A 1ª edição do Rodada Criativa aconteceu nesta terça-feira (27) no Cine Teatro de Mariana, o evento contou com a presença de membros da cena cultural marianense, como os mestres de cultura, produtores, artistas, grupos culturais e comunidades tradicionais do município. A organização partiu da Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Lazer.
Além disso, o evento contou com o pré-lançamento do livro “Minas em Festa”, de Deolinda Alice dos Santos e José Israel Abrantes.
O objetivo do Rodada Criativa foi promover um encontro para reunir pessoas, grupos e comunidades, na 1ª edição o foco foi direcionado aos grupos de cultura tradicional. A abertura foi realizada com as apresentações dos cortes de congado, folias de reis e comunidades quilombolas, que se apresentaram na porta do Cine Teatro.
“Desponta Mariana”
O Rodada Criativa faz parte do programa “Desponta Mariana”, voltado para valorizar quem faz cultura, criar oportunidades e aproximar ainda mais a gestão pública dos grupos, artistas, comunidades e agentes culturais do município.
O programa é organizado em quatro eixos, são eles: Identificação, Formação, Difusão e Fomento. O Rodada realiza a vertente de formação e nasce para promover encontros, rodas de conversa, oficinas e momentos de troca.
Além desse eixo, o evento contou com a distribuição de certificados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA-MG), que foi representado pelo diretor de promoção, Saulo Carrilho. O certificado é o reconhecimento oficial para os grupos culturais de Mariana e confirma a relevância das manifestações como parte do patrimônio cultural estadual.
Cultura e patrimônio no território
Entre os debates que a roda de conversa trouxe, o destaque foi para as comunidades culturais, o inventário, a preservação e incentivo a sua forma de fazer cultura. Segundo o Secretário de Cultura, Eduardo Batista, o Rodada abre a possibilidade de construir junto à gestão pública e técnica os caminhos para a realização da cultura.
O Rodada Criativa, ele não traz um propósito de nós, enquanto técnicos, trazer uma informação. Nós vamos trocar a informação. Eu quero ouvir. Nós não estamos trazendo a solução. Nós estamos construindo possibilidades de construir conjuntamente.
A convidada, mediadora e liderança quilombola, Makota Kidoialê, completa a fala de Eduardo. “Isso nos conforta, né? Porque a gente sabe qual é o peso de carregar nossa cultura, de sustentar nossa cultura.”, conta Makota.

“Do mestre dos mestres, herdei o tambor”
Durante o bate-papo, Makota Kidoialê falou sobre o processo de inventário e preservação da cultura através dos tambores dos cortes de congados, folias e comunidades quilombolas. Nas suas falas, Makota conta sobre a fabricação artesanal dos tambores.
Para que todas as nossas gerações que vierem, saberem que quem colocou o tambor aqui neste país fomos nós. A partir do nosso conhecimento, a gente não foi para a escola de música, a gente não foi para a fábrica de instrumentos. A gente aprendeu a fazer isso na roça mesmo. Dentro do nosso quilombo, dentro da roça e dentro da mataAUTOR: Makota Kidoialê, Liderança Quilombola
Mais adiante na noite, Makota convida o povo a realizar o registro de conhecimentos ancestrais difundidos a partir da oralidade, pelas pessoas mais velhas da família, como uma forma de preservar a cultura local. "A gente sabe que todos os jovens têm celular e todos os mais velhos gostam de contar a história deles para a gente. Então, tem que perguntar: "Vô, como é que você aprendeu a benzer?" Liga o celular, grava isso. Quem vai ser o porta voz da comunidade é a juventude.”, disse Makota.
Após a roda de conversa, o pré-lançamento do livro foi realizado pela historiadora, Deolinda dos Santos. Os certificados foram entregues pelo IEPHA/MG e o evento finalizou com as apresentações da Comunidade Quilombola Margarida Viana em Paraíso e da Malacalê do Gualaxo e Princesas Negras.


