Mariana (MG), 18 de junho de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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1ª Rodada Criativa discute cultura tradicional em Mariana

O evento contou com a participação e apresentações dos mestres de cultura de Mariana, entrega de certificados e pré-lançamento do livro “Minas em festa”

Homenageados no Palco: Um grupo diverso de pessoas posa para a foto oficial segurando certificados de participação ou reconhecimento.
Elementos Culturais: Na frente do palco, há vários tambores e instrumentos de percussão tradicionais (como alfaias e caixas metálicas) decorados com tecidos florais coloridos.
Identidade Local: Do lado esquerdo, um cartaz feito à mão destaca as "Comunidades Quilombolas". Do lado direito, um banner indica o lançamento do livro "Minas em Festa", apontando que o evento aconteceu no estado de Minas Gerais.
Atmosfera: O clima é de orgulho, união e celebração da cultura popular e ancestral.

Representantes das manifestações culturais de Mariana após a entrega de certificados pelo IEPHA e Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Lazer - Foto: Maria Clara Cardoso/Agência Primaz

A 1ª edição do Rodada Criativa aconteceu nesta terça-feira (27) no Cine Teatro de Mariana, o evento contou com a presença de membros da cena cultural marianense, como os mestres de cultura, produtores, artistas, grupos culturais e comunidades tradicionais do município. A organização partiu da Secretaria Municipal de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Lazer.  

Além disso, o evento contou com o pré-lançamento do livro “Minas em Festa”, de Deolinda Alice dos Santos e José Israel Abrantes. 

O objetivo do Rodada Criativa foi promover um encontro para reunir pessoas, grupos e comunidades, na 1ª edição o foco foi direcionado aos grupos de cultura tradicional. A abertura foi realizada com as apresentações dos cortes de congado, folias de reis e comunidades quilombolas, que se apresentaram na porta do Cine Teatro.

“Desponta Mariana”

O Rodada Criativa faz parte do programa “Desponta Mariana”, voltado para valorizar quem faz cultura, criar oportunidades e aproximar ainda mais a gestão pública dos grupos, artistas, comunidades e agentes culturais do município. 

O programa é organizado em quatro eixos, são eles: Identificação, Formação, Difusão e Fomento. O Rodada realiza a vertente de formação e nasce para promover encontros, rodas de conversa, oficinas e momentos de troca. 

Além desse eixo, o evento contou com a distribuição de certificados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA-MG), que foi representado pelo diretor de promoção, Saulo Carrilho. O certificado é o reconhecimento oficial para os grupos culturais de Mariana e confirma a relevância das manifestações como parte do patrimônio cultural estadual.

Cultura e patrimônio no território 

Entre os debates que a roda de conversa trouxe, o destaque foi para as comunidades culturais, o inventário, a preservação e incentivo a sua forma de fazer cultura. Segundo o Secretário de Cultura, Eduardo Batista, o Rodada abre a possibilidade de construir junto à gestão pública e técnica os caminhos para a realização da cultura.

O Rodada Criativa, ele não traz um propósito de nós, enquanto técnicos, trazer uma informação. Nós vamos trocar a informação. Eu quero ouvir. Nós não estamos trazendo a solução. Nós estamos construindo possibilidades de construir conjuntamente.

Eduardo Batista, secretário de cultura

A convidada, mediadora e liderança quilombola, Makota Kidoialê, completa a fala de Eduardo. “Isso nos conforta, né? Porque a gente sabe qual é o peso de carregar nossa cultura, de sustentar nossa cultura.”, conta Makota. 

Apresentação do Congado de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião - Foto: Maria Clara Cardoso/Agência Primaz

“Do mestre dos mestres, herdei o tambor” 

Durante o bate-papo, Makota Kidoialê falou sobre o processo de inventário e preservação da cultura através dos tambores dos cortes de congados, folias e comunidades quilombolas. Nas suas falas, Makota conta sobre a fabricação artesanal dos tambores.
 

Para que todas as nossas gerações que vierem, saberem que quem colocou o tambor aqui neste país fomos nós. A partir do nosso conhecimento, a gente não foi para a escola de música, a gente não foi para a fábrica de instrumentos. A gente aprendeu a fazer isso na roça mesmo. Dentro do nosso quilombo, dentro da roça e dentro da mataAUTOR: Makota Kidoialê, Liderança Quilombola

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Mais adiante na noite, Makota convida o povo a realizar o registro de conhecimentos ancestrais difundidos a partir da oralidade, pelas pessoas mais velhas da família, como uma forma de preservar a cultura local. "A gente sabe que todos os jovens têm celular e todos os mais velhos gostam de contar a história deles para a gente. Então, tem que perguntar: "Vô, como é que você aprendeu a benzer?" Liga o celular, grava isso. Quem vai ser o porta voz da comunidade é a juventude.”, disse Makota.

Após a roda de conversa, o pré-lançamento do livro foi realizado pela historiadora, Deolinda dos Santos. Os certificados foram entregues pelo IEPHA/MG e o evento finalizou com as apresentações da Comunidade Quilombola Margarida Viana em Paraíso e da Malacalê do Gualaxo e Princesas Negras.

 

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