Mariana (MG), 21 de maio de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Temporada “Rebeldes!”: Material complementar dos episódios 1 e 2

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Temporada “Rebeldes!”: Material complementar dos episódios 1 e 2

Banda The Rebels, em baile na sede social do Marianense F. C. – Foto: Reprodução/sem data

Para entender o contexto no qual se inserem os dois primeiros episódios da série “Rebeldes!”, primeira temporada do podcast “Memórias Primaz”, uma boa introdução é o vídeo Cidade de Mariana, produzido em 1959, pelo INCE (Instituto Nacional de Cinema Educativo), com direção de Humberto Mauro, cujo uso foi gentilmente cedido pelo CTAv (Centro Técnico Audiovisual), vinculado à Secretaria do Audiovisual do MinC (Ministério da Cultura).

Dados demográficos e econômicos da Mariana dos anos 1960/1970

No início da década de 1960, a cidade de Mariana, situada a pouco mais de 100 km da capital Belo Horizonte, era uma cidade pacata, com pouco mais de 30 mil habitantes, 60% dos quais residiam na zona rural. Curiosamente, em relação a 1950, o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontava que a população do município havia encolhido exatos 8 pessoas. E até 1970, a população encolheria quase 24%.

Características de sexo e idade da população marianense, em 1970, que teve considerável redução em relação a 1960 - Fonte: Censo 1970/IBGE

Os empregos disponíveis eram na Fábrica de Tecidos São José, na Rede Ferroviária Federal, na Companhia Minas da Passagem e na Alcan, situada em Saramenha, no vizinho município de Mariana, além de poucos estabelecimentos comerciais, principalmente armazéns e pequenas lojas. Aparentemente não faltavam empregos, mas somente 28% da população era economicamente ativa.

Fábrica de Tecidos São José – Foto: Acervo Márcio Eustáquio/Data provável: anos 40
Estação da Rede Ferroviária Federal – Foto: Acervo Márcio Eustáquio/sem data)

Ao longo dos anos 60 essa situação começou a mudar drasticamente. A Fábrica de Tecidos foi fechada e começou um período de estagnação da oferta de emprego nas demais empresas.

Quase um quarto da população de Mariana, em 1960, tinha entre 10 e 19 anos, e faltavam escolas para o ensino secundário, equivalente hoje à fase final do ensino fundamental (6ª à 9ª série). Com a transferência do Ginásio Arquidiocesano para Ouro Preto, em 1934, somente 20 anos depois, os jovens marianenses do sexo masculino passaram a ter no Ginásio Dom Frei uma opção de ensino, além do Seminário Menor N. S. da Boa Morte, localizado onde atualmente se encontra instalado o ICHS (Instituto de Ciências Humanas e Sociais) da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). Para as moças havia o Colégio Providência, que oferecia ainda o Curso de Magistério.

Ginásio Arquidiocesano em Mariana, localizado no Palácio dos Bispos, atual Museu da Música – Foto: Acervo Margareth Veisac Marton/sem data
Colégio Providência – Foto: Acervo Margareth Veisac Marton/sem data

Juventude marianense não tinha muitas opções para se divertir

As opções de lazer eram reduzidas ao futebol nas tardes de domingo, às sessões no Cine Central e ao footing noturno na Praça Gomes Freire, conhecida como Jardim.

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Vista do Campo do Guarani e fachada do Cine Theatro Mariana – Fotos: Reprodução
Jardim de Mariana, anos 50/60 – Foto: Reprodução
Jardim à noite, antes das recentes intervenções – Foto: Reprodução

Uma outra opção, que não parecia ser bastante atrativa para a juventude, eram os bailes nos salões dos tradicionais clubes Guarany e Marianenses, rivais no futebol e na política. Até o início da década de 60 os bailes eram animados por conjuntos musicais como o Jazz Band Quiriri, com repertório composto por boleros, sambas, sambas-canções, valsas, fox e rumbas.

Na foto abaixo, só conseguimos identificação de Niquinho Walter no sax, Heli no piston, Zé Belarmino no trombone e Zé Assunção no baixo.

Jazz Band Quiriri – Foto: Acervo Álvaro Walter/sem data

Álvaro Walter, músico e saxofonista já com fama adquirida, cria o Conjunto Serenata, do qual faziam parte 2 de seus irmãos, também integrantes da Banda União XV de Novembro.

Conjunto Serenata: da esquerda para a direita, Antônio “Fofoca” (guitarra), Geraldo “Dadinho” Walter (acordeon), Márcio Walter (piston), Silvério “Pezinho” (bateria), Ari Loreto (percussão) e Álvaro Walter (saxofone) - Foto: Acervo Álvaro Walter/sem data

Há quem diga que a cidade, naquela época, encarnava os versos de do poeta Alphonsus de Guimaraens, na letra do Hino de Mariana:

“Entre os coros das litanias

Que vêm do céu, na asa do luar,

Vivo de mortas alegrias,

Sempre a sonhar, sempre a sonhar!”

Aparecimento das bandas de baile

Em um cenário pouco promissor aos jovens, principalmente em termos de emprego, mas já com uma nova alternativa de estudo, devido à Escola Estadual Dom Silvério ter sido instalada precária e provisoriamente no antigo Palácio dos Bispos, alguns rapazes alimentavam um sonho: criar um conjunto musical. A inspiração, obviamente, eram os Beatles e o movimento conhecido como Jovem Guarda, cujas canções eram ouvidas nos rádios, à época ainda verdadeiros trambolhões, cujo coração era compostos por válvulas.

É assim que Aloísio Rolim se junta a Zé Afonso Morais (que já tocava, ou andava frequentando os ensaios e as apresentações do Jazz Band Quiriri e depois, do Conjunto Serenata), e chama seu irmão Marcelo Rolim para tocar uma bateria resgatada da primeira dessas bandas. Um cabo de violão velho é utilizado para construir um contrabaixo elétrico, o “paitrocínio” de Lauro Morais, pai de Zé Afonso, garante uma guitarra e um amplificador e, assim, nascia o conjunto The Rebels, cujos primeiros ensaios foram no porão da casa de Zé Afonso, na Rua de Santana.

Algum tempo depois surgia, também na Rua de Santana, a banda Os Abutres. E, em poucos anos, o triunvirato musical estaria formado com o surgimento da banda Os Incas.

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