Religamento de água e interrupção das cobranças pela Saneouro vão parar na Justiça

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Atualizado em 26/04/2023 às 09:04, por Isabela Vilela.

Audiência Pública que trataria da saída da empresa foi adiada - Foto: Isabela Vilela/Arquivo Agência Primaz

Na Câmara de Ouro Preto, parlamentares apresentam requerimentos relacionados à Tarifa Social

Na última semana, a 3ª Vara Federal Cível da Subseção de Justiça de Belo Horizonte concedeu à Saneouro cinco dias úteis, a contar do dia 18 de abril, para se manifestar. A decisão será tomada após a apresentação da justificativa pela concessionária e o pronunciamento, ao Ministério Público, das partes envolvidas, como a Prefeitura de Ouro Preto.

“A gente está na expectativa de que derrube esses cortes e até mesmo a cobrança de água pela Saneouro”, explicou Marcus Calazans, membro do Comitê Sanitário de Defesa Popular, entidade responsável pela convocação de diversas manifestações na cidade.

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No início da tarde da última sexta-feira (21), enquanto o Centro Histórico sediava as celebrações da Semana da Inconfidência 2023, manifestantes de diversas entidades – como ADOP e FAMOP – protestavam a favor da saída da Saneouro. Dentre os participantes, o deputado estadual Leleco Pimentel (PT), que se recusou a receber a Medalha da Inconfidência das mãos do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O parlamentar se pronunciou nas redes sociais, argumentando que preferiu estar na rua com o povo, na luta pelo saneamento de qualidade, a receber a medalha.” [Das] mãos sujas de lama e corrupção, no meu peito, NÃO!!!”, exclamou Pimentel, em referência ao governador de Minas, que firmou acordo entre a mineradora Vale e os atingidos de Brumadinho, visto por muitos como de baixo valor.

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Fim dos cortes e religamento até a resolução da situação

Concessionária tem cinco dias úteis para se manifestar - Foto: Isabela Vilela/Arquivo Agência Primaz

Dentre as solicitações apresentadas no processo, estão a interrupção dos cortes de água, o religamento imediato do abastecimento (caso a interrupção já tenha ocorrido) e o impedimento de cortes de água por inadimplência. Confira algumas das ponderações apresentadas:

  • Se abstenha de interromper o fornecimento de água por qualquer razão relacionada à conduta dos usuários, mormente falta de pagamento, falta de colaboração na instalação e/ou leitura de medidores e alegada manipulação de instalações e equipamentos”;
  • “Proceda a religação, urgente e imediata, dos usuários que tiveram interrompido o abastecimento de água por tais razões, se abstendo, assim como quanto aos demais, de novos cortes”;
  • Se abstenha de cobrar pelo consumo de água por qualquer meio, notadamente a inscrição em cadastros de inadimplentes e o protesto judicial ou extrajudicial de faturas

Município de Ouro Preto que exerça seu poder de polícia para impedir a interrupção do abastecimento de água e a cobrança de consumo de água pela Saneouro”.

Parlamentares discutem justificativa apresentada pela Saneouro

Durante a 19ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Ouro Preto, ocorrida na terça-feira (18) da semana passada, o vereador Júlio Gori (PSC) apresentou uma representação convidando a empresa Spencer e Vasconcelos Advogados Associados a comparecer no plenário. De acordo com o parlamentar, o objetivo é que o escritório de advocacia use a Tribuna Livre para explicar a justificativa apresentada pela Saneouro após a notificação extrajudicial feita pelo executivo municipal.

No dia 10 de março, a Prefeitura notificou a concessionária, pedindo explicações a respeito do tarifário aplicado, que, de acordo com a Promotoria Municipal, não é adequada à capacidade de pagamento dos usuários dos serviços. A Saneouro apresentou a justificativa ao Poder Executivo no dia 29 de março, e uma consultoria técnica foi contratada pela Prefeitura no valor de R$220 mil para avaliar os documentos recebidos.

Uma Audiência Pública estava marcada para esta segunda-feira (24) para debater sobre as tratativas relacionadas à retirada da Saneouro do município, mas a sessão foi adiada para data ainda não informada.

Aplicação da Tarifa Social volta a ser debatida após decisão municipal

Tarifa deveria abranger 10 mil famílias ouro-pretanas, inscritas no CadÚnico - Foto: Isabela Vilela/Arquivo Agência Primaz

Também durante a sessão parlamentar da terça-feira (18) da semana passada, o vereador Wanderley Kuruzu (PT), apresentou um requerimento pedindo ao Executivo informações sobre o direito à Tarifa Social da Saneouro.

O requerimento de Kuruzu foi apresentado depois que a Prefeitura exigiu que todos os inscritos no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) sejam inseridos no programa de menores tarifas da concessionária. O documento, que exige a inserção das mais de 10 mil famílias que compõem o CadÚnico, foi assinado pelo procurador-geral Diogo Ribeiro, pelo secretário municipal de Desenvolvimento Social, Edvaldo Rocha, e pelo coordenador do Procon, Narciso Gonçalves Maciel. A indicação é de que a concessionária adotasse “imediatamente” o banco de dados do Governo Federal.

Segundo Kuruzu, as leis que regem a concessão do benefício, não atendem à população mais carente. “Está sendo muito alardeado que agora a questão da tarifa social resolve e tal, mas do jeito que ‘tá’ aqui não resolve”, pontuou. Um dos exemplos colocados pelo parlamentar foi a respeito da titularidade da conta, que deve estar em nome do responsável econômico pela família. De acordo com o parlamentar, em um município como Ouro Preto, no qual casas são alugadas diretamente com proprietários e sem transferência de titularidade de boletos de serviços básicos, como água e luz, a tarifa social não poderia ser cedida.

A Agência Primaz procurou a Saneouro para esclarecimentos a respeito da inserção das famílias cadastradas no CadÚnico no programa Tarifa Social, mas não teve resposta.


Isabela Vilela

Jun - Out/2021