Rodoviária de Belo Horizonte completou 55 anos este mês

Principal porta de entrada terrestre da capital mineira, terminal celebra mais de meio século de história, mobilidade e milhões de passageiros

Atualizado em 23/03/2026 às 09:03, por Luiz Loureiro.

Interior do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, observando-se a área de espera com muitos passageiros aguardando o horário de embarque

Área interna da Rodoviária de Belo Horizonte (2022) – Foto: TERGIP, licenciada sob CC0 1.0

Inaugurada em 1971, a Rodoviária de Belo Horizonte chega aos 55 anos consolidada como um dos principais terminais rodoviários do país e um importante elo de conexão entre Minas Gerais e diversas regiões do Brasil. Ao longo de mais de cinco décadas, milhões de passageiros passaram pelo local, que se tornou parte da rotina de quem viaja, trabalha ou chega à capital mineira em busca de novas oportunidades. Mais do que um ponto de embarque e desembarque, o terminal acompanha a evolução da cidade e segue se modernizando para oferecer mais conforto, segurança e eficiência aos usuários.

O terminal rodoviário foi o primeiro do Brasil a ser instalado em uma capital e, desde setembro de 2022, é gerido pela Terminais BH, por meio de concessão firmada com a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). O contrato prevê investimentos expressivos na modernização, incluindo melhorias estruturais e tecnológicas que garantem mais eficiência e comodidade aos usuários.

/apidata/imgcache/e9bd5514f213916015e37de1ab9ceab3.jpeg?banner=postmiddle&when=1775999262&who=345

“Celebrar os 55 anos da rodoviária de Belo Horizonte é reconhecer a importância desse espaço para a mobilidade, para a economia e para a história da cidade. Todos os dias, milhares de pessoas passam por aqui levando sonhos, histórias e novos caminhos. Nosso compromisso é continuar investindo em melhorias e inovação para que o terminal siga sendo uma porta de entrada acolhedora e eficiente para quem chega ou parte da capital mineira”, destaca a diretora executiva da Terminais BH, Vanessa Costa.

Crescimento e movimentação

De janeiro a dezembro de 2025, a Rodoviária de Belo Horizonte registrou um aumento significativo na movimentação de ônibus e passageiros. O número de partidas cresceu 2% em relação ao mesmo período de 2024, passando de 181.997 para 185.799 ônibus. Já o volume de chegadas aumentou 4%, subindo de 179.115 para 186.536 ônibus. Ao todo, circularam por lá 372.335 ônibus rodoviários entre partidas e chegadas. Considerando a média de 14 metros por carro, temos 5.212 km, que dá uma distância de BH a Montevidéu, Capital do Uruguai, se colocarmos estes ônibus em linha reta.

O fluxo de passageiros também acompanhou essa tendência de crescimento. O volume de embarques aumentou cerca de 1% (de 3.668.437 para 3.669.374 pessoas), enquanto os desembarques se mantiveram 0,0001% menor (de 3.612.677 para 3.612.625 passageiros). No total, foram registrados 7.311.999 passageiros em 2025, um acréscimo de 0,4% em comparação a 2024.

Atualmente, o local movimenta uma média de 609.000 passageiros por mês e cerca de 20.000 passageiros por dia. O terminal conta com 58 operadoras de transporte atuando diariamente, além de uma estrutura composta por plataformas de embarque e desembarque que suportam a intensa movimentação de viagens. Além disso, uma equipe de funcionários dedicados garante o funcionamento eficiente do espaço e o atendimento adequado aos usuários.

Investimentos e modernização

Desde o início da concessão, em setembro de 2022, já foram investidos mais de R$ 22 milhões até o final do ano passado. O plano de investimentos ao longo dos 30 anos de contrato prevê um total de R$ 122 milhões em melhorias estruturais, tecnológicas e operacionais, com foco na segurança e na experiência dos passageiros.

Entre as principais melhorias realizadas no terceiro ano de concessão, destacam-se continuidade da recuperação estrutural; finalização da impermeabilização do jardim Oeste; início da impermeabilização do estacionamento descoberto; recuperação da pavimentação dos pátios Leste e Oeste e portões da área de embarque e desembarque; ampliação do mix de lojas; disponibilização do espaço para a sala VIP; continuidade das seções de cinema da produtora cine cardume no auditório; ampliação dos sanitários; construção de uma nova área de convivência para os colaboradores da terminais BH com vestiário e área para refeição e descanso.

História da rodoviária de Belo Horizonte

O Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (TERGIP), também conhecido como Rodoviária de Belo Horizonte, é um marco arquitetônico na capital mineira. Inaugurada em 09 de março de 1971, a construção do terminal foi um projeto concebido pelos arquitetos Fernando Graça, Francisco E. Santo, Luciano Passini, Mardonio Guimarães, Marina Wasner, Mario Berti, Raul Cunha, Ronaldo Massotti, Susy de Mello e Walter Machado. Com seu estilo modernista e arrojado, a estrutura da rodoviária destaca-se pela combinação de linhas retas, formas geométricas e materiais como concreto e vidro, proporcionando um ambiente único e marcante para os passageiros, constituindo um estilo chamado de modernista/brutalista, em uma edificação com 35 mil m2. Desde então, ela tem sido um local de partida e chegada para milhares de pessoas, desempenhando um papel fundamental na conexão e integração entre os diferentes destinos.

Plataformas de embarque/desembarque da antiga rodoviária de Belo Horizonte, com capacidade para estacionamento de no máximo 10 ônibus simultaneamente – Foto: Reprodução/Facebook

A ideia de sua construção foi motivada pela obsolescência de uma pequena estação que, desde os anos 1940, funcionava da Feira Permanente de Amostras, demolida para proporcionar maior área ao edifício, plataformas e estacionamento da futura rodoviária.

Feira Permanente de Amostras, inaugurada em 1935 e demolida para a construção da nova rodoviária de Belo Horizonte – Foto: Reprodução/Facebook

Inicialmente gerida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais, o TERGIP passou a ser responsabilidade da Prefeitura de belo Horizonte, em 2003, durante o primeiro mandato de Fernando Pimentel (PT). Marcio Lacerda (então no PSB), prefeito da capital mineira, de 2009 a 2016, tentou retirar o terminal rodoviário do centro da cidade, projetando a construção de duas rodoviárias, nas regiões Oeste (bairro Calafate) e Nordeste (bairro São Gabriel), mas nenhuma das iniciativas teve prosseguimento, mesmo com a desapropriação de uma área para abrigar a rodoviária do São Gabriel.

Em entrevista ao site "O Fator", Daniel Bregunce Ferreira, coordenador de tráfego do TERGIP, afirmou que a permanência da Rodoviária no Centro de BH foi a melhor solução, especialmente para os passageiros de trajetos menores, que desembarcam em uma área que dá fácil acesso a outras regiões da cidade, sem a necessidade, na maioria dos casos, de um novo deslocamento para o centro, caso as novas rodoviárias tivessem sido implantadas.

Eles vêm para Belo Horizonte, resolvem o que têm que resolver e depois retornam para suas localidades

Daniel Ferreira, coordenador de tráfego do TERGIP

Enquanto isso, em Mariana

Primeira edificação específica para rodoviária construída em Mariana, notando-se o uso de mão invertida pelos ônibus e veículos – Foto: Reprodução/Facebook

Em Mariana, conforme relatos, o primeiro local a funcionar como rodoviária foi o pavimento térreo do imóvel localizado na esquina da atual Praça Tancredo Neves com a Rua 16 de Julho. Posteriormente, sem data comprovada em documentos, o embarque e desembarque passou a acontecer em uma edificação localizada no centro da praça, constando de uma bilheteria, um bar e sanitários.

Era dali que partiam os ônibus da Empresa Santa Cruz, com destino a Belo Horizonte, bem como os veículos de transporte coletivo dos trabalhadores da Alcan. Com paradas em Ouro Preto e Itabirito, local onde era concedido o tempo necessário para a realização de lanches, tendo em vista o longo tempo de percurso até à capital, os ônibus seguiam pela Rua do Catete, seguindo pela sinuosa rodovia sem acostamentos existente entre o início da atual Avenida Nossa senhora do Carmo e o local onde está hoje o terminal Rodoviário de Mariana. Dali continuavam até o trevo de Passagem de Mariana, cortando o distrito e passando pela antiga ponte sobre o Ribeirão do Carmo, já que o viaduto somente foi construído muitos anos depois.

O percurso dos ônibus era feito passando por dentro dos perímetros urbanos de Ouro Preto, passando pelo Alto da Cruz e Lajes, com parada na Praça Tiradentes, em um imóvel na esquina com a Rua Brigadeiro Musqueira, próximo ao Museu da Inconfidência.

Também em Itabirito o percurso cortava o centro da cidade, entrando pelo hoje chamado Acesso 3, onde está a rodoviária, passando pelo local onde existia a Usina esperança e saindo do município pelo acesso 1, nas proximidades do trevo de Rio Acima.

A rodoviária de Mariana também era ponto de embarque e desembarque dos poucos ônibus que faziam as linhas de transporte coletivo entre Belo Horizonte e cidades da zona da Mata, como Ponte Nova e Ubá. Antes da construção do trecho de rodovia, passando pela Chácara (bairro São José), que praticamente marcava o limite sul da sede do município, esses ônibus, vindos de Belo Horizonte passavam pela Rua do Catete para chegar à rodoviária, seguindo depois pela Avenida Salvador Furtado, Rua Padre Gonçalves Lopes, Praça da Sé e Rua de Santana, até atingir um pequeno trecho de estrada que permitia o acesso à atual MG-262, a partir de onde hoje existe o chamado Trevo do Garimpeiro, fazendo o percurso invertido nos deslocamentos entre Ponte Nova/Ubá  e a capital mineira.

Segundo local de funcionamento da rodoviária de Mariana, onde hoje está o prédio principal da Administração Municipal – Foto: Reprodução

Com o crescimento do número de linhas de transporte intermunicipal, a rodoviária foi transferida para a Praça Juscelino Kubitschek, composta por uma ampla construção de apenas um pavimento, com boa capacidade de espaço para estacionamento simultâneo de ônibus para embarque e desembarque, além de cabines para venda de bilhetes, administração, sanitários e áreas de espera. Dessa vez, devido à localização do prédio e às ruas de acesso, a mão de direção foi restabelecida.

Nos anos 1980/1990, durante o terceiro governo João Ramos Filho, ocorreu a construção da Avenida Nossa senhora do Carmo e da atual rodoviária, localizada na ligação entre o prolongamento da bR-356 e o trecho inicial, municipalizado, da MG-262.

Área de embarque do atual Terminal rodoviário de Mariana - Foto: Reprodução/Facebook

Já tendo passado por algumas intervenções, a rodoviária de Mariana segue sendo subutilizada, com problemas estruturais e de gerenciamento que vem sendo motivo de críticas e preocupações da população e dos poderes legislativo e executivo municipais.


Luiz Loureiro

É jornalista graduado pela UFOP, fundador, sócio proprietário e editor chefe da Agência Primaz de Comunicação.