Mariana: 330 anos de história da primeira capital de Minas Gerais

Publicidade
/apidata/imgcache/344ad284c9449987f546068863030cfc.jpeg?banner=middle&when=1784542008&who=345